Domingo, 12 de Julho de 2020
Produção

Avicultores integrados protestam em Cianorte contra preços baixos

Integrados da Avenorte realizaram carreata reivindicando melhores preços.
Cianorte, PR, 29 de Abril de 2020 - Um grupo de 120 avicultores integrados da agroindústria Avenorte, localizada em Cianorte, região Norte do Paraná, realizou uma carreata com buzinaço, no sábado (dia 25), em frente à sede da empresa no município para protestar contra os baixos preços pagos aos produtores pelo quilo do frango. A manifestação foi organizada pela Associação dos Avicultores de Cianorte (Aavic) e pela Comissão para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadec), comitê criado junto à Avenorte justamente para equilibrar as relações entre os produtores e a agroindústria.

Segundo o coordenador da Cadec local e tesoureiro da Aavic, Diener Gonçalves de Santana, o motivo do descontentamento é o preço recebido pelo quilo do frango. “A empresa tem um peso de objetivo que é 3,350 quilos por ave e hoje a empresa paga na média R$ 0,2816 por quilo, o que dá R$ 0,94 por ave. Ocorre que o custo de produção, sem contabilizar o juro do financiamento e o valor da terra (capital imobilizado), soma R$ 0,90 centavos. Então a rentabilidade da avicultura está em torno de quatro centavos por ave”, justifica. Segundo ele, em alguns casos este valor pode aumentar, mas também há casos em que ele cai substancialmente. “Não cobre os custos de produção na avicultura”, lamenta.

O pedido dos avicultores é que a integradora corrija pelo menos o valor corroído pela inflação entre 2014 e 2019. “Nesse período foram feitos pequenos aumentos sobre o valor do quilograma [do frango], porém muito menores que a correção da inflação”, afirma Santana. Segundo ele, com a correção pretendida, o valor do quilo da ave passaria dos R$ 0,28 (em média) para R$ 0,34.

De acordo com Santana, caso não ocorra nenhum avanço os avicultores podem parar de alojar aves no próximo dia seis de maio.

Negociação

Em todo este processo, a Cadec teve atuação importante, não apenas para criar um espaço de diálogo equilibrado, mas para unir os produtores em torno de um objetivo bem definido. Soma-se a este conjunto o apoio técnico da FAEP, seja por meio da Comissão Técnica da Avicultura e do Núcleo de Cadecs do Paraná, por meio do levantamento de custos da avicultura que a Federação realiza anualmente junto a produtores e agroindústrias.

“Esse levantamento de custo da FAEP é fundamental, pois é um valor acatado pelas empresas “, observa Santana.

Além disso, na semana que antecedeu o movimento dos avicultores de Cianorte, a FAEP disponibilizou uma planilha própria para a utilização dos integrados da Avenorte. “Algumas variáveis próprias dessa integração foram trabalhadas. Com isso fica mais fácil para os produtores inserirem seus dados e observar seus custos”, afirma a médica veterinária do Departamento Técnico (Detec) do Sistema FAEP/SENAR-PR, Mariana Assolari.

Segundo ela, o papel da FAEP é ainda anterior. “Desde que a Lei da Integração foi aprovada, em 2016, a FAEP vem promovendo assembleias entre produtores para a formação de Cadecs. No ano passado, o Sindicato Rural de Cianorte promoveu um evento e o assessor jurídico do Núcleo de Cadecs do Paraná, Ruan Schwertner, palestrou sobre o tema. Esses movimentos informam os produtores sobre a importância e funcionamento das Cadecs, bem como demais instrumentos previstos na Lei”, afirma, referindo-se à Lei 13.288/2016 que instituiu diversas mudanças que tornaram mais equilibradas e transparentes as relações entre agroindústrias integradoras e produtores integrados.

Na opinião de Mariana, uma vantagem de Cianorte é o nível de organização dos produtores locais, que permite reivindicações mais racionais e objetivas. “Esses produtores e este sindicato fazem a lição de casa muito bem. Eles são organizados, têm seus números, conhecem seus dados. Quando esses avicultores fazem esse tipo de manifestação é porque estão muito bem embasados”, avalia.
(Faep ) (Redação)
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