Domingo, 12 de Julho de 2020
Matérias-Primas

Mercado de grãos segue atento à disseminação do coronavírus
São Paulo, SP, 23 de Março de 2020 - Investidores do mercado futuro de soja, milho e trigo na Bolsa de Chicago (CBOT) começam a semana atentos à disseminação do coronavírus, à logística na América do Sul e ao desempenho dos demais mercados. Nesta segunda-feira, o impacto das medidas de isolamento adotadas pelos governos pelo mundo e a votação do pacote de resgate dos EUA no Congresso norte-americano devem influenciar o comportamento dos ativos financeiros. A demanda chinesa por grãos norte-americano também volta ao radar, após a China ter anunciado compras de milho e trigo nos Estados Unidos no fim da semana passada.

Os futuros de soja terminaram em alta na sexta-feira com a expectativa de demanda chinesa pelo grão norte-americano. O vencimento maio subiu 19,25 cents (2,28%), para US$ 8,6250 por bushel. Na semana, a oleaginosa registrou ganho de 1,62%. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou na sexta-feira que exportadores relataram vendas de 110 mil toneladas de soja para destinos não revelados. Traders acreditam, porém, que essas vendas tenham sido para a China.

Também na sexta-feira o USDA confirmou que a China comprou milho e trigo norte-americanos. "É um sinal de que os canais de negócios começam a se abrir. A demanda mundial, mesmo com o coronavírus, segue aquecida", disse o consultor Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. No domingo, em entrevista coletiva, o presidente dos EUA, Donald Trump, destacou que a China adquiriu recentemente produtos agropecuários norte-americanos. Em relatório, a corretora Labhoro disse que, após as compras chinesas tão aguardadas da sexta-feira, não há mais informações sobre outras aquisições de commodities agrícolas, mas especula-se que devam ocorrer nesta semana.

Segundo o analista Michael McDougall, da Paragon, "os mercados finalmente estão vendo algum interesse chinês, e há preocupações crescentes com a logística (o que talvez possa explicar o interesse chinês também)". Ele observou, no entanto, que a alta parece ser uma correção e que apenas condições climáticas desfavoráveis ao plantio nos EUA ou uma piora da situação nos portos da América do Sul vão animar mais o mercado.

Terminais portuários na localidade de Timbúes, na província de Santa Fé, na Argentina, paralisaram atividades para conter o avanço do coronavírus. A medida deve se estender até o começo de abril. Há temores de que isso resulte em menor oferta de farelo de soja, já que a Argentina é o maior exportador mundial do derivado. No Brasil, os maiores portos de exportação de soja e milho ampliaram ações de combate ao coronavírus, mas garantem que isso não afetará o carregamento de grãos neste período de safra. Contudo, os estivadores no Porto de Santos decidirão nesta segunda-feira se vão paralisar ou não atividades para se proteger diante da pandemia.

Por enquanto, os embarques transcorrem normalmente no Brasil. O fechamento de novos negócios, entretanto, perdeu força na sexta-feira com o recuo do dólar - a moeda norte-americana terminou em queda de 1,48%, a R$ 5,0267. Na semana, contudo, acumulou valorização de 4,37%.

O milho fechou em baixa na sexta-feira em Chicago, apesar de fortes vendas do grão norte-americano para a China. Segundo o USDA, exportadores relataram vendas de 756 mil toneladas de milho para o país asiático. Traders explicaram que os preços caíram porque a expectativa de uma compra chinesa volumosa já tinha sido precificada na sessão anterior. A alta de quinta-feira pode ter sido motivada em parte por essa expectativa, e também por um movimento de cobertura de posições vendidas, disse Terry Reilly, da Futures International. O vencimento maio do grão recuou 1,75 cent (0,51%) na sexta, para US$ 3,4375 por bushel. Na semana, a queda foi de 6,02%.

Também pesou sobre o mercado o recuo do petróleo, que diminui a competitividade relativa do etanol. A queda recente do petróleo, por causa da guerra de preços entre Arábia Saudita e Rússia e restrições a viagens impostas por governos diante do avanço do coronavírus, está reduzindo as margens de fabricantes de etanol nos EUA, que estão cortando ou interrompendo a produção.

Os futuros de trigo negociados na CBOT fecharam em alta na sexta-feira, após o governo dos Estados Unidos informar que exportadores do país venderam 340 mil toneladas de trigo duro vermelho de inverno para a China. Além disso, a demanda por alimentos à base de trigo em decorrência da pandemia de coronavírus favorece os preços do grão. "A ideia de que demanda por produtos como farinha e massa pode aumentar nas áreas afetadas pelo vírus já é uma realidade visível para clientes em lojas", disse a analista do Commerzbank Michaela Helbing-Kuhl. Na CBOT, o vencimento maio do trigo avançou 4,25 cents (0,79%) e fechou em US$ 5,3925 por bushel. Na semana, acumulou ganho de 6,57%.
(Estadão Conteúdo) (Redação)
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