Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020
Exportação

Na China, vender carne é um negócio para os gigantes?
São Paulo, SP, 23 de Janeiro de 2020 - “Ainda não conhecemos o chinês”. Dita em tom de lamento, a constatação do dono de um frigorífico brasileiro ilustra o problema dos recém-chegados ao cobiçado mercado do país asiático.

A declaração é também uma indicação de que o jogo na China pode ficar mais concentrado nos grandes frigoríficos, que têm poder de fogo para lidar com os solavancos e estão mais acostumados ao mercado do país asiático.

Para os médios frigoríficos, a montanha-russa chinesa teve início em setembro. Exultantes com a habilitação de 17 abatedouros de bovinos do Brasil, muitos correram para vender, mas se descuidaram dos riscos de crédito e negligenciaram a sabedoria milenar dos chineses no comércio.

Enquanto habilitava frigoríficos brasileiros para abastecer a demanda para o Ano Novo Chinês - que começa no sábado - e atenuar os efeitos da peste suína africana, Pequim também liberava a carne de países pouco tradicionais no comércio de carne. A Bolívia talvez seja o melhor exemplo de indústria desconhecida aberta pela China.

No processo, Pequim também derrubou o embargo sanitário de quase 20 anos que vigorava contra a carne bovina britânica. Os chineses retiraram, ainda, o embargo diplomático contra o produto canadense e ampliaram a lista de frigoríficos argentinos habilitados. Hoje, Brasil e Argentina são os principais fornecedores.

O resultado é que, poucos meses após a euforia dos empresários brasileiros, os importadores chineses impuseram descontos expressivos - de até 30% - sobre cargas de carne que estavam a caminho dos portos, deixando pouca margem de negociação aos frigoríficos.

Se os frigoríficos de médio porte tivessem ações listadas na bolsa, o estrago seria grande. Basta ver o que aconteceu ontem com os grandes ( Marfrig e Minerva), cujos papéis registraram forte baixa - para um executivo da indústria, a reação foi exagerada.

Na B3, as ações da Marfrig caíram 2% - segunda maior baixa do Ibovespa. Os papéis da JBS recuaram 0,13%, mas chegaram a cair mais ao longo do dia. No caso dessas companhias, pode haver um movimento de realização de lucros embutido. Em 2020, JBS e Marfrig acumulam alta de 16,5% e 21,5%, respectivamente. No ano passado, as duas empresas também registram forte valorização.

Na bolsa, as ações da Minerva foram as mais castigadas, o que pode estar relacionado à oferta de ações da companhia. Os papéis do grupo, que não faz parte do Ibovespa, recuaram 7,7%. Ontem, executivos da Minerva estavam em reuniões com investidores para fechar o livro para a oferta, que pode movimentar R$ 1,4 bilhão. A precificação da oferta está prevista para hoje. Segundo uma fonte, a companhia já garantiu o volume de recursos para realizar a emissão. A oferta da Minerva é coordenada pelos bancos BTG Pactual, J.P. Morgan, Morgan Stanley, Bradesco BBI, Itaú BBA e BB Investimentos.

Embora o investidor de grandes frigoríficos tenha reagido negativamente às notícias sobre as renegociações com a China, a percepção de fontes do setor é que, após o Ano Novo Chinês, serão os grandes frigoríficos os maiores beneficiados pela retomada da demanda do país asiático. Em relatório, o banco Credit Suisse fez avaliação similar.

Com acesso ao mercado chinês há anos, JBS, Marfrig e Minerva conhecem os clientes, e já passaram por outros solavancos. Em 2016, uma queda de braço com os importadores chegou a travar as vendas à China por mais de 50 dias. Com esse histórico, os grandes tinham condição de atenuar o efeito da queda sazonal da demanda que precede o Ano Novo.
(Valor) (Luiz Henrique Mendes)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Quarta-Feira, 26/02
Terça-Feira, 25/02
Segunda-Feira, 24/02
Estados Unidos reabrem mercado para carne in natura do Brasil (15:05)
Sexta-Feira, 21/02
Unidade brasileira da Vetanco realiza Convenção de Vendas 2020 (15:07)
Cadeia de frango da China se abre em meio ao caos das medidas de vírus (13:58)
Frango: apesar da fraca demanda, custo de produção elevado faz com que avicultor aumente preço (13:40)
Cotações do milho no mercado físico tem perdido força (13:30)
Milho: cotações registram leves altas em Chicago (13:25)
Soja: à espera de novas compras da China, mercado em Chicago segue estável (13:22)
Programa Ovos RS promove curso de Boas Práticas de Fabricação para Fábricas de Ração (09:33)
Boi: preços de balcão em SP giram ao redor de R$200,00/@ (09:15)
Praticamente metade da safra do milho já está colhida no RS (08:38)
Surto de vírus não mudará compromissos da China de comprar produtos dos EUA (08:37)
CNA diz que MP do Agro dá mais alternativas de financiamento e simplifica acesso ao crédito (08:26)
Suíno: animal vivo segue valorizado nas principais praças (07:55)
Mercado do boi gordo está firme (07:53)
Oferta restrita dá sustentação ao mercado de carne bovina no atacado (07:52)
Milho fecha a 5ª feira desvalorizado em Chicago após encontro do USDA (07:51)
Soja mais barata no Brasil do que nos EUA pressiona Chicago mais uma vez (07:48)
Quinta-Feira, 20/02
Exportações de genética avícola decrescem em janeiro (11:03)
Suínos: poder de compra frente ao milho é o mais baixo desde Fev/19 (10:22)
Boi: abate cai no final de 2019 e confirma baixa oferta (10:21)
Milho: Vendedores tem mostrado interesse em negociar, enquanto o comprador se abastece para os próximos dias (09:20)
Boi: A queda das cotações no mercado atacadista influenciou as tentativas de compra (09:16)
Vetanco participa do Show Rural Coopavel 2020 (09:01)
Milho abre a 5ª feira com baixas em Chicago à espera de números do USDA (09:00)
Soja recua em Chicago nesta 5ª feira (08:00)
Suíno: cotações estáveis em São Paulo; animal vivo segue valorizado nas principais praças produtoras (07:16)
APA divulga programa definitivo do Congresso de Ovos 2020 (07:01)
CNA discute impactos da reforma tributária para o Agro (06:59)
Pouco boi provoca alta significativa no Norte do país (06:55)
Milho cai em Chicago nesta 4ª feira (06:51)
Poucos negócios novos com a soja brasileira (06:48)