Sábado, 11 de Julho de 2020
Saúde Pública

Investidores ampliam a pressão sobre as companhias do segmento nos EUA
São Paulo, SP, 25 de Maio de 2020 - Os investidores estão comprando uma nova briga com os maiores frigoríficos do mundo, porque o novo coronavírus está deixando milhares de trabalhadores doentes. Após problemas como o uso de antibióticos, o bem-estar animal e as mudanças climáticas, as atenções estão se voltando para as unidades de produção das empresas do segmento, que se tornaram epicentros da covid-19. Investidores que administram US$ 2,3 trilhões em ativos querem que sejam adotadas nessas unidades recomendações que protejam os funcionários e amenizem seus próprios riscos financeiros e reputação.

Os investidores estão conclamando empresas como Tyson Foods e JBS a adotarem medidas como o reforço do distanciamento social e o fornecimento de equipamentos pessoais de proteção, e pedindo que esses grupos, entre outros, desrespeitem quaisquer políticas federais ou estaduais que neguem auxílio desemprego ou ajuda aos funcionários que se recusarem a trabalhar por temerem contaminação. Todos esses pedidos constam de uma declaração do Interfaith Center on Corporate Responsibility (ICCR) assinada por mais de 100 investidores globais.

Mais de 10 mil americanos que trabalham em frigoríficos já foram infectados pela covid-19, e pelo menos 30 morreram até agora, estima o sindicato United Food and Commercial Workers International Union. As condições de fábrica - sobretudo a dificuldade em manter o distanciamento nas linhas de produção - aumentam os riscos de contágio, conforme o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês). Grandes instalações foram forçadas a fechar, prejudicando o fornecimento de carne e elevando os preços das carnes bovina e suína.
“As questões levantadas por essa declaração são temas de compromissos de longa data que não foram criados pela crise da covid-19, mas exacerbados por ela”, afirma Nadira Narine, diretora sênior do ICCR em Nova York. “As empresas são rápidas em afirmar publicamente que a saúde e a segurança de seus funcionários são uma alta prioridade, mas os trabalhadores da linha de frente do setor frigorífico dizem se sentir mais descartáveis do que essenciais.”

A pandemia chamou a atenção para as condições de trabalho nos matadouros, onde o frio, a umidade e estações de trabalho com funcionários aglomerados tornam as doenças infecciosas particularmente difíceis de serem controladas. As ocupações também são de baixos salários e os benefícios são poucos, mostrando ainda mais como a desigualdade no trabalho é uma das fissuras mais significativas colocadas em evidência pelo coronavírus. Há três semanas, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva para manter os frigoríficos operando em meio à pandemia.

Desde então, mais de uma dezena de frigoríficos voltaram a operar. Mas líderes sindicais e defensores dos trabalhadores vêm afirmando que manter a produção é algo que levará a mais contágios.

Os investidores também estão pedindo mais proteções aos trabalhadores, exigindo que as empresas forneçam mais equipamentos de proteção, incluindo “as máscaras mais eficazes disponíveis”. Os gestores de recursos também estão intercedendo para assegurar a disponibilidade de testes e reivindicando o fim do lobby pelo aumento da velocidade das linhas de produção.

“Se medidas como essas tivessem sido implementadas antes, poderiam ter resultado em números menores de produção para março e abril, mas não teríamos registrado o grande aumento no número de contágios”, diz Peter van der Werf, especialista sênior em participação da Robeco, uma firma holandesa que gerencia pouco menos de US$ 190 bilhões. Os frigoríficos provavelmente também teriam evitado o fechamento de unidades, afirma ele.

A Tyson Foods informou, em nota, que a saúde e a segurança dos membros de sua equipe é sua maior prioridade e o motivo de ter implementado medidas adicionais de proteção, protocolos e diretrizes - entre as quais a tomada de temperatura dos funcionários, a implantação de divisórias, a exigência do uso de máscaras e a designação de monitores para ajudar a fiscalizar o distanciamento social.

A JBS e sua controlada no segmento de carne de frango, a Pilgrim’s Pride, disseram que interagem e de forma transparente com os investidores e que implementaram medidas parecidas para garantir a segurança das pessoas.

A pressão dos investidores sobre os frigoríficos não é nova. Membros do ICCR interagem ativamente com os produtores há muitos anos e defendem, por exemplo, o uso de menos antibióticos. Alguns abordam bem-estar animal e gestão responsável da água. Mais recentemente, a rede FAIRR passou a pedir a redução da pegada de carbono do ramo.
(Valor Econômico) (Redação)
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