Quinta-feira, 28 de Maio de 2020
Mercado

Início da crise puxa o preço dos alimentos, mas alta é passageira
São Paulo, SP, 31 de Março de 2020 - A mudança de hábitos provocada pela pandemia do coronavírus já elevou as cotações de alimentos neste mês, mas a pressão não deve se sustentar. Segundo economistas, março e abril serão meses de inflação um pouco mais salgada devido à “corrida” aos supermercados e farmácias. Passado o primeiro momento de aumento da demanda e sem grandes problemas nas condições de oferta, porém, os reajustes devem se normalizar. Por isso, as projeções para a variação dos índices ao consumidor neste ano continuam sendo revistas para baixo.

Divulgado ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) deixou para trás uma queda de 0,04% em fevereiro e avançou 1,24% em março, acima da mediana de 1,12% estimada por 19 analistas consultados pelo Valor Data. A inflação maior foi puxada pela parte de alimentação.

Com peso de 60% no IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) saltou 1,76% na medição atual, ante recuo de 0,55% na anterior. O principal impacto de alta veio dos alimentos processados, que registraram deflação de 1,57% em fevereiro e, agora, aumentaram 1,27%. A aceleração foi espraiada: ficaram mais caros itens como carne bovina (-8,1% para 3,3%), carne suína (-3,2% para 2,5%), farinha de milho e derivados (2,9% para 5%), açúcar refinado (1,6% para 2,4%) e queijos (1,7% para 2%), entre outros.

Ainda na parte de bens finais, os alimentos in natura avançaram de 0,5% para 7,33% na passagem mensal. Para André Braz, especialista em inflação do Ibre/FGV, os preços mais pressionados refletem a mudança de comportamento dos consumidores, que passaram a fazer mais refeições em casa devido ao confinamento imposto para conter a disseminação da covid-19.

“Essa situação força um ajuste na despensa. As pessoas compram mais para dar conta de todas as refeições, o que já cria um cenário propício para aumentos de preços”, afirma o economista.

Com algumas pessoas fazendo estoques e problemas pontuais na entrega de produtos, houve também redução na oferta, que contribuiu para a alta nos preços, diz Braz. “Não vemos mais as gôndolas tão cheias”. O resultado já apareceu Índice de Preços ao Consumidor - M (IPC-M), que cedeu de 0,21% para 0,12%, mas mostrou aceleração nos alimentos (0,28% para 0,86%).

Dentro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, a inflação de alimentos deve superar 1% este mês, estima Fábio Romão, economista da LCA Consultores, tendência que deve se repetir em abril. Em seus cálculos, o IPCA vai acelerar de 0,02% na prévia de março para 0,18% na medição fechada, e registrar alta de 0,30% em abril. “Nesses dois meses a inflação vai captar as famílias correndo para os supermercados e fazendo estoques, mas depois disso vai refluir”, avalia.

Se de um lado há pressão pontual de alimentos e produtos farmacêuticos, do outro, há uma série de vetores de alívio à inflação, que mais do que compensam o encarecimento localizado de alguns itens, aponta Romão. Como o consumo total de energia deve diminuir com o fechamento de vários estabelecimentos, é provável que a bandeira tarifária permaneça verde, o que deixa as contas livres de cobranças extras, diz ele.

Há, ainda, o impacto da paralisação da atividade nos serviços, que representam cerca de 35% do IPCA. Os preços do setor devem subir apenas 2,5% em 2020 no cenário da LCA. “O efeito líquido [do choque do coronavírus] é deflacionário. O segundo trimestre vai ser perdido em termos de atividade. Podemos ter uma pressão pontual agora, mas há uma grande ociosidade na economia do país”, resume Romão, que cortou em 0,2 ponto a estimativa para a alta do IPCA em 2020, a 2,8%. E o número tem viés de baixa.

De acordo com o boletim Focus, do Banco Central, a expectativa do consenso de mercado para a inflação oficial deste ano caiu de 3,04% para 2,94% na última semana. “Não consigo enxergar grandes problemas. A inflação está controlada e com tendência de queda”, avalia Guilherme Moreira, coordenador do IPC da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe).

Na terceira quadrissemana de março, o IPC-Fipe, que mede a variação de preços na cidade de São Paulo, aumentou 0,10%, ante 0,12% na quadrissemana anterior. A parte de alimentação acelerou de 0,29% para 0,49% na passagem semanal, com preços maiores em alimentos industrializados (0,44% para 0,55%) e itens in natura (0,77% para 1,01%).

Para Moreira, esses últimos preços estão em alta devido à sazonalidade da época. Fora isso, não há nenhum problema de abastecimento nos supermercados, e os restaurantes estão de portas fechadas, quadro que inibe repasses. No momento, ainda não é possível mensurar o impacto da crise nos preços de serviços, mas certamente o efeito é deflacionário, diz o economista. “Não tem como ver o que subiu ou caiu. Está tudo fechado. Mas o baque na economia é forte e se sobrepõe a pressões localizadas.”
(Valor Econômico) (Arícia Martins)
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