Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
Matérias-Primas

Soja: Com boas e persistentes chuvas previstas nos EUA, mercado fecha 6ª em alta na CBOT
Campinas, SP, 17 de Junho de 2019 - O mercado da soja intensificou seu movimento de alta e terminou a última sexta-feira com altas de mais de 9 pontos na Bolsa de Chicago. Foi mais um dia de bons ganhos para a oleaginosa que segue usando de combustível o clima adverso do Corn Belt. Assim, o contrato julho terminou o dia com US$ 8,97 e o agosto superou os US$ 9,00 para terminar o pregão com US$ 9,03 por bushel.

As condições ainda são muito adversas para os trabalhos de campo e para o desenvolvimento dos trabalhos de campo nos Estados Unidos. O plantio da soja já se mostra muito atrasado em relação a 2018 e anos anteriores e, para a germinação e desenvolvimento dos campos, as próximas semanas também não deverão trazer um cenário adequado.

São esperados dias de mais chuvas em todo o cinturão produtivo, com os maiores acumulados sendo esperados para a porção leste do Corn Belt, onde estão alguns dos estados mais importantes na produção de grãos e onde o atraso na semeadura é gravíssimo.

"Há grandes acumulados previstos para o sudeste das Planícies ao leste do Meio-Oeste americano na próxima semana", diz o analista sênior do portal Farm Futures, Bryce Knorr, referindo-se ao mapa do NOAA, o serviço oficial de clima para os EUA, que traz a previsão para os próximos 7 dias.

Estados como Illinois, Indiana, Missouri, Ohio podem receber mais de 100 mm de chuvas até o dia 21 de junho. Nas Dakotas, Minnesotta, Nebraska e Iowa, os volumes podem ficar entre 25 e 50 mm no mesmo período.

A janela para o plantio da soja vai se estreitando na medida em que as chuvas impedem que o avanço dos trabalhos de campo. Os últimos dias já foram de precipitações intensas e os olhos estão todos voltados, portanto, às decisões que os produtores terão de tomar em relação à sua área.

"Eu acredito que o mercado ainda não colocou no preço todos os problemas da safra americana", disse o consultor em agronegócios Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios. "Se os mapas estiverem certos, teremos o Prevent Plant na soja e a situação fica ainda mais séria", completa.

Assim, à espera das decisões a serem tomadas pelos produtores americanos e de uma visão mais clara da nova safra de soja dos Estados Unidos - uma vez que já é sabida a severidade das perdas no milho -, o mercado vai encontrando espaço para seguir avançando.

Um novo boletim atualizado com as estimativas do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) sobre a área de plantio norte-americana chega no final do mês e será importante para ajudar no reposicionamento do mercado.

Do mesmo modo, o mercado se atenta semanalmente aos reportes de acompanhamento de safras que o USDA traz às segundas-feiras. Eles têm sido ainda mais importantes nesta temporada, detalhando os problemas estado a estado, permitindo com que os traders comecem a desenhar melhor o caminho da temporada dos EUA.

Até o último domingo (9), a área dos EUA estava somente 60% plantada, e o milho tinha o plantio concluído em 83%. "Geralmente, nesta época, o USDA já não traz mais progresso de plantio no milho porque já estaria concluído, mas na próxima segunda ainda podemos ver alguns destes números", conclui Fernandes.

"E as altas do milho vão puxar a soja", diz o consultor da Terra. "Quando acontece algo que jamais aconteceu, é impossível o mercado não reagir. Acredito que a soja esteja caminhando para seu novo caminho, acima dos US$ 9,00 na soja. Só não espero uma explosão de preços em Chicago porque a demanda nos EUA está péssima", diz.

DEMANDA

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou o cancelamento de compras de soja da China de 136 mil toneladas nos EUA da safra 2018/19. No mesmo informe, a instituição informou ainda uma nova compra da nação asiática de 130 mil toneladas da safra velha e outra, do mesmo volume, feita por destinos não revelados.

O movimento confirma que, de fato, os chineses têm buscado adiar os embarques de soja americana.

A China pediu aos Estados Unidos que adiem carregamentos de soja de julho para agosto. os embarques estavam programados para o próximo mês, porém, compradores chineses alegam que sua capacidade de armazenamento estaria limitada, segundo informa a agência de notícias Bloomberg. Fontes ligadas ao caso disseram ainda que se trata de um volume de aproximadamente 2 milhões de toneladas.

NO BRASIL

Assim, na sexta-feira, os preços da soja continuaram subindo também no mercado brasileiro. O avanço dos futuros da oleaginosa vieram, afinal, acompanhados de uma nova rodada de alta nos prêmios nos portos do Brasil. E este é um movimento que vem se mantendo nos últimos dias.

De 3 a 13 de junho, os prêmios no porto de Paranaguá, por exemplo, já registram uma alta de até 6,09%, como foi o caso da posição agosto, onde o indicativo passou de US$ 1,15 para US$ 1,22 por bushel acima da CBOT. No junho, de US$ 1,05 para US$ 1,08 com alta de 2,86% e no julho, de US$ 1,16 para US$ 1,20 com avanço de 3,45%.

As altas no mercado brasileiro foram mais expressivas, neste final de semana, no interior do país. Os ganhos passaram de 1%, principalmente nas praças, com o valor chegando aos R$ 80,00 por saca em Castro, no Paraná. Em Sorriso, Mato Grosso, o preço balcão subiu 4,92% para R$ 64,00.

No porto de Paranaguá, a soja disponível fechou com alta de 1,59% para R$ 83,30, enquanto a referência julho foi a R$ 84,00, com ganho de 1,20%. Em Rio Grande, R$ 82,50 por saca, com alta de 1,60% no disponível, e foi a R$ 83,50 no julho, subindo 1,83%.

No acumulado de 2019, os totais já exportados de soja pelo Brasil de janeiro à última semana de junho já passam de 40 milhões de toneladas, contra pouco mais de 38 milhões no mesmo período de 2018. Os números são referentes ao último boletim semanal da Secretaria de Comércio (Secex).

E os números dos line-ups no Brasil indicam, segundo explicam analistas e consultores, que os embarques seguem fortes no país, com possibilidade de o junho se encerrar com mais de 10 milhões de toneladas embarcadas este mês.

"Os movimentos seguem atrelados a entregas (de negócios firmados anteriormente) e quase não há espaço para novos negócios nas próximas quatro semanas, com os portos lotados, ou seja, não há cotas novas para embarques", explica Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting.
(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)
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