Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020
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Mercado brasileiro de soja sustenta otimismo com competitividade forte e concentração da demanda; milho exige cautela
Campinas, SP, 22 de Janeiro de 2020 - Cenário é formado pelo pouco avanço nas relações comerciais entre China e EUA sobre soja, produto nacional mais barato e setor ainda comprometido para os produtores americanos. Para o milho, competitividade é maior para os EUA nas próximas 6 a 8 semanas.

O mercado brasileiro da soja sustenta otimismo pra 2020 diante do atual cenário. O produto brasileiro é hoje o mais competitivo diante dos demais exportadores e o cenário atual favorece a formação das cotações no país.

De outro lado, o mercado de milho exige cautela a monitoramento por parte do produtor brasileiro. Não só a comercialização, mas a implantação da safrinha também deve ser planejada com atenção, uma vez que as condições climáticas podem trazer alguma preocupações para o produtor do Centro-Norte do Brasil nos próximos dias.

Os dois cenários foram avaliados pelo diretor da ARC Mercosul, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta terça-feira (21), com a abordagem dos fatores a seguir.

CHINA X EUA

A fase um do acordo comercial entre China e Estados Unidos não trouxe "nenhuma relevância ou algum tipo de incentivo" aos mercado da soja norte-americana, sem trazer qualquer compromisso de volume a ser comprado pela nação asiática. E assim, a ausência da demanda chinesa no mercado dos EUA permanece pressionando as cotações.

Além disso, as autoridades da nação asiática já afirmaram mais de uma vez que farão suas compras, de forma simplificada, onde o produto estiver mais barato. "E felizmente, para os brasileiros, ainda temos uma soja bem competitiva se comparada ao Golfo dos EUA ou aos portos do Pacífico", afirma Pereira.

As tarifas ainda são pontos de desacordo entre os dois países, seguem mantidas e, nesta segunda, o secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, afirmando que as taxas poderiam não ser retiradas na segunda fase do acordo.

SUBSÍDIOS DO GOVERNO TRUMP

Complementando as preocupações do produtor americano, neste último final de semana o Secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, afirmou que os subsídios pagos em 2018 e 2019 para mitigar os prejuízos da guerra comercial não serão repetidos em 2020.

E os números mostram que o setor da soja sentiu mais do que o do milho - com a diferença dos valores pagos pelo governo em médio de US$ 1,00 por bushel para a soja, enquanto o cereal teve, US$ 0,02/bushel - o que faz com que essa mudança possa motivar o produtor americano a direcionar uma parte maior da sua área de plantio na safra 2020/21 ao cereal em detrimento da oleaginosa.

COMPETITIVIDADE DO MILHO AMERICANO

Na última sexta-feira, rumores deram conta de que a China teria comprado de dois a cinco navios de milho americano, confirmando a máxima de que suas aquisições serão feitas onde o mercado oferecer melhores condições de preços. Agora - e pelas próximas seis a oito semanas, como explica o diretor da ARC - o grão dos EUA deverá ser o mais competitivo.

"Cada vez mais eu acredito que o mercado de soja para exportação se concentra na América do Sul e o do milho na América do Norte, isso também porque o Brasil tem feito um importante trabalho de incentivar o uso doméstico do milho. Então, acredito cada vez mais nessa polarização", diz.

PRÊMIOS PARA A SOJA

A perspectiva da ARC Mercosul é de que haja uma sustentação de prêmios positivos para a soja brasileira diante desta concentração de demanda. "Continuaremos sendo os principais alvos de compra da China", explica.

COLHEITA NO BRASIL

De acordo com o levantamento da ARC Mercosul, a colheita brasileira já está concluída em 1,8% da área, contra o recorde de 5,8% do mesmo período de 2019. Apesar da diferença em relação ao ano passado, o número de 2020 fica bem acima da média dos últimos cinco anos, que é de 0,8%.

CLIMA

Os próximos dias deverão se de chuvas intensas no Centro-Norte do Brasil e podem trazer alguma preocupação para determinadas regiões.

"Os acumulados nos próximos 5 dias devem superar os 200 milímetros em algumas localidades. Tais condições podem atrapalhar o início da colheita em algumas partes do Centro-Oeste. No sul do Brasil, as chuvas mantêm um padrão mais moderado nos próximos dias", diz a ARC.
(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)
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