Domingo, 24 de Maio de 2020
Mercado

Varejo acusa indústria de altas abusivas
São Paulo, SP, 30 de Março de 2020 - Reajustes de até 200% afetam itens como feijão e óleo; fábricas alegam pressões de custo e Procon vai agir. Ovo também é citado.

Os supermercados afirmam que a indústria de alimentação encaminhou neste mês novas tabelas com reajustes de preços às lojas, ou tem comunicado a decisão de envia-las, num momento em que há alta de demanda por conta da epidemia da covid-19. Os aumentos envolvem itens de cesta básica, como arroz, feijão, ovos, macarrão, leite e óleo. Há pedidos de reajuste de até 200%, apurou o Valor.

Numa ação inédita, as varejistas passaram a expor publicamente a indústria em redes sociais, para informar clientes dos pedidos de reajuste, numa estratégia para tentar evitar a percepção de ser o “vilão” dos aumentos, diz uma fonte.

Fabricantes de alimentos alegam pressões de custos e problemas em safras. Ainda dizem que as negociações vêm desde o início do ano e rebatem afirmações de varejistas de que estejam querendo ganhar mais dinheiro neste momento. “Muitas cadeias tiraram suas promoções e voltaram ao preço ‘cheio’ porque não precisam de ofertas para atrair clientes, e com isso, suas margens sobem. Isso passa a percepção de que houve aumento”, diz uma fonte da indústria.

O diretor-executivo do Procon de São Paulo, Fernando Capez, informou ao Valor que o órgão vai aumentar a fiscalização nos supermercados a partir desta semana e criou uma campanha, válida a partir de hoje, para que consumidores postem em rede social fotos de produtos com preços que considerem abusivo, por meio de uma hashtag do órgão. As postagens vão nortear as fiscalizações. “Eles serão espécies de nossos fiscais à distância”, afirmou Capez.

O Valor apurou que, em algumas cidades do Sul, o Procon já começou essa fiscalização na semana passada. Nas lojas, os fiscais têm solicitado faturas com os preços de itens como carne, arroz, feijão e ovo dos três últimos meses para verificar a variação e multar, caso haja abuso, em somas que variam de R$ 20 mil a R$ 6 milhões.

Para cadeias de supermercados, não é o momento de discutir reajustes, considerando o desequilíbrio gerado na cadeia de abastecimento com a crise causada pela epidemia, que tem levado a população a comprar mais. “Não há porque reajustar ovo e óleo, por exemplo. Querem ganhar margem no volume e com novos preços”, diz o diretor de uma rede paulista.

“Alguns setores estão sofrendo altas de preços nos últimos dias. As indústrias aumentaram os valores de diversas categorias, como cereais, hortifruti, leite e ovos. [...] Estamos agindo fortemente perante esses fornecedores para que consigamos segurar ao máximo esses aumentos abusivos”, escreveu em comunicado a clientes o Grupo Muffato, quinta maior varejista de alimentos do país, com vendas anuais de R$ 7 bilhões e 62 lojas.

Outra rede de menor porte, a Bergamini Hipermercados, com duas lojas em São Paulo e R$ 600 milhões em vendas por ano, informou nas redes sociais que tem recebido reclamações de clientes sobre reajustes e que promoveu aumentos por causa de novas tabelas dos fabricantes, que buscavam corrigir valores desde janeiro.

“Com a alta inesperada da demanda, os estoques ficaram reduzidos ao mínimo desejável e para a reposição tivemos de optar entre manter a falta ou efetuar compras com novos preços. Para não faltar, optamos por renovar estoques, porém com preços reajustados”, informou a rede. Procurada, a companhia não se manifestou.

Na terça-feira, a Abras, associação dos supermercados, emitiu nota em que afirma que identificou práticas abusivas de aumento de preço em leite e queijo e comunicou a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça. Segundo uma fonte, a Abras cogitou enviar uma lista maior, incluindo arroz e feijão, mas teria identificado razões econômicas aceitáveis para a alta.

Nos últimos dias, aumentou a pressão por parte de associados para que a Abras se posicione sobre os pedidos de reajustes para itens de mercearia, apurou o Valor. A Apas, associação paulista do setor, divulgou uma nota na sexta-feira criticando os aumentos.

Os reajustes variam de acordo com a escala de compra da rede e o item negociado. Para o feijão, as solicitações de 150% a 200%, segundo duas varejistas de médio porte. A falta de chuva em áreas produtoras afeta a frutificação e floração. No campo, a alta no preço foi de 60%, informou o Valor na sexta-feira.

A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) informou que não se manifesta sobre políticas comerciais das empresas. Uma fabricante de itens congelados e laticínios disse que as companhias têm alegado maiores custos com a alta do dólar, além de safras menores que o previsto. Em geral, valorização do dólar não afeta itens como ovo ou hortaliças, por exemplo.

O Procon-SP afirma que “não é hora de aumentos” e diz que intensificará as fiscalizações após esta semana. “Focamos nos aumentos do álcool gel e máscara, mas pelo volume de reclamações com alguns alimentos, vamos fiscalizar, e se for constatado abuso, multar as redes”, afirmou Capez. Questionado sobre o que considera abuso de preço, considerando que as negociações respeitam o livre mercado, ele disse que quando o aumento supera o “bom senso ou o senso comum”. “Quando o mercado se desequilibra e a concorrência não funciona, é quando precisamos atuar. Mas não se trata de tabelar nada. Isso não existe”.
(Valor Econômico ) (Adriana Mattos )
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