Quarta-feira, 03 de Junho de 2020
Exportação

China frustra expectativas de frigoríficos
São Paulo e Brasília, 17 de Maio de 2019 - A intenção dos exportadores brasileiros de carnes de ampliar o número de frigoríficos habilitados a vender para a China foi frustrada ontem. Após se reunir em Pequim com o ministro chinês Ni Yuefeng, da Administração Geral de Aduanas do paí s asiático, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, não conseguiu o anúncio imediato de habilitação.

A avaliação era que a necessidade de suprimento da China, sobretudo devido ao surto de peste suína africana que atinge o país, ajudaria nas negociações, que se arrastam desde a gestão do ex-ministro Blairo Maggi. Agora, há quem diga - e a ministra concorda -, que as autorizações poderão ser anunciadas somente em agosto, durante visita do presidente Jair Bolsonaro, ao país asiático. "Quem conhece os chineses diz que eles gostam de dar o presente para a autoridade maior", disse ao Valor um executivo da indústria que acompanha a comitiva da ministra.

Antes do encontro de Tereza Cristina, no entanto, os exportadores de carne bovina estavam esperançosos com o resultado de sua passagem por Pequim. Recentemente, os chineses haviam indicado ao embaixador do Brasil na China que o país asiático poderia acelerar as habilitações de frigoríficos, priorizando a autorização para aqueles que já podem exportar para a União Europeia -mercado que é considerado mais exigente do ponto de vista sanitário.

A estratégia de priorizar as unidades habilitadas para a União Europeia chegou a ser defendida publicamente pela ministra e pelo secretário de Relações Internacionais da Pasta, Orlando Ribeiro, o que provocou críticas de frigoríficos de pequeno porte, que não têm aval para exportar para o bloco europeu. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) chegou a acusar o Ministério da Agricultura de privilegiar grandes frigoríficos nas tratativas.

Em nota, o ministério informou que entregou às autoridades chinesas uma lista com os 33 abatedouros que estão autorizados a vender carne de frango ou carne bovina à UE.

Também foram entregues em Pequim outras três listas, com frigoríficos de aves, suínos e bovinos que estão autorizados a vender a outros mercados exigentes, como EUA e Japão. No caso específico dos suínos, a UE não poderia ser lastro para facilitar as habilitações pelos chineses, porque o Brasil não está autorizado a vender carne suína para o bloco.

Atualmente, há 16 abatedouros de bovinos já habilitados a exportar para a China - 33 de frangos e nove de suínos. O país asiático é o maior importador de carnes do país. No ano passado, os chineses desembolsaram US$ 2,5 bilhões com as compras de carnes brasileiras, o que representou 17% da receita de US$ 14,7 bilhões das exportações do setor, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura.

Paralelamente às listas de abatedouros que atendem mercados exigentes, o Ministério da Agricultura também se comprometeu a entregar, até a semana que vem, a lista de 78 frigoríficos que estão em processo de habitação ao mercado chinês. Essa é a lista que já vinha sendo tratada na gestão de Blairo Maggi, e inclui plantas que estão na lista europeia. No ano passado, técnicos chineses visitaram alguns desses frigoríficos para avaliar a possível habilitação, mas a missão detectou irregularidades - inclusive na resposta aos questionários da autoridade chinesa -, e pediu correções.

De acordo com o Ministério da Agricultura, os formulários preenchidos pelas empresas brasileiras estão sendo revisados no Brasil antes de serem entregues. A expectativa da Pasta é que os 78 frigoríficos possam ser habilitados, mas o número é considerado quase impossível por fontes que acompanham as tratativas.

"Estamos preparados para ampliar a nossa oferta de proteína animal com qualidade ao mercado chinês sem deixar de cumprir os requisitos sanitários previstos no nosso protocolo bilateral", afirmou Tereza Cristina em um comunicado oficial.

Nas negociações, o ministério também avalia ter avançado no estabelecimento de um protocolo mais claro para o processo de habilitação. O Brasil quer que a China adote o sistema de "pré-listagem". Nesse sistema, é o ministério que indicará às autoridades do país asiático a lista de abatedouros que seguem as normais sanitárias e que, portanto, estão automaticamente autorizados a vender à China. No atual sistema, o país asiático faz as habilitações unidade por unidade, o que torna o processo mais moroso. De acordo com uma fonte do governo que participou das conversas em Pequim, a China recebeu bem o pedido brasileiro para a "pré-listagem".

Para atender aos pedidos brasileiros, Pequim indicou contrapartidas, entre as quais a habilitação de estabelecimentos exportadores de pescados do país, que é o maior produtor global. Outro pedido diz respeito ao apoio do Brasil ao candidato chinês - o vice-ministro da Agricultura, Qu Dongyu - ao comando da agência das Nações Unidas para agricultura e alimentação (FAO), e a ministra sinalizou positivamente.

"O Brasil vai anunciar seu voto para o candidato da China à presidência da FAO", disse Tereza no comunicado do ministério. Conforme o Valor já informou, o candidato chinês e a francesa Catherine Geslain-Lanéelle são os favoritos na disputa. A eleição será em julho, em Roma.

(Valor) (Luiz Henrique Mendes e Cristiano Zaia)
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