Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
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Embarques de soja do BR devem desacelerar a partir de julho, após recorde de volume até maio
Campinas, SP, 03 de Junho de 2020 - Com quase 50 milhões de toneladas de soja já embarcadas no acumulado de 2020, o Brasil deverá ver seus embarques começando a se desacelerar a partir de julho. Segundo o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, a oferta brasileira é bastante limitada agora e o produtor que ainda possui volumes para vender tende a se retrair um pouco mais agora.

"Quem tem soja neste momento a mantém como uma reserva de capital", explica Brandalizze. "Há pouco mais de 15% para se negociar e o produtor não precisa e não quer correr pra vender agora", completa.

De acordo com o diretor da ARC Mercosul, Matheus Pereira, o Brasil tem capacidade para embarcar no presente ano comercial, que termina em 31 de janeiro de 2021, 84 milhões de toneladas de soja. "E não me surpreenderá se este volume for de 3% a 5% superior", diz.

Afinal, já são 59 milhões de toneladas comprometidas com a exportação, ou seja, grão já embarcado, em fila de embarque ou programado para chegar, o que representa um incremento para o período de 44% em relação a 2019 e de 23% se comparado a 2018, ano recorde, ainda como lembra Pereira.

Mais do que isso, o diretor da ARC complementa sua análise trazendo ainda as confusas relações entre China e Estados Unidos que, nesta semana, passam por um novo momento de escalada nas tensões. E assim, o Brasil pode se beneficiar ainda mais desse distanciamento.

"Entretanto, cabe o alerta aos nossos representantes para cativar este laço político entre Brasil e Ásia, deixando-o sólido para a manutenção do forte fluxo comercial que o agro brasileiro presencia e continuará presenciando até o fim de 2020", explica o executivo.

A imagem a seguir, da Refinitiv, mostra o fluxo de navios carregados com soja em todo mundo, onde é possível perceber que o Brasil segue mandando soja para o mundo todo. As informações datam de 1º de janeiro e mostram navios saindo do porto de Santarem com destinos como Holanda, e México, por exemplo, além do intenso movimento de cargueiros para a China.

Exportações de Soja

2020, ainda como explica Vlamir Brandalizze, foi um ano em que tudo aconteceu mais rápido e mais cedo no complexo soja do Brasil diante de todas os momentos que vieram como grandes oportunidades para o produtor brasileiro. Assim, se espera um segundo semestre onde a oferta será, de fato, mais limitada, a entressafra pode também chegar mais cedo no país, e promover algum descolamento dos preços no mercado interno.

No entanto, tanto Brandalizze, quanto Matheus Pereira não acreditam em uma falta de soja no mercado brasileiro. Ambos afirmam que a demanda interna um pouco mais lenta, sentindo sentindo os inevitáveis impactos da pandemia do novo coronavírus, deverá trazer certo equilíbrio ao mercado.

O esmagamento brasileiro de soja deve ter menos força diante de uma demanda menor pelo setor do biodiesel, por conta da baixa drástica no consumo de combustíveis. Da mesma forma, a demanda por farelo de soja também está equilibrada por conta de um menor consumo de proteínas internamente, o que vem sendo compensado pelas exportações fortes.

"A tendência é de que em novembro a indústria já comece a parar de esmagar, um pouco mais cedo por conta dessa situação. A força da exportação vai compensar uma demanda interna mais frágil. No Brasil, os impactos da pandemia na economia, do desemprego, daqui em diante, neste segundo semestre, de forma mais intensa.
(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)
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