Segunda-feira, 01 de Junho de 2020
Mercado Externo

Surto de peste suína africana na China altera dinâmica do mercado de carnes no Brasil
São Paulo, 22 de Abril de 2019 - Criadores na China tiveram que abater mais de 1 milhão de porcos por causa de um surto de peste suína africana. Em volume de carne, é mais do que o triplo que o Brasil produz durante o ano inteiro. Essa crise afeta o mercado mundial.

A China é o maior produtor de carne suína do mundo: são cerca de 54 milhões de toneladas por ano. Os primeiros casos de peste suína africana por lá surgiram em agosto de 2018.

Os principais sintomas da doença, que é causada por vírus, são febre alta, sangramento e dificuldade respiratória, explica o veterinário do Globo Rural, Enrico Ortolani.

"Ela não passa para os humanos, mas é contagiosa e fatal para os animais porque não tem vacina nem cura."
Para tentar conter o avanço da doença, os chineses estão fazendo o abate sanitário do plantel. Com isso, já perderam cerca de 20% da produção, algo em torno de 10 milhões de toneladas de carne.
O vírus é transmitido através do contato direto entre os animais e também pode ser carregado, por exemplo, nas solas dos sapatos de quem circula por granjas infectadas, ou em produtos feitos com a carne.

O grande temor hoje é de que essa doença chegue a outras regiões importantes na produção de carne suína do mundo, como o Brasil. O risco maior está na entrada do país de pessoas e carnes vindas da China.

O Brasil é o quarto maior produtor e exportador de carne suína do mundo. Aqui, o último caso de peste suína africana aconteceu em 1978.

"Nós estamos fortalecendo as medidas, a preocupação maior é a inspeção de bagagens, de ingresso de viajantes que vêm ao Brasil oriundos dessas áreas. Já tem medidas hoje tomadas nos portos e aeroportos", diz o diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Geraldo Marcos de Moraes.

Maior compradora de frango
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, explica que, como o porco demora 8 meses para chegar ao ponto de abate, o Brasil não consegue imediatamente aumentar a oferta de carne suína para a exportação. Mas o país já se beneficia como o crescimento da demanda chinesa por outros tipos de carne.

"A China nesses 3 meses já se tornou a maior importadora de carnes e suínos, para a nossa surpresa, de aves, suplantando a própria Arábia Saudita, que foi, durante 20 anos, o maior importador. Eles perderam espaço porque a China está precisando de proteína animal".

A peste suína não é detectada no Brasil há décadas, mas nós temos casos de peste suína clássica. Eles foram registrados em algumas regiões do Nordeste, longe dos grandes estados produtores.
(Globo Rural) (Redação)
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