Domingo, 24 de Maio de 2020
Produção

Indústria de carnes do Brasil precisará de mais milho importado a partir de maio
Campinas, SP, 07 de Abril de 2020 - Parte das indústrias processadoras de carnes de frango e suínos do Brasil precisará buscar mais milho no exterior a partir do mês que vem, dado o alto patamar de preços internos da principal matéria-prima do setor, estimaram a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e outros participantes do mercado.

A importação poderá ter origem na Argentina e Paraguai, tradicionais fornecedores quando a oferta aperta no Brasil, ou mesmo nos Estados Unidos.

O preço do milho no mercado físico superou 60 reais a saca de 60 kg na semana passada, maior valor nominal da história, segundo o centro de estudos Cepea, após o país começar o ano com baixos estoques depois de exportações recordes em 2019.

"Monitoramos o mercado e o termômetro nos indica necessidade de importação já em maio. A primeira safra (2019/2020) foi muito ruim por causa da seca, a oferta está baixa e os preços muito elevados", disse o presidente da ABPA, Francisco Turra.

No momento, o país colhe a primeira safra de milho, mas uma frustração pelo clima no Rio Grande do Sul ajudou a sustentar os preços no Brasil, que terá de aguardar a produção da segunda safra chegar ao mercado, somente em meados de junho --a produção do cereal de inverno é a maior do país, respondendo por 75% da colheita total, estimada em cerca de 100 milhões de toneladas.

O milho importado da Argentina e Paraguai chega a ter preços competitivos para algumas indústrias do Sul do Brasil, em relação ao produto vindo do Centro-Oeste devido ao custo de transporte, mesmo com o câmbio oscilando a níveis recordes.

A divisa norte-americana acompanha um movimento de alta global, diante de evidências crescentes de que o mundo já está em uma recessão de grande magnitude.

O dólar à vista fechou a 5,2918 reais na venda e tem oscilado perto de máximas históricas em sessões anteriores.

Turra explicou que, como as moedas da Argentina e Paraguai estão ainda mais enfraquecidas que o real em relação ao dólar, o valor do milho se manteve atrativo para o comprador brasileiro, que já importou o grão em anos anteriores.

"(Com este câmbio) é complicado importar milho dos Estados Unidos. As indústrias do Nordeste sempre precisam trazer alguns volumes de lá, nesse ano ainda não fizeram, mas esta possibilidade não está descartada para breve, principalmente se a safrinha não vier cheia."

O analista da consultoria Agrifatto, Yago Ferreira, alerta que o contrato de milho na Bolsa de Chicago atingiu 3,28 dólares por bushel nesta segunda-feira, o que, segundo ele, representa 40,60 reais por saca, valor abaixo dos 48,79 reais por saca que o cereal está sendo precificado na B3 atualmente, para entrega em maio.

"Isso por si só já justificaria o fato de que a importação deveria ser posta em pauta pelos consumidores internos", disse o analista.

Ferreira ressaltou que a segunda safra de milho do Brasil, que está no campo, só chega ao mercado em meados de junho. Ainda que a produção seja boa, deixa um hiato de oferta e demanda entre abril e maio, em algumas regiões do país com baixa oferta na primeira safra.

Em linha com as projeções do mercado, a Agrifatto espera que o país colha 73 milhões de toneladas de milho na safrinha de 2019/2020, queda de 3,31% ante a safra passada.

O agrometeorologia da Rural Clima, Marco Antônio Santos, previu na segunda-feira que uma frente fria provocará chuvas em regiões produtoras do grão da safrinha no Brasil, neste mês, que devem beneficiar as lavouras.

Sobre a importação de milho norte-americano, o analista da Agrifatto considera a hipótese factível, pois a primeira safra brasileira, provavelmente, não será suficiente para reduzir o preço interno a ponto de deixá-lo mais competitivo que o milho que está nos estoques dos EUA.

"Com o problema de demanda nos EUA (quarentena e crise do petróleo), o esmagamento de milho tende a ter uma forte redução, ou seja, abre mais espaço para (a importação do) milho norte-americano."

COMPRAS EXTERNAS

Somente no primeiro bimestre de 2020, as importações de milho do Brasil saltaram cerca de 235% em relação ao mesmo período do ano passado, para 283,73 mil toneladas, com o Paraguai respondendo quase pela totalidade do cereal importado, de acordo com dados do Ministério da Agricultura.

A JBS, detentora da Seara que atua nas áreas de aves e suínos, foi uma das companhias do setor de carnes que contribuiu para a aquisição deste montante.

A companhia disse à Reuters que negociou cerca de 100 mil toneladas de milho argentino com escala de recebimento em três cargas mensais, sendo a terceira prevista para maio de 2020.

"Os altos custos do milho brasileiro verificados nos últimos meses têm exigido a adoção de medidas alternativas de aquisição do cereal no mercado externo."

A decisão da JBS está baseada na melhor competitividade apresentada na importação do cereal argentino em relação ao custo atual do grão no Brasil, acrescentou a empresa em nota.

Além das 100 mil toneladas de milho que chegarão para a JBS até maio, outras 100 mil foram importadas pela companhia anteriormente e estavam previstas para chegarem ao país até março, disse uma fonte com conhecimento sobre o assunto sob condição de anonimato.

A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, ainda tem mantido as negociações de compra de forma regular e não houve quebra no fornecimento de insumos no Brasil, segundo manifestação da empresa na última semana.

Apesar de não ter optado pela importação neste ano, a BRF não descarta totalmente esta possibilidade, monitora constantemente as condições de preço do mercado e pode optar pelo que for mais competitivo para a empresa, disse à Reuters outra fonte que não quis se identificar.
(Reuters) (Nayara Figueiredo)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Domingo, 24/05
Sexta-Feira, 22/05
Brasil alcança abertura de 60 mercados para produtos agropecuários (16:13)
Vetanco investe em tecnologia de precisão na análise da qualidade do ovo (11:10)
Decreto vai regular normas a frigoríficos para evitar fechamentos e abates sanitários, diz ABPA (10:00)
Vibra anuncia investimentos de R$ 500 milhões em Soledade, RS (09:59)
SC seguirá protocolo nacional de orientações a frigoríficos frente à Covid-19 (09:54)
Frango/CEPEA:com exportação firme e procura elevada também no Brasil, preço interno sobe (09:11)
Preços da carne bovina recuaram no varejo (09:07)
Soja em Chicago dá continuidade às baixas, mas de forma mais limitada nesta 6ª feira (09:00)
Segunda quinzena do mês trouxe aumentos mais tímidos ao preço do suíno no mercado independente (07:39)
Export/CEPEA: exportação do agro cresce 6% no 1º quadrimestre de 2020 (07:36)
Suinocultor paulista já tem R$ 70 de prejuízo por cabeça com alta nos custos de produção e queda da demanda interna (07:35)
Suíno: animal vivo segue com valorizações (07:34)
Estoques de carne dos EUA recuam com frigoríficos fechados por coronavírus (07:31)
JBS retoma abates em unidade de Passo Fundo após surto de coronavírus (07:30)
Mercado do boi está atento ao consumo doméstico (07:29)
China paga menos pela carne bovina brasileira (07:28)
Milho: compradores e vendedores seguem afastados do mercado no Brasil nesta 5ªfeira (07:26)
Soja: Chicago fecha com mais de 1% de queda (07:25)
Quinta-Feira, 21/05
Cobb-Vantress adota biosseguridade de vanguarda na proteção à saúde das aves e dos colaboradores (12:46)
Vetanco Brasil apresenta mais um reforço na equipe de Avicultura (12:21)
FEAGRI anuncia últimas vagas para Workshop virtual para Estudos Avançados em Precisão Animal (11:56)
Suínos: com valorização do vivo maior que a dos insumos, poder de compra aumenta (09:56)
Boi: ritmo de negócios diminui, mas preço da arroba segue firme (09:54)
Após decisão do TST,JBS retoma abates de aves em Passo Fundo(RS) (09:47)
Dália inicia abastecimento de aves em planta de Encantado (RS) (09:45)
Agrotins 100% Digital apresentará palestra voltada para avicultura de precisão (09:44)
Risco de entraves em portos no radar dos exportadores (09:43)
Agronegócio responde por 70% das exportações catarinenses no primeiro quadrimestre de 2020 (08:50)
Exportações do Agro crescem 5,9% de janeiro a abril (08:10)
Mercado da soja em Chicago tem leve queda nesta 5ª feira (08:07)
Dois atores essenciais: o produtor rural e a agroindústria (07:50)
Mercado do boi e os fatores que vão direcionar a formação dos preços da arroba ao longo de 2020 (07:45)
Suíno: cotações mistas, mas animal vivo segue valorizado (07:43)
Carne bovina: média diária exportada cresceu 39,2% em maio, na comparação anual (07:41)
Mercado do boi gordo está fluindo devagar (07:39)
Milho se movimenta em campo misto no Brasil de olho na demanda e na safra (07:37)
Soja: preços no interior do Brasil sobem até 3% mesmo com novo recuo do dólar (07:35)
Quarta-Feira, 20/05
Pesquisa mostra como as indústrias de ovos, frangos e suínos sofrem os efeitos da pandemia (16:06)
Ricardo Santin assume Câmara de Aves e Suínos (15:39)
Milho: chuvas abaixo do esperado nas regiões produtoras também chama a atenção (10:50)
Frigoríficos têm vigilância ativa da Covid-19 desde antes da quarentena, afirma ABPA (09:59)
BRF lança plataforma para selecionar projetos inovadores (09:56)
China deverá ampliar importações de soja na próxima década, mas reduzir compras de carnes (09:55)
BRF fará testes em 100% dos funcionários em Concórdia (09:53)
JBS e MPT não se entendem sobre proteção de trabalhador (09:52)
Escalas de abate estão em evolução no mercado paulista do boi gordo (09:37)
Milho abre a 4ª feira subindo na B3 após novas estimativas de perda na safrinha (09:28)
Soja segue caminhando com estabilidade e com ligeiros ganhos nesta 4ª feira em Chicago (08:25)
Custos de produção de frangos de corte e de suínos disparam em abril (08:09)
Suíno: cotações voltaram a subir nesta 3ª-feira (07:51)
Boi Gordo: merfcado pressionado (07:48)
Contratos futuros do boi gordo finalizam a sessão desa 3ª com ganhos na B3 (07:47)
Mercado do milho se movimenta pouco nesta 3ª-feira no Brasil (07:32)
Soja: oferta restrita no Brasil dá suporte aos preços no mercado nacional (07:29)
Santa Catarina bate recorde na exportação de soja nos quatro primeiros meses do ano (07:27)
Terça-Feira, 19/05
COOPAVE fornece ovos para o Programa Compra Local, em PE (13:08)
FACTA abre pré-venda da 3ª edição do livro "Doenças das Aves" (10:40)
A Vetanco Brasil agora está no LinkedIn. (10:28)
Boi Gordo: exportações seguem fortes (09:43)
Milho: dólar segue interferindo nas cotações na B3 nesta 3ª feira (09:40)
China deverá receber volumes recordes de soja brasileira entre maio e julho (09:33)
Assembleia Legislativa discute fechamento de frigoríficos em Santa Catarina (09:02)
Abatedouro da JBS é interditado em SC (09:01)
Cobb-Vantress reforça ações sociais e promove solidariedade (08:04)
Segunda semana de maio de exportações de aves e suínos mostra compradores esperando a poeira baixar, segundo analista (08:02)
BRF deve retomar operações em Lajeado após acordo com MP sobre Covid-19 (07:40)
Complexo soja exporta 42% da safra até o mês de abril e bate novo recorde (07:37)
Mercado do milho no Brasil segue de olho no desenvolvimento da safrinha (07:30)
Na B3, contratos futuros para o boi gordo finalizam a sessão desta 2ª feira com desvalorizações (07:28)
Suíno: animal vivo segue com altas, mas menos expressivas que semana passada (07:24)
Frigoríficos estão relativamente bem posicionados em relação às escalas de abate (07:23)