Quinta-feira, 28 de Maio de 2020
Mercado

As dores de crescimento da escala necessária para alimentar o Planeta
Porto Alegre (RS) , 16 de Setembro de 2019 - Bons tempos, aqueles!

Sua avó há de lembrar que, até os anos 60, a gente comprava o pão na padaria, leite e laticínios na leiteria, e produtos secos na mercearia. Legumes frescos, frutas, peixes, carnes ou aves eram coisa do mercado da praça, e só em dias especiais.

Era um sujeito só, entre a gente e o produtor, e ele tinha nome. Eram Seu Antônio, Seu Ernesto, Dona Dulce...

Nos bastidores desse comércio e bem antes disso, no finzinho do século 19, surgiam os primeiros atravessadores, organizando o transporte, achando outros fazendeiros, produtos e preços para aumentar a variedade em cada uma daquelas vendinhas. E assim, de mansinho, a distância entre produtor e consumidor foi crescendo.
Um belo dia e pufff!!!... morre o balconista. Era cada um por si, cliente versus pacote na gôndola. Nascia o supermercado.
O novo modelo foi um sucesso e simplesmente explodiu. O Reino Unido, por exemplo, precursor nessa onda, tinha 175 supermercados em 1958, e (pasmem) 1355 cinco anos depois, deixando Dulces, Ernestos e Antônios pelo caminho.
A moda começou por lá, mas pegou rápido aqui e no resto do planeta. Convenhamos, o negócio não teria êxito se não fosse prático e oferecesse produtos com preços melhores que os da vendinha.
Tomemos o caso do frango, por exemplo.
Até o fim da Segunda Guerra, o frango era raro e caro, desejo de aniversário, estrela de casamentos. Como pode ter virado refeição de domingo nos anos 60, e comida do dia-a-dia, a partir dos anos 80?
A galinha, criatura inocente, foi domesticada há 8 mil anos, e já estava pelo Mundo todo. Fácil de criar, saborosa, e com ovos de bônus, parecia um bom produto para se vender em escala. Melhor ficou quando inventaram um jeito de engordar seus filhotes mais rápido, a partir dos anos 50.
De início, o bicho foi rejeitado pelo “gosto de nada”, mas depois de ajustes na criação e muito marketing, passamos a engolir, literalmente, o frango industrializado. Deixara de ser aquele produto caro que nos esnobava na vendinha e brotou num pacote barato com etiqueta na testa, nas prateleiras dos anos 60.
Até aí, tudo bem, todos celebramos felizes e corremos juntos na direção do arco-íris.
Esse frango, criado assim há 50 anos, abatido com 40 dias em média, não é mais “produto nobre de restaurante”. Perdeu seu status.
Para ressuscitar o sabor da ave de outrora, chefs estrelados da Europa e dos Estados Unidos fazem pactos com fazendeiros e paparicam o bicho, que agora é abatido com mais de 100 dias e alimentado com sobras de legumes e verduras caríssimos dos seus restaurantes, disputando quem cria a ave mais saborosa, solta e feliz.
É o túnel do tempo, a volta do bicho no palco. E o preço? Caro.
Não há mágica; a questão é sempre escala. A criação intensiva, ração ou tipo de abate interferem no sabor do produto e trazem questões sérias sobre o tratamento dos animais, e não só.
Recentemente, descobriu-se que barcos pesqueiros tailandeses usavam mão de obra escrava para atender nossa demanda por atum, camarão e outros, a preços cada vez mais baixos.
Há duas semanas, outra publicação falava sobre uma região na Andaluzia considerada a horta orgânica da Europa, com área equivalente a 47 mil campos de futebol. Por baixo das estufas, mais denúncias de trabalho escravo.
Tratamos mal os bichos, tratamos mal a gente.
A verdade é que uma família média ocidental gastava 50% com alimentação antes de 1940. Hoje, não gasta nem 15%. Somos um Mundo com as dores do crescimento.
A escala é necessária para alimentar o planeta. Não há nada errado em dar ao consumidor um produto que quer, ao preço que pode pagar, mas a ética dos bastidores é a grande questão do futuro. Não se pode esticar a corda a ponto de não enxergarmos o outro lado, e se está destroçado.
A mesma Inglaterra que começou com a onda de supermercados lá atrás, também é precursora em redes que só compram marcas com certificações, como a que garante que um preço justo (fair trade) foi pago ao produtor, ou ainda que a marca não usa mão de obra escrava ou infantil.
E tudo começou com a dona de casa que queria frango todo dia.
Cuidado com o que deseja.
( Zero Hora) (Cristiana Beltrão)
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