Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020
Mercado

Avicultura mineira recupera preços mas tem pressão de custo
Belo Horizonte, 23 de Janeiro de 2020 - A demanda mundial aquecida por proteína animal e os preços mais acessíveis que os das demais carnes podem fazer com que 2020 seja um ano mais positivo para a avicultura de Minas Gerais. Após enfrentar prejuízos em 2018, ao longo de 2019 os preços pagos pelo frango reagiram e começaram a recompor as perdas. Para este ano, é esperada manutenção dos preços em níveis lucrativos, o que será importante para a capitalização dos avicultores.

Um dos desafios, porém, será a alta dos custos, principalmente em função da menor oferta de milho. A expectativa é de que os preços do cereal se tornem mais acessíveis com a colheita da segunda safra, que chega ao mercado por volta de julho.

De acordo com o presidente da Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig), Antônio Carlos Vasconcelos Costa, em 2019, a produção de aves em Minas Gerais ficou estável, com um alojamento de 445 milhões de cabeças. A tendência para 2020 é de manutenção do plantel.

Em relação aos preços, o quilo do frango abatido chegou a um valor máximo de R$ 5,50 em 2019, o valor mínimo praticado no período foi de R$ 4,70, o que gera um preço médio de R$ 5,07. Já o quilo do frango vivo apresentou um valor máximo de R$ 3,50, o mínimo de R$ 3,00, gerando uma média de cotação para 2019 de R$ 3,20.

“Em termos de preços, o cenário ficou melhor. Vale ressaltar que 2018 foi um ano muito ruim para o setor, quando várias plantas no Brasil, cerca de 20, foram desabilitadas para exportarem para a Europa. Com isso, tivemos uma oferta muito grande no mercado interno, afetando de forma negativa os preços de venda. Foi um ano muito complicado para o setor. Tivemos reduções nos níveis de produção e de alojamentos para não trabalharmos no vermelho”.
Ainda segundo Costa, com a redução da produção, a oferta ficou mais ajustada à demanda em 2019, fazendo com que o retorno financeiro para o setor fosse melhor. “Em 2019, o mercado do frango foi melhor que em 2018, principalmente para os que vendem o frango vivo. A cotação vem se mantendo em patamares interessantes, que são suficientes para cobrir o custo de produção”, explica.
As expectativas em relação a 2020 são positivas e a tendência é de manutenção dos preços firmes. É esperado aumento do consumo, uma vez que a carne de frango tem preços mais acessíveis que as demais. Em 2019, o consumo per capita de carne de frango cresceu 2,2% no País, atingindo 42,6 quilos por habitante.

“Acredito que a produção mineira de frangos, em 2020, vai ficar estabilizada em relação a 2019. Apesar dos preços melhores pagos pelo frango, nós temos preocupação com a oferta de milho entre janeiro e junho, que deve ficar menor. No ano passado, o Brasil exportou quase 44 milhões de toneladas de milho, foi um volume recorde, e nós, provavelmente, até junho, quando vem a segunda safra de milho, teremos uma oferta limitada do cereal e preços mais elevados, o que aumenta os custos de produção”.

DEMANDA DA CHINA DEVE FAVORECER VENDAS
O aumento da demanda mundial em função da Peste Suína Africana (PSA), que já atinge 23 países asiáticos e europeus, deve manter o mercado equilibrado a ponto de sustentar os preços em patamares mais elevados do que os praticados anteriormente, o que será importante para a recuperação financeira do setor. Em 2019, Minas Gerais respondeu por cerca de 3% das exportações nacionais, com uma média de 125 mil toneladas de carne de frango exportadas.
Dentre os países que já registraram casos da PSA, a China foi um dos mais afetados, o que levou ao abate de quase 50% do plantel. Com a eliminação sanitária do rebanho de suínos, o país asiático passou a habilitar diversas plantas frigoríficas no mundo, incluindo o Brasil, o que fez com que as exportações de carnes fossem alavancadas. A demanda chinesa deve se manter aquecida em 2020, o que vai favorecer o setor avícola de Minas Gerais.

Segundo o presidente da Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig), Antônio Carlos Vasconcelos Costa, mesmo com o acordo comercial firmado entre China e Estados Unidos (EUA), no qual o país asiático se comprometeu a elevar as importações do agronegócio, as negociações de carnes devem continuar, uma vez que os EUA não possuem excedente suficiente para abastecer o mercado interno e a China.

“Em 2019, a China mudou o eixo das carnes no mundo. A perda provocada pela PSA é muito grande. Isso tem preocupado bastante em relação ao abastecimento dos mercados afetados pela doença. Houve o deslocamento dos preços mundiais para suprir o mercado, principalmente, da China, que aumentou intensamente as importações de produtos de vários países do mundo, e o Brasil vem ocupando parte do nicho de mercado, exportando as proteínas bovina, suína e de aves”, destaca.

Ainda segundo Costa, com a peste suína, em 2019, a China importou do mundo 2,108 milhões de toneladas de carnes bovina, suína e de frango, o que representa um aumento de 75% frente a 2018.
A redução do rebanho de suínos, em função da epidemia, vai contribuir para que a produção mundial de frango, pela primeira vez, supere a de carne suína. De acordo com Costa, para 2020, conforme o relatório da USDA, a expectativa é de que a produção global de carne de frango fique 4% maior, atingindo o recorde de 103,5 milhões de toneladas.

“Caso o volume seja atingido, a produção de carne de frango irá superar a produção de carne suína, que era a mais produzida. É uma informação bastante interessante, porque a proteína de suíno era a mais consumida e agora será a de frango. A posição deve ser mantida nos próximos anos. Além de já existir estudo que apontava para esta superação, o problema enfrentado pela China vai demandar, pelo menos, cinco anos para que a produção de suínos seja retomada. Além disso, todo o processo produtivo deverá ser repensado, passando de uma produção mais doméstica para mais industrial”.
(Diário do Comércio ) (Michelle Valverde)
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