Domingo, 31 de Maio de 2020
Empresas

JBS faz provisão para descontos a clientes chineses
São Paulo, 27 de Março de 2020 - A JBS provisionou em torno de R$ 200 milhões para possíveis descontos a importadores de carne bovina da China, apurou o Valor. A provisão prejudicou o resultado da operação brasileira, que teve desempenho inferior ao das concorrentes Marfrig e Minerva Foods no quarto trimestre. Procurada, a JBS não comentou.

Em janeiro, o Valor informou que pedidos massivos de descontos dos importadores chineses estavam tirando o sono de frigoríficos brasileiros - sobretudo os de médio e pequeno portes. Depois de uma euforia com preços muito altos da carne vendida à China no fim do ano passado, os frigoríficos viram os chineses pedirem descontos de até 30% sobre o valor dos produtos - em alguns casos, até para carregamentos que já estavam nos navios, a caminho.
A medida fazia parte de um esforço do governo chinês, que secou o crédito dos importadores para que a especulação com os preços da carne bovina fosse contida. Vale lembrar que os pedidos de desconto aconteceram ainda antes de o país asiático parar para combater o coronavírus.

No caso dos grandes frigoríficos, como a JBS, a avaliação é que o impacto deveria ser menor, dado o relacionamento de longo prazo existente com os consumidores chineses. A própria JBS destacou que, apesar das renegociações com os chineses, as exportações de carne bovina para a China a partir do Brasil aumentaram 61% em receita e 23% em volume.

Como a JBS é a maior fornecedora de carne bovina brasileira para a China, a avaliação é que as provisões feitas foram uma medida de precaução. Se os descontos dados forem menos expressivos que os previstos, a empresa poderia até mesmo reverter parte do montante provisionado.

Além disso, a companhia fechou em janeiro um acordo com o gigante chinês WH Group para exportar carnes ao país asiático, o que pode representar um duro golpe a alguns dos importadores que pediram descontos agressivos, sobretudo neste momento de retomada da demanda chinesa.

Como isso só vai aparecer nos balanços futuros, o que se tem, por ora, é um resultado pior. Anteontem, a JBS reportou o desempenho do quarto trimestre e as operações de carne bovina e subprodutos no Brasil tiveram a pior margem de lucro entre todas frentes de negócios da empresa. Na JBS Brasil (que reúne os frigoríficos de bovinos no país, as operações globais de couro e novos negócios como biodiesel), o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) chegou a R$ 487 milhões, com uma margem de 5,1%.

Globalmente, é preciso ponderar, a JBS Brasil não foi capaz de anular o bom desempenho da empresa, que lucrou R$ 2,5 bilhões no período. As operações nos Estados Unidos, onde a JBS concentra mais de 50% das vendas, impulsionaram o lucro. A JBS Brasil respondeu por 17% da receita líquida do grupo.

Mesmo assim, analistas questionaram a piora do desempenho da JBS Brasil, sobretudo em relação ao terceiro trimestre, em teleconferência realizada na manhã de ontem. Gilberto Tomazoni, CEO global da companhia, citou as provisões e as renegociações de contratos com os importadores chinesas, mas não revelou o impacto sobre o resultado.

Em relatório, o BTG Pactual destacou a falta de detalhamento nos resultados. Os analistas do banco destacaram que a margem Ebitda da JBS Brasil ficou abaixo da registrada pelos concorrentes - na operação da América do Sul, a Marfrig reportou 10% no quarto trimestre e a Minerva, 12,4%.

Na avaliação do BTG, o negócio de couro também pode ter derrubado o resultado da operação da JBS Brasil, mas a companhia não esclareceu. No ano passado, os preços internacionais do couro atingiram um dos piores níveis da história, prejudicando a companhia, que é a maior produtora global de couro bovino. No entanto, em entrevista ao Valor anteontem, o CEO global da JBS disse que os negócios de couro já passaram do pior momento.

Na comparação da JBS Brasil com suas concorrentes brasileiras, é preciso destacar a diferença entre as operações. Enquanto a JBS só possui abatedouros de bovinos no Brasil, a Marfrig atua também na Argentina e no Uruguai. Além desses dois países, a Minerva é forte no Paraguai e tem um abatedouro na Colômbia.

Além disso, Marfrig e Minerva não produzem couro e nem um gama de “outros negócios” tão abrangentes como são os da JBS, que vão desde biodiesel e colágeno às lojas da Swift. Outro fator é a maior concentração das vendas do negócio da operação de carne bovina local da JBS no mercado brasileiro. Marfrig e Minerva exportam mais de 60% da produção no Brasil, proporcionalmente mais que a JBS. Assim, as dificuldades no Brasil, como a resistência dos consumidores aos preços elevados da carne bovina, também podem afetar relativamente mais. Na bolsa, as ações da JBS caíram 0,82% ontem. O Ibovespa subiu 3,67%. (Colaborou Marina Salles)
(Valor Econômico) (Luiz Henrique Mendes)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Domingo, 31/05
Sexta-Feira, 29/05
Semana teve poucas alterações nos preços físico do milho (09:59)
China deixará mercado de frango dos EUA durante recuperação (09:48)
Conselho do FCO aprova R$ 146,1 milhões em investimentos em MS (09:47)
Alojamento de pintos de corte caiu menos do que o esperado pela Apinco (09:46)
Soja: mercado ainda caminha de lado na Bolsa de Chicago nesta 6ª feira (08:02)
FRANGO/CEPEA: poder de compra frente ao farelo de soja é o mais baixo em dois anos (07:53)
Preço do boi gordo teve um ganho de 1,23% nesta semana no RS (07:44)
Suíno: cotação caiu 3,4% nas granjas paulistas em uma semana (07:41)
Preços para a suinocultura independente têm leve alta ou estabilidade nesta semana (07:40)
Suínos: mês se encaminha para o final com cotações mistas (07:37)
Milho cai no mercado físico com início da colheita, mas sobe na B3 (07:28)
Soja em Chicago pode mudar patamar de preços com influência do mercado climático nos EUA a partir de junho (07:21)
Produtores de soja tiveram 1º quadrimestre com resultado financeiro positivo (07:19)
Quinta-Feira, 28/05
Por um país mais cooperativo, por Francisco Turra (10:17)
Milho começa a 5ª feira subindo na B3 e em Chicago (09:35)
Frigoríficos temem perder mercado após interdições por Covid-19 (09:30)
BRF busca manter oferta ajustada às curvas da demanda (09:19)
Frango Americano projeta crescimento de 30% com apoio do Governo do Tocantins (09:18)
Pandemia já afeta produção de carne bovina (09:15)
Pela primeira vez, produção global de carne de frango deve ser maior que a de proteína suína (09:11)
Aviagen Brasil mostra espírito solidário com doações no interior de São Paulo (09:04)
Soja caminha de lado em Chicago nesta 5ª feira (08:32)
Suínos: vendas aumentam e elevam preços em maio (08:15)
Boi Gordo: mercado externo aquecido e menor oferta interna sustentam preços (08:13)
Indústrias estão oferecendo mais pela arroba do boi gordo (08:10)
Milho cai no mercado físico e na B3 seguindo baixa do dólar (08:03)
Soja brasileira está US$0,10/bushel mais cara que a americana (08:00)
Quarta-Feira, 27/05
Sindirações lança guia de boas práticas na indústria de alimentação animal para o enfrentamento da Covid-19 (15:23)
Milho: 4ª feira começa com resultados em campo misto na B3 (09:29)
PIB agropecuário crescerá até 2,5%,diz Ipea (09:13)
Mais proteína na cesta básica (09:12)
Soja em Chicago dá continuidade às últimas altas e segue em campo positivo nesta 4ª feira (08:50)
Agroindústrias de SC doam R$ 35 milhões para o combate à pandemia (08:24)
Ministra destaca trabalho do Mapa para garantir abastecimento durante a pandemia (08:21)
Suínos: cotações começam a ceder, principalmente para animal vivo (08:12)
Milho cai no mercado físico e na B3 nesta 3ª feira (08:10)
Boi: vencimentos futuros finalizam a 3ª feira com leves baixas na B3 (08:08)
Boi Gordo registra pouca oferta de boiadas e sem progresso nas escalas de abate (08:06)
Mercado climático pode fazer soja em Chicago buscar os US$ 9,00/bushel (08:00)
USDA: plantios de soja e milho avançam bem nos EUA e ficam dentro das expectativas (07:55)
Senado aprova prorrogação de vencimento de dívidas rurais (07:51)
Operações de embarque de grãos em berço de Paranaguá param após caso de Covid-19 (07:49)
Terça-Feira, 26/05
ACAV reitera compromisso firmado com o governo de SC em busca de soluções adequadas ao Estado (10:17)
Maioria dos funcionários da BRF volta ao trabalho em SC (08:49)
Empresários preveem que oferta de produtos agrícolas será mantida (08:48)
Preços do milho andam de lado no mercado brasileiro (08:37)
Soja sobe em Chicago nesta 3ª feira, retomando negócios pós feriado nos EUA em campo positivo (08:36)
CNA e FEBRABAN discutem medidas estruturantes para o Agro (08:31)
Suíno: cotações mistas e altas mais discretas nesta segunda-feira (08:26)
Exportação de suínos deve ser recorde em maio; no caso das aves, preços vêm caindo (08:24)
Mais de 93% dos trabalhadores da BRF em Concórdia/SC voltam ao trabalho (08:18)
Em SP, antecipação do feriado deixou mercado do boi calmo (08:09)
Contratos futuros do boi finalizam a sessão desta 2ª feira sem grandes movimentações na B3 (08:07)
Média diária exportada de carne bovina in natura teve um aumento de 34,54% frente ao ano passado (08:06)
Milho se movimenta pouco no mercado físico brasileiro (08:05)
Soja: semana começa com foco do produtor nos prêmios diante da pressão do dólar e de Chicago (08:00)
Exportação de soja do Brasil alcança 12,2 mi t no mês e já supera maio de 2019 (07:50)