Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020
Mercado

Campanha na Europa defende a cobrança de nova taxa sobre carnes

Ganha força na Holanda e em outros países plano para motivar alta de preços e queda do consumo.
Genebra, Suíça, 11 de Fevereiro de 2020 - Uma nova campanha na Europa defende a introdução de uma “taxa de sustentabilidade” sobre as carnes, para incluir o custo ambiental dos produtos e reduzir o consumo. O movimento tem todos os ingredientes para preocupar o Brasil, que lidera as exportações mundiais de carnes bovina e de frango.

Um grupo de 30 organizações holandesas, reunidas na “Coalizão por um preço justo de proteínas animais'” (TAPCC, na sigla em inglês), defende a incorporação de custos externos da produção no preço das carnes, alegando pressões exercidas pela pecuária sobre os recursos naturais e riscos de doenças.

“Os europeus consomem 50% mais de carnes do que é recomendado”, disse Jeroom Remmers, diretor da coalizão, ao Valor. “Nossa campanha não é contra a carne brasileira, e sim para impor taxas sobre carnes de qualquer origem, em proveito de um maior consumo de proteínas vegetais”, afirmou.

O plano, apresentado na semana passada a deputados no Parlamento Europeu, sugere um alinhamento da indústria de carnes com o “Green Deal” que a nova Comissão Europeia, braço executivo da UE, prepara para tornar o bloco neutro em emissões até 2050.

A TAPPC preconiza a aplicação de diferentes taxas a partir de 2022 conforme o tipo de carne e seu impacto sobre o ambiente. Baseado em dados da Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) sobre o consumo europeu, a coalizão propõe aumentos de 47% sobre 100 gramas de carne bovina, 36% por 100 gramas de carne suína e 17% por 100 gramas de carne de frango.

No caso da carne bovina, o preço aumentaria € 4,77 euros por quilo vendido nos supermercados até 2030. A avaliação é que a taxação gradual poderia reduzir em 67% o consumo de carne bovina em dez anos, em 57% o consumo da carne suína e em 30% no caso da carne de frango. Para se ter uma ideia do impacto sobre as vendas do Brasil, basta ver que os países do Mercosul são os principais fornecedores de carnes ao mercado comum europeu.

A coalizão calcula que a taxação poderia gerar € 32 bilhões até 2030. Metade desse montante seria distribuída aos criadores para financiar a conversão da produção, investimentos em bem-estar animal ou programa de estocagem de carbono nos solos. Um terço serviria para baixar a TVA (imposto sobre valor agregado) sobre frutas, legumes e outros vegetais. E 12% do total financiaria programas de ajuda em países em desenvolvimento, incluindo proteção de florestas.

Atualmente, segundo Remmers, 80% da terra é usada para alimentação animal, aumentando emissões, poluição e perda de biodiversidade. Cada europeu consumiu 69,3 quilos de carnes em 2018, segundo dados citados pela coalizão. Isso quando estudos sugerem que o consumo per capita deveria variar entre 10 e 15 quilos por ano.

A FAO estima que em vários países existe uma desconexão inquietante entre o preço dos alimentos no varejo e o verdadeiro custo de sua produção. E a consequência é um custo ambiental maior na forma de emissões de gases, poluição da água e destruição do habitat.

A coalizão holandesa coloca ênfase também no impacto do consumo sobre a saúde pública. Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu que o risco de câncer aumenta conforme a quantidade de carne consumida. O consumo diário de 50 gramas de carne processada (salsicha, presunto, carne seca etc) elevaria o risco de câncer do colorretal em 18%.

Conforme o IPPC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), uma vez evitada a carne de produtores com emissões acima da média e reduzida pela metade a ingestão de produtos de origem animal, 21 milhões de quilômetros quadrados de terras agrícolas poderiam ser liberadas. A entidade estima que produtos como carne vermelha continuam a ser os mais ineficientes em termos de emissões por quilo de proteína produzida em comparação a leite ou carne suína, por exemplo.

A campanha pela taxação da carne mostra avanços na Holanda, na Alemanha, na Dinamarca e na Suécia, segundo Remmers. “Na Holanda, 63% dos consumidores apoiam a taxação, desde que o dinheiro seja para estimular o consumo de outros produtos mais baratos”, afirmou.

Uma proposta pelo “preço justo” da carne será submetida ao Parlamento holandês pelos verdes no curto prazo. Na Alemanha, o governo discute se alinha a carne, beneficiada com TVA reduzida de 7%, a uma taxa plena de 19%. “A taxação de carnes e o menor consumo serão inevitáveis, cedo ou tarde, na Europa”, acredita Remmers.
(Valor Econômico) (Assis Moreira)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Quarta-Feira, 19/02
Katayama Alimentos é a primeira indústria brasileira a produzir ovos em grande escala com o “Certificado Ovos Livres de Antibióticos” (14:38)
Avicultores conferem as tendências dos mercados de grãos e ovos no primeiro Qualificaves de 2020 (14:34)
Milho: aos poucos os vendedores tem ofertado mais volumes (10:36)
China garantirá mais fornecimento de aves em meio a epidemia (10:30)
ABPA vai propor criação de sistema de prevenção à gripe aviária no Cone Sul (10:01)
Tocantins registrou a maior alta para o boi gordo em fevereiro (09:32)
Milho abre a quarta-feira levemente em queda na Bolsa de Chicago (08:45)
Soja em Chicago segue caminhando de lado nesta 4ª feira, Brasil ainda tem preços firmes (08:30)
Embarque da China para Brasil cai 50% (08:07)
Suíno: cotações seguem subindo (07:14)
China alerta para impacto do coronavírus sobre suprimento de frango e ovos (07:12)
Turra projeta crescimento na produção de carne suína e de frangos (07:10)
Milho sobe em Chicago nesta terça-feira (07:05)
Isenção tarifária e a redução dos fretes marítimos abrem portas para demanda chinesa sobre a soja americana (07:00)
Terça-Feira, 18/02
ABPA apoia VI AVISULAT 2020 (14:46)
APA e CDA dão oportunidade de treinamento para a habilitação de emissão de GTA durante o Congresso de Ovos (12:38)
Milho abre a 3ª feira com altas em Chicago após feriado americano (09:25)
Brasil quer criar bloco continental para defesa sanitária (08:28)
Suíno: São Paulo começa a semana com aumento no preço da arroba suína (08:18)
Soja: mercado opera em alta na Bolsa de Chicago com volta do feriado dos EUA (08:15)
Sem movimentações em Chicago, milho sobe na B3 nesta 2ª feira (08:12)
Disponibilidade ainda limitada de soja no Brasil provoca altas comedidas nos fretes (08:00)
IPPA/CEPEA: índice inicia 2020 em queda (07:50)
Segunda-Feira, 17/02
VBP terá valor recorde em 2020 (11:06)
Milho: as cotações do milho subiram de maneira nítida em todo país (10:32)
Boi: a semana anterior foi de valorização dos preços de balcão (10:27)
Ovos: preços seguem em alta; diferença entre brancos e vermelhos é a maior em 10 meses (09:25)
Milho: cotações voltam a subir na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea (09:15)
Soja: aumento da oferta e dólar forte elevam liquidez no Brasil; preços sobem (09:00)
Suínos: preço do animal vivo mostra reação; produtor independente vê cotações subirem (08:06)
China anuncia retirada de proibição de importação de frango dos EUA (08:04)
Milho tem semana de preços firmes no mercado brasileiro (08:00)
Soja fecha semana com sustentação dos preços no Brasil (07:55)
Sexta-Feira, 14/02
Sasso e Gramado Avicultura estabelecem parceria (12:29)
Agroqualitá realiza curso sobre HACCP para fábricas de ração em Chapecó (12:01)
Programa Ovos RS apresenta resultados ao Serviço Oficial (11:59)
Frango: valorização das concorrentes eleva competitividade da carne de frango (11:48)
Suíno: estabilidade nos preços nesta quinta-feira (06:24)
Valor da Produção Agropecuária para 2020 é estimado em R$ 674,10 bilhões (06:22)
Produção de ovos sobe 4,3% no 4º tri de 2019 ante 4º tri de 2018, diz IBGE (06:21)
Depois de pagar R$ 205,00/@ em SP, frigoríficos alongam escalas e reduzem ritmo de compras (06:18)
Milho fecha com mais de 1% de alta nesta 5ª feira (06:17)
Soja sobe até 2,6% no interior do Brasil com demanda e dólar ainda forte frente ao real (06:15)
CNA vai mostrar que tabelamento obrigatório do frete prejudica o setor (06:06)
Quinta-Feira, 13/02
CNA e Caixa Econômica discutem renegociação de dívidas e Crédito Rural (15:30)
FAESC apoia campanha de proteção ao agronegócio catarinense (15:27)
SBSA 2020: em debate, a inovação e o futuro da avicultura (12:54)
Luiz Carlos Giongo assume a presidência do Nucleovet (12:50)
Suínos: exportações firmes elevam preço do suíno no Brasil (12:26)
Boi: apesar da queda de 36% em janeiro, embarques à china seguem elevados (12:25)
Abate de bovinos cai e o de suínos e frangos sobe no último trimestre (12:22)
Abate de bovinos cai 1,8% no 4º trimestre de 2019 ante o 4º tri de 2018, diz IBGE (12:11)
ABPA e Apex-Brasil levam 14 agroindústrias para a Gulfood 2020 (08:45)
Soja: otimismo diminui em Chicago nesta 5ª feira com anúncio de novas mortes pelo Corona; BR mantém foco no dólar (08:12)
Exportações do agronegócio totalizam US$ 5,8 bilhões em janeiro (08:07)
Suíno: preço da arroba permanece estável acima dos R$ 100 em SP (08:00)
Milho: 4ª feira termina com altas em Chicago e no Brasil (07:55)
Soja sobe forte no Brasil com dólar em recorde histórico e 4ª feira de altas em Chicago (07:50)