Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020
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Sócia da Tyson Foods, gaúcha Vibra prepara investimentos no país
Montenegro, RS, 23 de Janeiro de 2020 - Fortalecida pela sociedade com a Tyson Foods, maior indústria de carnes dos EUA, a avícola gaúcha Vibra pretende ampliar a produção de carne de frango em 70% até 2024. Com sede em Montenegro (RS), a dona das marcas Nat e Avia aumentará a capacidade de abate dos três frigoríficos que possui no país. Paralelamente, o grupo permanece em busca de aquisições.

Na primeira entrevista após o pontapé inicial da sociedade - a Tyson comprou 40% do capital da Vibra por um valor não revelado -, os principais executivos da empresa gaúcha ressaltaram que o dinheiro recebido da multinacional americana será usado na expansão da capacidade de abates. Se conseguir ampliar a produção em 70%, a Vibra aumentará a oferta de carne de frango das 200 mil toneladas previstas para 2020 para 340 mil toneladas ao ano.

“O capital da joint venture vai ser usado para esse crescimento orgânico. Além disso, parte dessa produção vai ser vendida para a Tyson”, afirmou o CEO da Vibra, Gerson Müller. Já neste ano, o Grupo Vibra pretende ampliar a receita líquida, que foi R$ 1,42 bilhão em 2019, para R$ 1,6 bilhão.

O acordo para a criação da joint venture, anunciado em setembro passado e aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em dezembro, foi assinado em 15 de janeiro de 2020. O negócio marca a volta da Tyson ao Brasil. Em sua incursão anterior, a americana não conseguiu estruturar um negócio de escala e acabou vendendo os ativos para ajudar a financiar uma aquisição nos EUA.

Quando saiu do Brasil, em 2014, a Tyson vendeu a operação de carne de frango que possuia à JBS, por US$ 175 milhões. Ao regressar por meio da Vibra, a multinacional terá um negócio maior, com capacidade de abate de 520 mil frangos por dia e em expansão. A Macedo, negócio da Tyson até 2014, tinha capacidade para 300 mil frangos.

De acordo com Müller, não existe previsão de compra futura do restante do capital da Vibra pela Tyson, que terá uma pessoa no conselho de administração e nenhum representante na gestão. Muller também destacou que não há previsão de que a Vibra passe a vender marcas da Tyson no Brasil.

Nas exportações, a relação com a Tyson é maior. “Já produzimos sob demanda deles para o mercado externo. Temos um acordo com eles há dois anos, por meio do qual fabricamos produtos com a marca deles para outros mercados, especialmente do Oriente Médio, para onde embarcamos griller, coxa, peito, asa sob demanda, direto para o cliente final”.

A parceria com a Vibra é estratégica para a Tyson, que no ano passado comprou os ativos da BRF na Europa e na Tailândia. “Eles precisam de matéria prima para essas operações e seremos fornecedores para a União Europeia”, disse Müller, que também citou a Keystone - comprada da Marfrig -, empresa que atua nos Estados Unidos e na Ásia.

Na avaliação do empresário, existe a possibilidade de os produtos da Vibra chegarem ao mercado externo via Tyson. “Dentro do nosso negócio tem um acordo de cooperação, em que podemos ter acesso a tecnologias que a Tyson tem. Temos disponíveis os escritórios deles para desenvolver produtos em conjuntos. Uma das coisas que queremos com a Tyson é poder agregar valor, poder fazer outras linhas de maior valor agregado, no mercado externo e também interno”, afirmou Müller.

Hoje, as exportações respondem por 60% das vendas da Vibra e o restante fica no mercado interno. O Oriente Médio responde por metade dos embarques, que também são destinados para países da Ásia e da Europa. A China responde por 10% das exportações da Vibra.

Em meio à epidemia de peste suína na China, a Vibra acredita que o mercado vai continuar aquecido em toda a Ásia. Diante disso, pediu a habilitação dos abatedouros de Itapejara do Oeste (PR) e Pato Branco (PR) para exportar à China. Atualmente, apenas o frigorífico de Sete Lagoas (MG) está autorizado a vender à China, disse o diretor de marketing e vendas da Vibra, Flávio Wallauer.

Durante a entrevista concedida ontem, em Montenegro, os executivos da companhia gaúcha também comentaram o impacto da forte alta do preço do milho, principal ingrediente da ração animal. “A gente precificou os grãos para 2020 e está adequado com o que está acontecendo. Se, por um lado, estamos comprando o milho acima dos preços que projetamos, o farelo de soja está custando abaixo da perspectiva”, ponderou o CEO da Vibra, que espera uma boa oferta de milho de inverno (safrinha).
(Valor) (Marcela Caetano)
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