Terça-feira, 14 de Julho de 2020
Saúde Animal

Situação da Peste Suína na China é calamitosa, alerta Marcos Yank
São Paulo, 13 de Maio de 2019 - A China, país que produz e consome mais da metade da carne suína mundial, vem sendo devastada por uma grave epidemia de peste suína africana.

A situação é calamitosa:
1. Estima-se perda de 134 milhões de cabeças — sobre um total de 684 milhões—, gerando uma queda da ordem de 20% na produção de carne suína, que pode chegar a 35% se o pior cenário desenhado pelo Rabobank se concretizar. O problema se agrava com o grande trânsito de animais dentro da China e com o Sudeste Asiático, além do fato de um quinto da produção doméstica vir da pequena produção de “fundo de quintal”, com alta exposição ao vírus e controle sanitário precário.

2. Para o Brasil, o principal impacto negativo da peste suína se dará sobre as exportações de soja, produto que lidera a pauta exportadora brasileira e componente essencial da ração de suínos e aves em propriedades tecnificadas. Estima-se uma queda de 5 milhões a 10 milhões de toneladas no nosso volume previsto de exportações para a China em 2019/20 (cerca de 10% da previsão inicial), um cenário que pode se agravar no ano que vem, ainda que terceiros países (Europa, principalmente) terão de comprar mais do Brasil para poder ampliar as suas exportações de carnes para a China.

3. Vencida a crise, no longo prazo teremos ganhos importantes com a inevitável mudança do modelo de produção de carnes da China: maior controle sanitário, escala e profissionalização dos produtores com melhoria da genética, manejo e nutrição dos animais, o que favorecerá um maior consumo de farelo de soja.
4. Há também a possibilidade de a China se abrir mais para a importação de carnes, que hoje respondem por menos de 5% do seu consumo. Mas esse segmento não crescerá de forma automática, como alguns querem crer. Ocorre que, ao contrário de commodities agrícolas como soja, algodão e celulose —para as quais o mercado encontra-se totalmente aberto para Brasil—, nas proteínas animais o acesso se dá por meio de um processo moroso e pouco transparente de habilitação de plantas industriais, caso a caso. Apenas 62 unidades brasileiras estão hoje autorizadas a exportar para a China, um número extremamente reduzido, sendo que só três estão autorizadas a exportar carne suína. No curto prazo, quem realmente ganhará mercado são frango e carne bovina, substitutos do suíno.
5. Atualmente, a China consome 84 kg de carnes por habitante/ano. A atual exportação de carnes do Brasil para China e Hong Kong equivale ao volume de 1 kg per capita/ano na China (1,4 milhão de toneladas). Ou seja, com só mais 1 kg/hab/ano, já estaríamos dobrando a exportação.

6. Uma última questão relevante é status sanitário brasileiro. Até aqui o Brasil escapou ileso das duas principais epidemias do mundo atual: gripe aviária e peste suína. Além da necessidade de reforçar todos os controles de defesa sanitária do país, o Brasil deveria pleitear a ampla aceitação de dois instrumentos fundamentais para garantir o acesso aos mercados, mesmo que parcial.

O primeiro é a “regionalização sanitária”, que comporta, por exemplo, o nosso status de área livre de febre aftosa com vacinação. O segundo é a “compartimentalização sanitária”, que é o reconhecimento de sistemas integrados livres de doenças graças à adoção de práticas mais elevadas de biossegurança e rastreabilidade. O Brasil já possui “compartimentos” em que o controle da gripe aviária é extremamente elevado, que hoje servem de exemplo para o mundo.

Todos os pontos aqui apresentados estão ligados a “lições de casa” que precisam ser feitas neste momento: visão estratégica, melhor coordenação do setor privado, medidas suplementares de defesa sanitária e negociação qualificada com nossos parceiros no exterior.

(Autores: Marcos Sawaya Jank, especialista em questões globais do agronegócio, e Rodrigo C. A. Lima, sócio-diretor da Agroicone e especialista em temas sanitários no comércio.

(Notícias Agrícolas) (redação)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Terça-Feira, 14/07
Agências da ONU recomendam mudança na área de alimentos (10:16)
Crise? Que crise? Setor de alimentos está bombando na Bolsa (10:12)
Ajuste da oferta faz frango subir no país (08:38)
Governador do Tocantins reafirma compromisso com a iniciativa privada visando a geração de empregos (08:25)
Sistema de compartimentação abre portas para a avicultura catarinense em mercados exigentes (08:20)
Brasil importa mais que o triplo de soja nos primeiros 8 dias úteis de julho do que em todo mesmo mês de 2019 (07:39)
Apenas em 2 semanas de julho Brasil já exportou 132% a mais de milho do que todo o mês de junho (07:30)
Segunda-Feira, 13/07
Doença de Gumboro é tema do novo podcast FACTA (14:59)
Frigoríficos avícolas gaúchos investem no combate a pandemia (14:58)
OVOS/CEPEA: maior demanda e oferta limitada elevam preços (13:05)
Milho: indicador CEPEA volta a fechar acima de R$ 50/sc (13:02)
Soja: com baixo excedente, importação é a maior desde ju/16 (13:00)
PDSA desevolve cursos virtuais para garantir sanidade no RS (11:06)
Instituto Ovos Brasil e CEPEA criam ferramenta para consulta de preço de ovos (08:34)
Governo do Paraná e JBS discutem investimentos no Estado (08:00)
Uberlândia recebe anúncio de R$ 80 milhões em investimentos (07:59)
Secretaria de Saúde do Paraná acompanha atividades em frigoríficos (07:57)
Pandemia estimula consumo de frango no mercado interno e aquece exportações (07:57)
Sexta-Feira, 10/07
Com alta de 24,5%, exportações do agronegócio batem recorde para meses de junho e ultrapassam US$ 10 bilhões (13:53)
FRANGO/CEPEA: apesar de queda nos embarques, preço interno da carne está firme (07:31)
Agronegócio responde por 72% das exportações catarinenses no primeiro semestre de 2020 (07:26)
Com recordes de valores de soja e milho, VBP de 2020 é estimado em R$ 716,6 bilhões (07:25)
Comercialização de soja 2019/20 e da safra nova em junho foi mais lenta (07:10)
Quinta-Feira, 09/07
SUÍNOS/CEPEA: preços do vivo sobem em quase todas as regiões; exportações estão aquecidas (09:47)
BOI/CEPEA: indicador volta a fechar acima de R$ 220 (09:46)
Dicas para inovar no agronegócio e vender mais (08:15)
C.Vale e Pluma Agroavícola colocam em funcionamento frigorífico da Plusval (08:14)
Brasil retoma posto de maior produtor de soja do planeta (07:53)
Quarta-Feira, 08/07
Produção de grãos deve atingir 251,4 milhões de toneladas segundo levantamento da Conab (11:32)
Indústria global de carne de aves se recupera gradualmente, mas 2º semestre pode trazer volatilidade (09:12)
Nui Markets vê bom potencial no Brasil (09:10)
Exportadores do Brasil propõem testar carne para acalmar China (09:10)
Exportação de grãos deve beirar recorde (09:09)