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Domingo, 05 de Abril de 2020
Matérias-Primas

China começa a ampliar suas importações de grãos
Genebra e São Paulo, 26 de Março de 2020 - A China voltou ao mercado e está importando grandes volumes de soja, milho e trigo na esteira da redução das restrições que havia aplicado por causa do coronavírus.

Segundo Michel Portier, diretor-geral da Agritel, consultoria com foco no setor agrícola sediada em Paris e com escritórios na China e na Ucrânia, as atividades portuárias foram retomadas no país asiático.

Havia um número enorme de navios carregados, em pleno mar, esperando para desembarcar commodities, o que, de acordo com ele, enfim está acontecendo. Mas Portier observou que o aumento das importações também é motivado pelo temor de Pequim de que portos em Brasil e Argentina sejam fechados com o avanço do vírus.

O especialista confirmou que os chineses voltaram a comprar mais soja dos EUA, em parte por causa do acordo com o presidente Donald Trump pelo qual Pequim se comprometeu a comprar adicionalmente US$ 12,5 bilhões de produtos agrícolas americanos no primeiro ano e US$ 19,5 bilhões a mais no segundo ano, em comparação com os níveis de 2017. E que isso tem ajudado a sustentar as cotações na bolsa de Chicago, apesar da leve queda de ontem.

Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a China vai importar 88 milhões de toneladas de soja em grão nesta safra 2019/20 - de setembro de 2019 ao próximo mês de agosto -, 5,5 milhões a mais que em 2018/19.

A Agritel credita parte desse aumento à tendência de avanço da demanda por rações na China em virtude da recomposição do plantel de porcos do país, que sofreu duras baixas por causa da peste suína africana.

Já os EUA, também segundo o USDA, deverão exportar quase 50 milhões de toneladas de soja, ao passo que os embarques do Brasil estão projetados pelo órgão em 77 milhões de toneladas.

Os chineses também estão comprando milho dos EUA, enquanto as compras de trigo continuam concentradas na França - os produtores franceses esperam exportar 1,5 milhão de toneladas. “A China foi o primeiro país afetado pelo surto, e o primeiro a sair”, afirmou Portier. “Agora é ver o que vai acontecer nos EUA e no Brasil”.

No primeiro bimestre, as importações chinesas de soja somaram 13,5 milhões de toneladas, segundo dados da alfândega do país. Em relação ao mesmo período de 2019, houve incremento de 14,2%.

Dentre os derivados da oleaginosa, a China comprou 110 mil toneladas de óleo no período, com queda de 13,4% na comparação anual. As importações de milho chegaram a 930 mil toneladas, alta de 64,7%, e no caso do trigo houve retração de 8,9% na comparação, para 680 mil toneladas.

A alfândega também informou que a China importou 410 mil toneladas de algodão, queda de 19%.
(Valor Econômico) (Assis Moreira e Fernanda Pressinott)
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