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Soja: enquanto negócios com os EUA só devem sair a partir de 15 de fevereiro, China compra no BR
Campinas, SP , 24 de Janeiro de 2020 - Enquanto o mercado da soja continua especulando sobre quando e se a demanda da China vai voltar efetiva e expressivamente aos Estados Unidos, a nação asiática mantém suas compras concentradas ainda no Brasil. Nesta quarta-feira (22), a nação asiática comprou mais um navio de soja brasileira e, como relata o diretor do SIMConsult, Liones Severo, "já está trabalhando para conseguir mais ofertas".

Além do mais, os negócios entre China e Estados Unidos só deverão começar a acontecer a partir de 15 de fevereiro, que é quando começa a valer o encontro entre os dois países firmado na semana passada. Consta no texto oficializado em 15 de janeiro de 2020, em Washigton, na Casa Branca:

Artigo 8.3 Entrada em Vigor e Rescisão

1. O presente acordo entra em vigor no prazo de 30 dias a contar da assinatura de ambas as partes ou a partir da data em que as partes se notificarem por escrito da conclusão do contrato de seus
respectivos procedimentos domésticos aplicáveis, o que ocorrer primeiro.

2. Qualquer uma das partes pode denunciar o presente acordo mediante notificação por escrito da denúncia
à outra parte. A rescisão entrará em vigor 60 dias após a data em que uma parte tiver desde que uma notificação por escrito à outra Parte ou em outra data que as partes possam decidir.

Acordo China x EUA - 15 de fevereiro

E Severo engrossa o coro das análises que apontam que o Brasil não perde, quando o assunto é soja, diante deste consenso entre as duas maiores economias do mundo.

"O mercado diz que o Brasil terá prejuízo porque a China irá importar 85 milhões de toneladas, segundo a estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que todos seguem cegamente. Mas, o fato é que o desempenho do processamento industrial chinês aponta para uma importação de 104 milhões de toneladas, sem considerar a reposição de estoques", explica o diretor do SIMConsult.

Ainda assim, Severo acredita que haverá uma mudança na demanda chinesa por soja, porém, sem que tire o protagonismo do Brasil como fornecedor. "Sim, vai acontecer, os chineses seguem Confúcio e não mentem para seu povo. Um governo que engana seu povo, não tem futuro". E volta a dizer que a mudança não tira exportações do Brasil. "Pelo contrário. Se não se cuidarem, vai ter escassez de tudo no Brasil", completa.

A estimativa do SIMConsult é de que as exportações brasileiras de soja somem, em 2020, 77 milhões de toneladas, sendo 62 milhões destinadas à China e 15 milhões ao restante do mundo. E números do Ministério da Agricultura chinês apontam a demanda anual do país pela oleaginosa de 110 milhões de toneladas.

"Os produtores estão muito felizes com o novo acordo comercial com a China", disse ele pelo Twitter após a assinatura da fase um. No entanto, ainda como apurou a Bloomberg, o setor parece não carregar tanta euforia, como acredita o presidente americano. Ainda assim, seu apoio ao republicando ainda parece sólido, principalmente em um ano tão importante como 2020, em que acontecem novas eleições presidenciais.

Uma delegação de produtores norte-americanos está em visita ao Mato Grosso nesta semana e quem os acompanha é o produtor rural e fundador da Aprosoja Ricardo Arioli. E Arioli ganhou de presente de um dos agricultores dos EUA um boné com os dizeres 'Trump 2020'.

"E o que isso significa? Significa que todos eles apoiam o Donald Trump para a reeleição, mesmo com todos os problemas que eles, teoricamente, estão enfrentando com a China por conta da guerra comercial. Mas eles entendem que o Trump é um homem de negócios e vai fazer tudo para a que a América volte a ser grande novamente. Eles sabem que um homem de negócios, quando faz uma proposta, sabe que nem tudo será atendido, mas têm fé de que os bons negócios estarão de volta para os produtores americanos nos próximos quatro anos", diz Arioli.

Para os chineses, acima de todas estas questões, no entanto, prevalece a segurança alimentar como prioridade. E diante do recente desgaste das relações comerciais com os EUA - que foram seus maiores fornecedores pelos últimos 18 anos antes do início da guerra comercial - a China busca consolidar essa diversificação de seus vendedores, fortalecendo laços não só com o Brasil, mas também com a Argentina, por exemplo, a Rússia e alguns países da região do Mar Negro.

"A segurança alimentar é sempre fundamental para a liderança da China, e essa guerra comercial apenas afirma a importância de se ter uma forte produção doméstica e fontes de importação diversificadas", disse à Bloomberg o analista-chefe da consultoria agrícola local Shanghai JC Intelligence Co., Li Qiang.
(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)
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