Sexta-feira, 05 de Junho de 2020
Exportação

China frustra expectativas de frigoríficos
São Paulo e Brasília, 17 de Maio de 2019 - A intenção dos exportadores brasileiros de carnes de ampliar o número de frigoríficos habilitados a vender para a China foi frustrada ontem. Após se reunir em Pequim com o ministro chinês Ni Yuefeng, da Administração Geral de Aduanas do paí s asiático, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, não conseguiu o anúncio imediato de habilitação.

A avaliação era que a necessidade de suprimento da China, sobretudo devido ao surto de peste suína africana que atinge o país, ajudaria nas negociações, que se arrastam desde a gestão do ex-ministro Blairo Maggi. Agora, há quem diga - e a ministra concorda -, que as autorizações poderão ser anunciadas somente em agosto, durante visita do presidente Jair Bolsonaro, ao país asiático. "Quem conhece os chineses diz que eles gostam de dar o presente para a autoridade maior", disse ao Valor um executivo da indústria que acompanha a comitiva da ministra.

Antes do encontro de Tereza Cristina, no entanto, os exportadores de carne bovina estavam esperançosos com o resultado de sua passagem por Pequim. Recentemente, os chineses haviam indicado ao embaixador do Brasil na China que o país asiático poderia acelerar as habilitações de frigoríficos, priorizando a autorização para aqueles que já podem exportar para a União Europeia -mercado que é considerado mais exigente do ponto de vista sanitário.

A estratégia de priorizar as unidades habilitadas para a União Europeia chegou a ser defendida publicamente pela ministra e pelo secretário de Relações Internacionais da Pasta, Orlando Ribeiro, o que provocou críticas de frigoríficos de pequeno porte, que não têm aval para exportar para o bloco europeu. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) chegou a acusar o Ministério da Agricultura de privilegiar grandes frigoríficos nas tratativas.

Em nota, o ministério informou que entregou às autoridades chinesas uma lista com os 33 abatedouros que estão autorizados a vender carne de frango ou carne bovina à UE.

Também foram entregues em Pequim outras três listas, com frigoríficos de aves, suínos e bovinos que estão autorizados a vender a outros mercados exigentes, como EUA e Japão. No caso específico dos suínos, a UE não poderia ser lastro para facilitar as habilitações pelos chineses, porque o Brasil não está autorizado a vender carne suína para o bloco.

Atualmente, há 16 abatedouros de bovinos já habilitados a exportar para a China - 33 de frangos e nove de suínos. O país asiático é o maior importador de carnes do país. No ano passado, os chineses desembolsaram US$ 2,5 bilhões com as compras de carnes brasileiras, o que representou 17% da receita de US$ 14,7 bilhões das exportações do setor, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura.

Paralelamente às listas de abatedouros que atendem mercados exigentes, o Ministério da Agricultura também se comprometeu a entregar, até a semana que vem, a lista de 78 frigoríficos que estão em processo de habitação ao mercado chinês. Essa é a lista que já vinha sendo tratada na gestão de Blairo Maggi, e inclui plantas que estão na lista europeia. No ano passado, técnicos chineses visitaram alguns desses frigoríficos para avaliar a possível habilitação, mas a missão detectou irregularidades - inclusive na resposta aos questionários da autoridade chinesa -, e pediu correções.

De acordo com o Ministério da Agricultura, os formulários preenchidos pelas empresas brasileiras estão sendo revisados no Brasil antes de serem entregues. A expectativa da Pasta é que os 78 frigoríficos possam ser habilitados, mas o número é considerado quase impossível por fontes que acompanham as tratativas.

"Estamos preparados para ampliar a nossa oferta de proteína animal com qualidade ao mercado chinês sem deixar de cumprir os requisitos sanitários previstos no nosso protocolo bilateral", afirmou Tereza Cristina em um comunicado oficial.

Nas negociações, o ministério também avalia ter avançado no estabelecimento de um protocolo mais claro para o processo de habilitação. O Brasil quer que a China adote o sistema de "pré-listagem". Nesse sistema, é o ministério que indicará às autoridades do país asiático a lista de abatedouros que seguem as normais sanitárias e que, portanto, estão automaticamente autorizados a vender à China. No atual sistema, o país asiático faz as habilitações unidade por unidade, o que torna o processo mais moroso. De acordo com uma fonte do governo que participou das conversas em Pequim, a China recebeu bem o pedido brasileiro para a "pré-listagem".

Para atender aos pedidos brasileiros, Pequim indicou contrapartidas, entre as quais a habilitação de estabelecimentos exportadores de pescados do país, que é o maior produtor global. Outro pedido diz respeito ao apoio do Brasil ao candidato chinês - o vice-ministro da Agricultura, Qu Dongyu - ao comando da agência das Nações Unidas para agricultura e alimentação (FAO), e a ministra sinalizou positivamente.

"O Brasil vai anunciar seu voto para o candidato da China à presidência da FAO", disse Tereza no comunicado do ministério. Conforme o Valor já informou, o candidato chinês e a francesa Catherine Geslain-Lanéelle são os favoritos na disputa. A eleição será em julho, em Roma.

(Valor) (Luiz Henrique Mendes e Cristiano Zaia)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Sexta-Feira, 05/06
FRANGO/CEPEA: mesmo com exportação aquecida, preços internos registram queda em maio (09:41)
Soja: com demanda, Chicago acumula altas de mais de 3% na semana e tem máximas em dois meses (08:59)
Nova safra de grãos deve bater recorde (08:50)
Mais de 700 estabelecimentos já foram habilitados a exportar para 24 países (08:10)
Governo capixaba anuncia diferimento do ICMS nas importações de milho (08:01)
Setor privado identifica 17 novas barreiras comerciais entre março e maio, mostra CNI (07:59)
Milho cai no mercado físico, mas sobe nas bolsas nesta 5ª feira (07:55)
Soja: Brasil tem 5ª feira de preços em alta com ganhos no dólar (07:48)
Suíno: cotações subiram na primeira semana de junho (07:43)
Suíno: cotações mistas e com perspectiva de retomada lenta do mercado (07:42)
Boi gordo: mercado firme e sustentado (07:41)
Cotações do Boi Gordo registram novos ajustes de preços em São Paulo (07:40)
Quinta-Feira, 04/06
Milho: B3 abre a quinta-feira com poucas movimentações e de olho na colheita (10:19)
Suínos: demanda chinesa elevada faz com que exportações brasileira atinjam recorde (09:24)
Boi Gordo/CEPEA: média mensal da arroba é a terceira maior da série (09:22)
Soja opera estável na Bolsa de Chicago nesta 5ª feira (08:10)
ACAV Conecta aborda o agronegócio após a Covid-19 (06:50)
Justiça americana indicia ceo da Pilgrim's por suposta fixação de preço de frango (06:48)
Boi Gordo: transição safra – entressafra ficou para trás (06:37)
Suíno: cotações mistas marcaram a 4ª feira (06:35)
Milho termina a 4ª feira desvalorizado no Brasil (06:33)
Valorização do real fez soja brasileira perder competitividade frente a americana (06:30)
China cancela embarques de compras de produtos agrícolas dos EUA, afirma The Wall Street Journal (06:27)
Quarta-Feira, 03/06
Covid-19: empresa pode responder por contágio (09:31)
Consumo de frango no Brasil é três vezes maior do que em 1990 (09:30)
Rumos do consumo pós-crise ainda estão indefinidos, diz JBS (09:28)
Soja dá continuidade às altas na Bolsa de Chicago nesta 4ª feira (08:32)
Asgav e Programa Ovos RS realizam em julho atividades de qualificação em formato virtual (08:27)
Suíno: preços estáveis ou com leves altas nesta terça-feira (08:22)
Vietnã habilita 4 plantas de aves e 1 de suínos para importar carne do Brasil (08:21)
Milho: mercado físico brasileiro se movimenta pouco nesta terça-feira (08:08)
Soja: produtor brasileiro só deve voltar às vendas internacionais no segundo semestre (08:05)
Embarques de soja do BR devem desacelerar a partir de julho, após recorde de volume até maio (08:00)
Terça-Feira, 02/06
JBS de Ipumirim volta às atividades: “outro ânimo para trabalhar”, diz produtor (09:10)
Soja: mercado em Chicago trabalha em campo positivo nesta 3ª feira (08:13)
ABPA afirma que o Brasil está pronto para exportar mais carnes para a China durante imbróglio com os EUA (07:39)
Embarques de carne suína batem recorde para um mês de maio (07:36)
Preço pago pelo quilo do suíno vivo no RS inicia junho estável (07:35)
Suíno: cotações estáveis ou em alta neste início de junho (07:34)
Boi: escalas de abate recuam e dão fortes indicações que a oferta de animais será menor neste final de safra (07:32)
Milho começa junho se desvalorizando no Brasil (07:29)
USDA: plantio do milho chega a 93% e 60% da soja está em boas/excelentes condições (07:27)
Soja em Chicago fica estável (07:24)
Segunda-Feira, 01/06
Governo de SC auxilia em processo de reabertura do frigorífico de Ipumirim (15:57)
FACTA lança podcast sobre avicultura (15:09)
Perspectivas dos preços de insumos e ração animal para aves e suínos para 2020 (13:45)
Webinar da Aviagen explora os meios para alcançar uma saúde intestinal ideal (09:51)
Milho começa a semana com leves quedas na B3 e em Chicago (09:46)
Soja inicia junho com estabilidade em Chicago (08:42)
China pede a estatais que parem compras de soja e carne suína dos EUA, dizem fontes (08:30)
Ministério da Agricultura recomenda que sacrifício de animais seja última opção (08:27)
‘É melhor abater no concorrente do que jogar a carne fora’ ,diz especialista em saúde animal (08:26)
Cooperativas do Sul discutem impactos da pandemia na indústria frigorífica (08:08)
Testes de salmonella acontecem antes, durante e após o abate dos frangos (08:07)
MAPA divulga consórcios municipais selecionados para participar do projeto de ampliação do mercado de Produtos de Origem Animal (08:02)
JBS tem aval da Justiça do trabalho para reabrir planta de Ipumirim, SC (08:00)
Em consulta pública, MAPA colhe sugestões sobre atos normativos da Defesa Agropecuária (07:58)
Ovos/CEPEA: menor demanda no fim de maio acentua desvalorização (07:43)
Milho: colheita da segunda safra avança e enfraquece preços (07:42)
Suíno: cotações ficam estáveis no fechamento de maio (07:33)
Embora calmo, o mercado do boi está firme (07:31)
BRF diz que contraprova de Covid-19 em fábricas em SC e RS confirma número baixo de positivos (07:19)