Quarta-feira, 15 de Julho de 2020
Bem-estar Animal

Segundo ONG, R$ 0,25 pagos a mais em lanche seriam suficientes para proporcionar melhor nível de bem-estar aos frangos
Campinas, SP, 23 de Outubro de 2019 - Pesquisa "O preço do bem-estar", promovida pela organização não-governamental Proteção Animal Mundial, é a base para campanha voltada à conscientização dos consumidores.

“Você pagaria R$ 0,25 para acabar com a crueldade com os frangos?”. É com esta pergunta que a campanha lançada pela Proteção Animal Mundial, organização não-governamental com foco em bem-estar animal, quer mostrar ao consumidor como é economicamente viável proporcionar uma vida melhor aos frangos de produção antes de virarem alimento em redes de fast food no Brasil.

Segundo explica a coordenadora de bem-estar animal da Proteção Animal Mundial no Brasil, Paola Rueda, o objetivo do alerta é que o público seja conscientizado de que a sua mudança de comportamento pode influenciar no bem-estar de milhares de animais e saiba da sua capacidade de pressão, como consumidor, para que as redes de fast food se comprometam a exigir de seus fornecedores uma criação que leve em conta o bem-estar das aves.

A pesquisa, realizada em parceria com a consultoria internacional IHS Markit, toma como base estudo comparativo de custos de criação de frangos no Brasil, que analisou os custos fixos e variáveis de diferentes sanduíches e outros produtos de frango, como nuggets. Foram considerados também a margem de lucro das empresas e os impostos embutidos no custo final ao consumidor. Em geral, a carne de frango representa entre 8% e 11% do custo total do produto, o que comprovaria que animais criados com alto nível de bem-estar não aumentam significativamente o custo do alimento.

Paola explica ainda que a produção com menos sofrimento é economicamente sustentável e tem potencial de atingir uma grande escala caso a demanda por esse tipo de produto aumente. “A crescente preocupação dos consumidores com o sofrimento vivenciado por animais criados em sistemas industriais intensivos, bem como o surgimento de novos produtos como os hambúrgueres sem proteína animal, têm o poder de fazer as empresas mudarem seu modelo de negócio”.

Ela acrescenta que o Brasil não tem legislação específica sobre o bem-estar de animais de produção durante sua criação. “Por isso ficamos à mercê de quem compra os produtos. Quem impulsionará a mudança é quem consome”, afirma.

Quanto vale a vida de um frango?

“O preço do bem-estar” é o nome do estudo econômico comparando diferentes sistemas de produção de frango, utilizado como base para se chegar ao valor de R$ 0,25. Ele foi realizado em julho de 2019 pela Proteção Animal Mundial, em conjunto com a Universidade de Wageningen, na Holanda, líder mundial em pesquisa agropecuária.
No Brasil, a análise considerou três sistemas diferentes de criação: o sistema fechado industrial intensivo e sem luz natural e com alta lotação, o qual, apesar dos baixos níveis de bem-estar, vem crescendo no país; o sistema convencional, mais comum nas criações brasileiras; e o sistema com altos índices de bem-estar, como luz natural, mais espaço para os frangos se movimentarem e expressarem seus comportamentos naturais, entre outros.

O custo de produção por quilo da ave viva foi calculado em todos os sistemas, sendo em média R$ 2,61 para o sistema fechado, R$ 2,70 para o convencional e R$ 3,03 para o sistema com os melhores níveis de bem-estar. Ou seja, no Brasil o custo para uma criação sem crueldade com os frangos seria apenas 13,7% maior, uma diferença de R$ 0,38 por quilo de ave viva.

Diante disso, entende-se que com R$ 0,38 por quilo de ave viva seria possível que todos os produtores do Brasil adotassem soluções simples capazes de garantir uma vida sem crueldade para os frangos, como: poleiros ou plataformas adicionadas a fardos de feno ou um pouco de grãos inteiros na dieta ajudando os frangos a expressar seu comportamento natural; cama de boa qualidade e seca para banhos de areia, conforto e saúde das penas e dos pés; seis horas contínuas de escuro por dia, permitindo que as aves tenham um tempo natural de descanso; proporcionar crescimento mais lento às aves, evitando problemas de saúde causados por um crescimento rápido e não saudável; e oferecer mais espaço nas granjas, em uma densidade de no máximo 30 kg/m², reduzindo problemas locomotores nas aves.

Como é hoje

Nas granjas industriais intensivas superlotadas, cada ave vive em um espaço menor do que uma folha de papel A4, sem poder exercer nenhum comportamento natural, como: ciscar, se empoleirar, buscar alimento ou tomar banho de areia para limpar as penas.
Em apenas 42 dias, os frangos atingem seu peso de abate, enquanto que o normal seria de 52 dias. Isso causa claudicação (manqueira), dores constantes e sobrecarga no coração e pulmões. Além da genética de crescimento rápido, outra tática usada para as aves crescerem tão rapidamente é o fornecimento de luz artificial constantemente acesa, o que não permite longos períodos de descanso, aumentando o nível de estresse e causando até pânico. A falta de luz natural também diminui os comportamentos desejáveis, como ciscar e bicar.
Saiba mais em: http://chegadecrueldade.com e www.protecaoanimalmundial.org.br.
(Proteção Animal Mundial no Brasil) (Assessoria de Imprensa)
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