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Domingo, 05 de Abril de 2020
Empresas

JBS mantém empregos e investimentos no Brasil
São Paulo, SP, 26 de Março de 2020 - Na maior empresa privada não financeira do Brasil, a ordem é preservar todos os empregos e seguir em frente com o pacote multibilionário de investimentos. Em entrevista concedida ontem ao Valor, o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou que a companhia mantém todas as operações em funcionamento para garantir o abastecimento de carnes em meio ao avanço da covid-19.

“Estamos assumindo o compromisso de manter os empregos e somos relevantes”, ressaltou o executivo. No mundo, a JBS emprega mais de 240 mil pessoas. Apenas no Brasil, o número de funcionários é da ordem de 120 mil. Considerando empregos indiretos, o grupo contribui com mais de 400 mil vagas no país.

Tomazoni reconhece que a JBS está em uma posição privilegiada - ontem, a companhia reportou o melhor resultado da história, com lucro de mais de R$ 6 bilhões em 2019. “Sinto orgulho de que a nossa indústria pode fazer isso”, afirmou o executivo, ressaltando que a empresa adotou uma série de medidas para proteger os funcionários. Com operações nos quatro cantos do mundo, a JBS está em países como a Itália, onde a pandemia do coronavírus já fez mais de 7,5 mil mortos, e Reino Unidos, que está em quarentena. EUA e Brasil, que lidam com a rápida propagação da doença, são as principais plataformas de produção do grupo.


Entre as medidas para proteger os funcionários, Tomazoni mencionou a ampliação da frota de ônibus que transporta os trabalhadores no Brasil. Para aumentar a distância entre os empregados, a empresa dobrou o número dos veículos que fazem o transporte coletivo. Os tradicionais jogos de baralho e dominó, que fazem o lazer dos trabalhadores nas pausas para refeição e descanso, forram suspensas com o mesmo objetivo, acrescentou o executivo.

Financeiramente, a JBS nunca esteve tão bem para atravessar a turbulência e, ao mesmo tempo, manter os investimentos. No balanço divulgado na noite de ontem, a companhia mostrou que, em 31 de dezembro, tinha disponíveis US$ 4,5 bilhões (incluindo recursos do caixa de uma linha de crédito rotativo nos EUA). No ano passado, a companhia alongou o perfil de vencimento das dívidas, emitindo títulos no exterior ao mesmo tempo em que quitava empréstimos mais caros com bancos. No fim de 2019, a companhia possuía recursos para honrar com as amortizações por seis anos e meio.

Além disso, do endividamento de R$ 53 bilhões que a empresa brasileira tinha em 31 de dezembro, somente 3,9% vencia no curto prazo (em até um ano). O índice de alavancagem, que mede a relação entre a dívida líquida e Ebitda, estava em 2,16 vezes - o menor patamar dos últimos anos.

Ao Valor, o vice-presidente de finanças e de relações com investidores da JBS, Guilherme Cavalcanti, acrescentou que, mesmo sem a necessidade de recursos, o grupo decidiu ampliar ainda mais o confortável colchão de liquidez que possui como uma medida de precaução. Segundo ele, a empresa tomou linhas de créditos disponíveis junto a bancos no Brasil e no exterior.

Cavalcanti não revelou quanto a JBS tomou em linhas de créditos no primeiro trimestre, mas disse que a empresa tem disponíveis atualmente mais recursos do que no fim do ano. Isso mesmo quando considerado que o primeiro trimestre é um período de maior consumo de caixa, frisou. “Todo mundo está sendo mais prevenido. As agências de rating nem consideram incremento de dívida bruta a tomada de linhas de crédito para deixar o caixa mais seguro”, ressaltou o vice-presidente da JBS.

Com a liquidez garantida, a empresa não fez qualquer alteração no ritmo de investimentos. No Brasil, a JBS anunciou no ano passado o maior pacote de investimentos da história. Ao todo, serão R$ 8 bilhões em cinco anos. Incluindo o que será aplicado pelos produtores integrados de frangos e suínos, o montante chega a R$ 13 bilhões. A estimativa da JBS é que os investimentos no Brasil gerem 25 mil empregos diretos.

Em meio à urgência de combater o coronavírus, o desempenho da JBS em 2019 acabou ofuscado. Além do lucro líquido recorde, a companhia ultrapassou, pela primeira vez, a marca dos R$ 200 bilhões em receita líquida. Embora não seja o hora para celebrações, esse resultado dá sustentação para o grupo atravessara a maré adversa. “Quando vem uma crise dessas, o tamanho do navio e o número de horas do comandante faz toda a diferença”, afirmou Tomazoni.
(Valor Econômico) (Luiz Henrique Mendes)
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