Quinta-feira, 28 de Maio de 2020
Saúde Pública

Setores de aves e suínos do ES colocam em prática as orientações de prevenção e se organizam para continuar o abastecimento de alimentos
Santa Maria de Jetibá, ES, 01 de Abril de 2020 - A pandemia do Coronavírus (Covid-19) fez com que muitas pessoas redobrassem os cuidados com a higiene no dia a dia, o que não está sendo diferente em granjas e indústrias da avicultura e suinocultura do Espírito Santo. Desde o início do processo de contingenciamento determinado pelas autoridades federais e estaduais, a AVES e ASES passaram a auxiliar os setores avícola e suinícola do Estado.

De acordo com o diretor-executivo das duas entidades, Nélio Hand, as informações e orientações que chegam em todos os âmbitos passaram a ser analisadas e direcionadas para os segmentos de suínos, frangos e ovos, a fim de iniciar um processo consistente de proteção à produção, mas especialmente de quem está trabalhando no dia a dia desses segmentos.

“Estamos participando de comitês e grupos de acompanhamento nacionais, coordenados especialmente pela ABPA e ABCS, onde estamos auxiliando com sugestões e colhendo também informações importantes para serem passadas aos nossos setores. À medida que o assunto está evoluindo, conseguimos desenvolver materiais informativos e orientativos que foram e estão sendo transmitidos à sociedade e, especialmente, a avicultura e suinocultura capixabas”, destacou.

Uma das empresas que tem seguido à risca essas orientações é a Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi), de Santa Maria de Jetibá. Quem fala mais sobre esse trabalho que vem sendo desenvolvido desde os setores de marketing e comunicação - nas redes sociais e em diversos pontos da empresa - até os colaboradores, é o gerente regional avicultura da instituição, Altemir Jose Scardua.

“A gente tem feito ações rotineiras, monitorado a temperatura de todos colaboradores do entreposto de ovos duas vezes ao dia, deixamos as pessoas do grupo considerado de risco trabalhando em casa, monitoramos a entrada de pessoas na planta de atuação do pátio. Só podem entrar pessoas que fazem parte do negócio, como as que vem entregar ovos”, destaca o gerente.

A cooperativa também tem orientado os motoristas e está fornecendo aos mesmos materiais para higienização como álcool gel e máscaras. Além disso, o uso do álcool gel foi reforçado junto com as informações sobre sintomas que possam ser suspeitos e os atendimentos aos cooperados estão acontecendo via telefone.

“A gente vem atendendo os cooperados e obedecendo as orientações das autoridades de saúde. Estamos trabalhando junto aos cooperados a sustentabilidade e sabemos que a disciplina e o discernimento são as principais armas para superarmos esse momento”, finalizou Altemir.

Cuidado com os colaboradores que retornam de viagens
Outra empresa do setor avícola capixaba que se destaca com o trabalho de incubação de ovos e produção de frango, o Grupo Venturini, de Marechal Floriano, também tem destacado junto aos seus colaboradores a importância da higiene no dia a dia da empresa. É o que conta o gerente do incubatório da entidade, Victor Venturini.

“Para aqueles colaboradores que chegam de viagem de alguma área de risco, estamos orientando os mesmos a ficar em quarentena e aqueles funcionários do grupo de risco receberam férias”, enfatizou Victor.

Ele também ressalta que aqueles funcionários que apresentam algum sintoma da Covid-19 são encaminhados ao médico. Os colaboradores que já utilizavam álcool gel agora também estão fazendo uso das máscaras. Na parte de visitas, está tudo suspenso e os motoristas terceirizados não estão tendo contato com os profissionais do incubatório.

“O incubatório sempre trabalhou forte com a biosseguridade, as visitas técnicas que estão suspensas, independente do problema sempre são agendadas previamente, fazemos banho e trocas de roupas, usamos do álcool gel e os cuidados com os funcionários, que já eram feitos, foram redobrados e seguem as orientações das autoridades públicas de saúde”, encerrou Victor.

Atenção sanitária aumentada na produção
Na produção animal, a prevenção e proteção para com as doenças já é comum. A biosseguridade é tema constante nas granjas, que tem o objetivo primário de proteger a saúde dos animais, mas nesse momento são também úteis para proteger a saúde das pessoas. Limpeza e desinfecção, cercas e placas de restrição de acesso, e visitas são extremamente restritas às necessidades na granja, que neste momento está limitando ainda mais as entradas.

Nesse período a atenção é intensificada em locais como as granjas da Domart Alimentos, Marechal Floriano, como conta um dos proprietários da empresa, Oderli Schneider. “Estamos seguindo todos os protocolos adotados pela ABPA e pelo Ministério da Saúde. Essa parte da higienização nós já fazemos, aumentamos a atenção e redobramos as ações. Liberamos as pessoas do grupo considerado de risco e o médico especializado em medicina do trabalho, que atua na instituição, teve a sua carga horário ampliada”, destaca Oderli.

Da produção à indústria: suinocultura também fazendo sua parte
Uma das principais empresas do Estado no setor de suínos, a Cofril tem intensificado a comunicação de boas práticas por meio de cartazes em vários pontos dos locais de trabalho. Segundo o médico veterinário da instituição, Marcio Figueiredo Gonçalves, o uso do álcool gel nas dependências da empresa também foi reforçado.

Além disso, funcionários com 60 anos ou mais estão trabalhando no sistema home office, mesmo caso dos estagiários. “Na parte da recepção de mercadorias intensificamos os cuidados, desinfetando as cargas que vão para o almoxarifado. Estamos evitando aglomerações nos refeitórios e as reuniões estão sendo realizadas por telefone”, frisou Marcio.

Já na granja de suínos Pinga Fogo, em Conceição do Castelo, o proprietário Márcio Garbelotto destaca que as informações importantes sobre como lavar as mãos corretamente, quais os sintomas do Covid-19 e como se prevenir foram anexadas no mural da empresa e próximas aos pontos para lavagem das mãos.

Prevenção ampliada aos motoristas
Uma das maiores indústrias de alimentos de origem avícola do Espírito Santo, a Proteinorte Alimentos, de Linhares, também redobrou a atenção com a higiene dos colaboradores que atuam na empresa e também para aqueles que chegam as dependências da instituição.

Quem conta algumas das ações adotadas é o coordenador de Recursos Humanos, Nosde Hugo, que enfatiza que na empresa todo o dia é dia de combater o Coronavírus. “Todos os dias nossos colaboradores recebem as orientações de profissionais da própria Proteinorte que falam sobre os cuidados com o Coronavírus. Ampliamos a comunicação com murais em pontos estratégicos de acesso a fábrica”, disse Hugo.

Os colaboradores do grupo de risco foram liberadores e a equipe médica da empresa teve sua carga horária ampliada para poder atender os funcionários em casos de necessidade. O uso do álcool gel e das máscaras aumentou e a entrada de pessoas que não atuam na empresa não está sendo permitida.

Hugo enfatiza o cuidado que a instituição está tendo com os motoristas da empresa desde a chegada dos mesmo com os veículos no pátio. “Os motoristas estão recebendo kits de limpeza e são orientados a higienizar as mãos e os veículos na parte onde eles têm mais contato, como as portas, câmbio e o volante”, detalhou o coordenador de RH.

Nos refeitórios, algumas modificações também foram realizadas. “Estamos demarcando o chão para que a distância entre os colaboradores que estão na fila para pegar os alimentos seja de um metro. A disposição das cadeiras nas mesas também modificada e os horários de almoço foram diversificados para evitar aglomerações. Antes de entrar no refeitório, nossos colaboradores lavam as mãos, passam o álcool gel e só depois entram para almoçar”, encerrou Hugo.

Criação de comitês

Além de todos os cuidados seguidos por produtores e empresas, instituições como a Coopeavi e Proteinorte, de forma interna, criaram comitês para debater, diariamente, diversos assuntos e ações de prevenção ao Covid-19.

Na Coopeavi, a ideia é manter o contato e debater diversos assuntos e com auxílio da tecnologia, como destaca o gerente regional de avicultura da instituição, Altemir Jose Scardua. “Criamos o Comitê Covid-19, que é composto pelos gerentes-executivos, diretores-executivos e os gerentes de RH e logística da cooperativa. As reuniões são diárias e abordam assuntos como a segurança, cadeia de suprimentos, finanças e demandas da parte de marketing. Tudo isso via videoconferência”, conta Altemir.

Já na Proteinorte, como destacou o Coordenador de RH, Nosde Hugo, desde o início deste mês de março, a empresa montou um plano de contingência. “Desde o dia 14 de março estamos com um Comitê que inclui setores como Recursos Humanos, Segurança e Medicina do trabalho e Qualidade da empresa, onde eles levantaram as informações pertinentes e colocaram para nossos colaboradores”, finalizou Hugo.

Mais iniciativas

Com o objetivo de proteger os colaboradores, alguns produtores têm confeccionado seus próprios equipamentos de proteção individual, como as máscaras de tecido 100% algodão recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como as criadas pela senhora Maria Plaster Potratz, da Granja Avícola EP e Granjas Potratz.

Além disso, os associados também estão promovendo doações, como, por exemplo, os produtores de Santa Maria de Jetibá que estão realizando doações para a secretaria municipal de saúde e, assim, intensificando as medidas de prevenção e monitoramento da doença.
(AVES - ASES) (Assessoria de Imprensa)
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