Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020
Empresas

Mais carnes para o Vietnã
Belo Horizonte, MG, 12 de Agosto de 2019 - No embalo das ondas nervosas que têm movimentado o comércio internacional, com a guerra travada entre os Estados Unidos e a China, os mercados do Vietnã e alguns destinos novos nas Américas é que despontam no esforço redobrado de empresas de Minas Gerais, a exemplo da Pif Paf Alimentos e da Forno de Minas, para expandir sua presença em outras fronteiras. A Pif Paf, uma das maiores indústrias brasileiras de processamento de aves e suínos, está na etapa final de habilitação para aumentar os volumes de cortes de frango embarcados ao país da Ásia.

Há pelo menos 12 anos, a companhia mineira, que produz cerca de 22 mil toneladas por mês de carnes processadas, embutidos e massas, comercializa 2 mil toneladas por ano no Vietnã. A preferência do parceiro comercial são pés e asas, com origem na unidade fabril de Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata mineira. A companhia participa de processos para acesso também ao mercado chinês.

Édson Cavalcante, gerente de comércio exterior da Pif Paf, é enfático ao falar da importância de participar do consumo asiático, tanto assim que a empresa vende 15 mil toneladas por ano a clientes no Japão, Cingapura e Hong Kong, além do Vietnã. “Com o recente surto de peste suína, que dizimou parte dos rebanhos asiáticos, há uma demanda latente desses países em busca de proteína brasileira”, afirma Cavalcante.

De fato, o governo vietnamita admitiu em meados de maio último ter sacrificado mais de 1,2 milhão de porcos infectados com peste suína africana, enquanto o vírus se espalha pelo Sudeste da Ásia. Com 95 milhões de habitantes, o Vietnã concentra na carne de porco três quartos de todo o seu consumo da proteína. A maioria do rebanho suíno local, de 30 milhões de animais, é criada em ambiente doméstico.

Os números explicam a oportunidade aberta por uma tragédia ao Brasil e que encheram os olhos da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, durante viagem oficial de 16 dias, em maio e junho, à Ásia. À época, ela comemorou o interesse do Vietnã de importar gado em pé, frutas, soja e milho. Como nem tudo são flores, o governo vietnamita adiou, sem definir nova data, missão técnica que deveria ter chegado ao Brasil na última segunda-feira, como parte das negociações para incrementar as exportações brasileiras ao país.

O governo de Minas também buscou estreitar relações com o Vietnã durante encontro do embaixador Do Ba Khoa, em 30 de julho, com os secretários estaduais de Desenvolvimento Econômico, Vitor de Mendonça; de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ana Valentini; e de Cultura e Turismo, Marcelo Matte. As chances de a produção mineira fincar bandeira no mercado vietnamita estariam nos setores de tecnologia farmacêutica, comércio, agricultura, turismo e cultura.

A balança de comércio de Minas com o Vietnã tem apresentado saldo positivo, que, no ano passado, alcançou US$ 150,8 milhões. A quantia foi resultado de exportações de US$ 167,6 milhões e importações de US$ 16,8 milhões. Minas ocupa o quarto lugar no ranking de estados que mais exportam ao Vietnã, embarcando principalmente minério de ferro, milho e farelo de soja.
(Estado de Minas) (Marta Vieira)
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