Sábado, 04 de Abril de 2020
Matérias-Primas

Brasil já tem contratadas 23 milhões de toneladas de soja para exportar entre março e abril
Campinas, SP, 25 de Março de 2020 - O mercado brasileiro da soja atuou de forma um pouco mais tímida nesta terça-feira (24) e encerra o dia com suas referências, praticamente, inalteradas diante de uma estabilidade na conclusão dos negócios na Bolsa de Chicago e da baixa do dólar frente ao real.

Na conclusão do dia, o produto no disponível fechou com R$ 101,50 por saca, de referência, no porto de Paranaguá e R$ 101,00 em Rio Grande. Para abril, R$ 100,50 e R$ 100,00 por saca, respectivamente. No porto de São Francisco, o último indicativo também foi de R$ 100,00.

No interior, apesar do recuo no câmbio, algumas praças marcaram ganhos superiores a 1%, como foi o caso de Não-Me-Toque e Panambi, no Rio Grande do Sul, com os preços chegando a R$ 88,00 e R$ 89,04 por saca, ou de 2,15% em Castro, no Paranám para R$ 95,00.

O mercado nacional não sobe motivado apenas pela vantagem cambial, mas também pela demanda intensa pela soja brasileira, tanto internamente, quanto para exportação.

"O dólar acima dos R$ 5,00 favorece as negociações e há uma corrida de vendas, com os preços batendo recordes essa semana. Foi negociada soja acima dos R$ 102,00 e o mercado segue muito comprador. E as projeções para abril são de recordes também em abril e maio", explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting.

Com isso, a comercialização chega a quase 70% da safra atual e indo para 30% para a safra nova, liderada pelo Mato Grosso, que tem 45% de comprometimento - e alguns produtores do estado já tendo vendido até 50% da safra 2020/21, ainda como explica Brandalizze.

"E nos melhores momentos, a soja da safra nova foi negociada até a R$ 100,00, R$ 101,00 por saca. Nessa semana, os indicativos variam de R$ 96,00 a R$ 98,00. Nesses níveis, as relações de troca estavam bastante favoráveis com insumos e o ritmo dos negócios seguem fortes, mesmo com o coronavírus. O mercado não pode parar, o produtor tem que se preparar para a safra, e vem aí uma safra de grande potencial pela frente, devemos plantar mais, o mundo precisa de mais soja para 2021", diz o consultor.

Mais do que isso, Vlamir Brandalizze afirma que o mercado está ainda mais atento ao consumo mundial de alimentos. "Com a pandemia, as pessoas estão comendo mais, e o mundo vai precisar de mais alimento", diz.

BOLSA DE CHICAGO

Na Bolsa de Chicago, os futuros da soja terminaram o pregão com pequenas altas de 1,75 a 3 pontos nos principais vencimentos, com o o maio valendo US$ 8,86 e o julho, US$ 8,87 por bushel.
(Notícias Agrícolas) (Aleksander Horta e Carla Mendes)
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