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Proteínas orgânicas no foco da nova Raiar




Campinas, SP, 09/09/2021

O que veio primeiro, o ovo orgânico ou a galinha orgânica? Primeiro veio o milho. A charada que atrapalha o avanço da avicultura orgânica de escala no Brasil começou a ser desvendada por um grupo de executivos que conhece bem grãos. Marcus Menoita e Leandro Almeida, que estiveram à frente da NovaAgri - firma de logística agrícola que hoje pertence à japonesa Toyota - e Luis Barbieri, que comandou a área de grãos e oleaginosas da Louis Dreyfus Company, lideram o que promete ser um dos maiores projetos de proteínas orgânicas do país, a começar por ovos.

O trio se juntou a Filipe Rinaldi, da RK Partners, e Rafael Bomeny, vice-presidente da Odata, companhia de datacenters investida do Pátria, para fundar a Raiar Orgânicos. A novata atraiu 31 investidores para o projeto, que prevê aportes de cerca de R$ 150 milhões em Avaré (SP). Os primeiros lotes de pintainhas foram alojados na granja em agosto, e os ovos orgânicos da Raiar chegarão ao varejo até o fim deste ano.

“Começamos as obras em janeiro e colocamos a primeira fase de pé. O projeto, em oito fases, permitirá que nossa fazenda tenha 700 mil galinhas, o que nos colocará como uma das maiores da América Latina e provavelmente do mundo em alguns anos”, diz Menoita ao Valor.

A idealização da Raiar começou em 2018, quando Menoita deixou o comando da NovaAgri. Ao lado de Barbieri e Almeida, mergulhou no mercado de avicultura para entender uma discrepância que salta aos olhos. Enquanto a cadeia da carne bovina se organizou em torno de três grandes players (JBS, Marfrig e Minerva) e o negócio de aves e suínos ao redor de BRF, Seara e Aurora, a produção de ovos segue pulverizada, com granjas familiares ainda com baixa inserção no mercado de capitais. “Os cinco maiores do Brasil não chegam a 20% do mercado”.

No Brasil, a criação das galinhas poedeiras também soou atrasada ante os anseios de bem-estar animal e ambientais, com predominância de gaiolas e uso de antibiótico. Enquanto 0,2% da produção nacional de ovos é orgânica, nos EUA a fatia é de 7% e na Europa, de 20%. Quando se considera as aves livres de gaiolas, o percentual europeu alcança 30%.

“Com cerca de 98% da produção de ovos com galinhas em gaiolas, estamos na contramão. Isso mostra que o mercado está 'desarbitrado' e há espaço para uma revolução”, argumenta Menoita.

Para mexer com o mercado, deixando de tratar o orgânico como um nicho, a Raiar precisava dar conta da dificuldade em se abastecer de milho também orgânico, lacuna que já frustrou outros projetos no país. “O que era um desconforto virou um desafio. Se não há grãos orgânicos, vamos viabilizar”, enfatiza Menoita.

A Raiar se aproximou de agricultores familiares - boa parte assentados - e está oferecendo assistência técnica e ajuda no processo de certificação do grão orgânico. Com isso, resolve dois problemas: o agricultor já tem um comprador certo e a granja não corre risco de ficar sem milho orgânico. “Precisa de uma orquestração na cadeia”, afirma Barbieri.

Inicialmente, a Raiar fez um primeiro ciclo para produzir milho orgânico em parceria com nove agricultores. A maior parte deles fica no interior paulista, o que torna a logística para a fazenda de Avaré mais fácil. Na segunda safra, colhida neste ano, foram 28 produtores, incluindo alguns de Mato Grosso do Sul e Paraná. O último ciclo já garantiu o milho para as poedeiras que foram alojadas e a próxima safra deverá contar com 70 agricultores familiares.

“Em cinco anos, nossa rede de produtores de milho orgânico pode virar de 70 produtores para 500”, afirmou Barbieri. Um dos próximos passos da Raiar deve ser uma captação de instrumento de dívida no mercado de capitais - via emissão de uma CPR ou de um CRA - para financiar os pequenos produtores.

À medida em que o número de fornecedores de grãos aumentar e a demanda responder, a produção da Raiar Orgânicos poderá ser expandida, das 22 mil galinhas já alojadas para 160 mil até o fim de 2022 e para 700 mil em cinco anos. Em termos comparativos, a Mantiqueira, líder na produção de ovos do país - e que também está investindo em bem-estar animal, com a aposentaria das gaiolas no horizonte -., tem granjas com capacidade para alojar 10,5 milhões de poedeiras, ou cerca de 5% do mercado brasileiro.

Produzir ovos orgânicos, com galinhas livres para se alimentar, é só o início para Raiar. No futuro, a companhia também poderá entrar em outras proteínas. Enquanto isso não acontece, fundadores e investidores miram exemplos de modernização da cadeia do ovo em outros países.

Nos EUA, já há produtores de ovos sustentáveis na bolsa. Uma das expoentes do movimento no mercado de capitais é a Vital Farms, que produz ovos de galinhas criadas livres. Ela abriu o capital em 2020 e está avaliada em US$ 682,5 milhões.

Se os produtos da Raiar caírem mesmo no gosto do consumidor, portanto, a cesta de ovos poderá acabar no bolso de acionistas na B3.


Fonte: Valor Econômico
Autor: Luiz Henrique Mendes




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