Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020
Empresas

O apetite da Tyson Foods pelo Brasil
São Paulo, SP, 24 de Janeiro de 2020 - A Tyson Foods, gigante americana do setor de alimentos, vem acelerando seus planos de internacionalização nos últimos anos – em ritmo semelhante ao de concorrentes como JBS, BRF e Marfrig. Chegou a vez de o Brasil entrar no cardápio da estratégia de expansão da companhia. Neste mês, com a aquisição de 40% da divisão de alimentos do grupo brasileiro Vibra, do Rio Grande do Sul, produtora e exportadora de produtos avícolas, os americanos colocam um pé no mercado brasileiro e passam a ter acesso ao suprimento de aves no País para atender parte de suas operações globais. Além disso, existe a possibilidade de distribuição de produtos Tyson no varejo brasileiro.

Proprietária de marcas conhecidas nos Estados Unidos, muitas delas no segmento de hambúrgueres e carnes processadas, a Tyson faturou US$ 42 bilhões no ano passado e possui 121 mil empregados. Seus executivos estimam que nos próximos cinco anos 98% do crescimento do consumo de proteínas acontecerá fora dos Estados Unidos. Daí a importância de expandir as operações para mercados variados. No ano passado a Tyson Foods comprou as operações de aves na Tailândia e Europa da também brasileira BRF. Mas, ainda assim, foi um negócio fora do território doméstico. Entrar no mercado brasileiro dará mais flexibilidade à companhia. “Este investimento na Vibra nos permitirá atender clientes brasileiros e de mercados de demanda prioritária na Ásia, Europa e Oriente Médio”, disse o presidente da área internacional da Tyson Foods, Donnie King, em nota. A Tyson já esteve no Brasil com marca própria, mas não teve sucesso e vendeu as operações para a JBS por US$ 175 milhões em 2014. O investimento na Vibra representa um retorno mais seguro, dentro de uma operação já estruturada.

O economista e consultor de agronegócio Marcos Fava enxerga como positiva a chegada da Tyson Foods ao mercado brasileiro. As expectativas de crescimento da economia, aliadas à alta competitividade do setor no Brasil, são fatores preponderantes para a decisão ter sido tomada. “O Brasil é hoje o País mais competitivo no segmento de frangos. Operando por aqui, a Tyson terá mais facilidade para abastecer seus clientes em outros continentes. Eu acredito que ela também tenha interesse em ampliar a atuação no mercado brasileiro, que deve crescer cerca de 2,5%”, disse Fava. “Em que ritmo ela pretende explorar o mercado nacional é uma variável que não sabemos.”

Com sede no município gaúcho de Montenegro, a Vibra tem 4 mil funcionários e 14 unidades de produção espalhadas pelo Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. No mercado nacional atende principalmente as regiões Sul e Sudeste. Mas sua força maior está nas exportações. As vendas realizadas para cerca de 50 países contribuíram com 60% do faturamento de R$ 1,4 bilhão em 2019. A empresa gaúcha fornece anualmente cerca de 170 mil toneladas de carne de frango e pretende faturar em 2020 em torno de R$ 1,6 bilhão com abatimento de 200 mil toneladas. Hoje são abatidas cerca de 520 mil cabeças por dia. O Oriente Médio representa 50% de suas vendas externas, mas Europa e Ásia também são mercados importantes.

A relação da Vibra com a Tyson Foods não é recente. Há dois anos, ambas são parceiras em sistema de “copacking”, em que a brasileira produz e embala, por demanda, produtos com a marca Tyson, que vão para países do Oriente Médio. “Eles gostaram do nosso desempenho e forma de trabalhar e aceitaram ampliar a parceria por meio dessa operação que na prática foi uma capitalização da Vibra”, explica o CEO, Gerson Luís Muller.

Com os recursos dessa capitalização – que não tiveram os valores revelados – a Vibra poderá crescer organicamente e atingir a meta traçada para os próximos cinco anos, de aumentar em 70% o abate de aves. Muller não descarta adquirir concorrentes, mas isso não deve ocorrer de imediato. “Não é o momento de comprar. Os valores estão altos. Vamos aguardar as oportunidades surgirem.”

Para a Vibra, o negócio também possibilita acessar mais mercados consumidores por meio da estrutura comercial da Tyson Foods, além da oportunidade de absorver know how comercial, tecnológico e compartilhar escritórios mundo afora. “A Tyson fornece para redes de fast food e tem laboratórios que desenvolvem produtos específicos para seus clientes. Acho que podemos absorver conhecimento e expandir nossa área de atuação através da estrutura deles”, diz o executivo, que afirma não haver no contrato cláusula que preveja a venda da Vibra à Tyson Foods. “Se houver interesse, a gente conversa.”
(Isto É Dinheiro) (Marcelo de Paula)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Quarta-Feira, 26/02
Terça-Feira, 25/02
Segunda-Feira, 24/02
Estados Unidos reabrem mercado para carne in natura do Brasil (15:05)
Sexta-Feira, 21/02
Unidade brasileira da Vetanco realiza Convenção de Vendas 2020 (15:07)
Cadeia de frango da China se abre em meio ao caos das medidas de vírus (13:58)
Frango: apesar da fraca demanda, custo de produção elevado faz com que avicultor aumente preço (13:40)
Cotações do milho no mercado físico tem perdido força (13:30)
Milho: cotações registram leves altas em Chicago (13:25)
Soja: à espera de novas compras da China, mercado em Chicago segue estável (13:22)
Programa Ovos RS promove curso de Boas Práticas de Fabricação para Fábricas de Ração (09:33)
Boi: preços de balcão em SP giram ao redor de R$200,00/@ (09:15)
Praticamente metade da safra do milho já está colhida no RS (08:38)
Surto de vírus não mudará compromissos da China de comprar produtos dos EUA (08:37)
CNA diz que MP do Agro dá mais alternativas de financiamento e simplifica acesso ao crédito (08:26)
Suíno: animal vivo segue valorizado nas principais praças (07:55)
Mercado do boi gordo está firme (07:53)
Oferta restrita dá sustentação ao mercado de carne bovina no atacado (07:52)
Milho fecha a 5ª feira desvalorizado em Chicago após encontro do USDA (07:51)
Soja mais barata no Brasil do que nos EUA pressiona Chicago mais uma vez (07:48)
Quinta-Feira, 20/02
Exportações de genética avícola decrescem em janeiro (11:03)
Suínos: poder de compra frente ao milho é o mais baixo desde Fev/19 (10:22)
Boi: abate cai no final de 2019 e confirma baixa oferta (10:21)
Milho: Vendedores tem mostrado interesse em negociar, enquanto o comprador se abastece para os próximos dias (09:20)
Boi: A queda das cotações no mercado atacadista influenciou as tentativas de compra (09:16)
Vetanco participa do Show Rural Coopavel 2020 (09:01)
Milho abre a 5ª feira com baixas em Chicago à espera de números do USDA (09:00)
Soja recua em Chicago nesta 5ª feira (08:00)
Suíno: cotações estáveis em São Paulo; animal vivo segue valorizado nas principais praças produtoras (07:16)
APA divulga programa definitivo do Congresso de Ovos 2020 (07:01)
CNA discute impactos da reforma tributária para o Agro (06:59)
Pouco boi provoca alta significativa no Norte do país (06:55)
Milho cai em Chicago nesta 4ª feira (06:51)
Poucos negócios novos com a soja brasileira (06:48)