Quinta-feira, 28 de Maio de 2020
Empresas

Crise diplomática é desafio para o setor
São Paulo, 18 de Abril de 2019 - A Elanco, do setor de saúde animal, vê a queda das exportações de carne de frango como principal desafio para os negócios do Brasil em 2019. Mas após completar processo de separação da farmacêutica Lilly, a empresa espera crescer acima da média do mercado.

“O ano começou com bastante otimismo, em função do novo cenário político, mas acabou retraindo um pouco. Vemos um desafio no mercado produtor, especificamente nas exportações de frango, em função de declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre uma possível mudança de embaixada em Israel”, afirmou o presidente da Elanco Brasil, Carlos Kuada.

De acordo com o executivo, a indústria reportou perdas em decorrência da tensão criada com países árabes pela especulação da mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. “[A declaração] gerou custos para os produtores, pelos embarques que ficaram retidos.”

Dados divulgados na última semana pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostram recuo de 7,6% nas exportações de carne de frango no primeiro trimestre.

A Elanco registrou crescimento de 8% das vendas no período, patamar superior ao do setor como um todo, estimado entre 4% a 6% pela consultoria Cowen Inc. “Queremos manter esse desempenho acima do setor ao longo do ano”, destaca Kuada. “Essa expectativa se deve ao nosso nível de investimentos.” O executivo conta que a empresa aposta em diversos segmentos para sustentar essa projeção. “O mercado de pets é o que mais cresce, acima de 10%. Teremos lançamentos no segundo semestre, voltados para áreas terapêuticas.” A Elanco desenvolve medicamentos e produtos para higiene de animais de estimação.

A empresa também atua nos segmentos de aves, suínos e gado bovino. “Temos uma operação de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, voltada especificamente para o mercado de bovinos”, diz Kuada. Ele afirma que a empresa trouxe onze novos produtos ao mercado nos últimos cinco anos.

Nesta terça-feira (16), a companhia lançou no País uma vacina para o controle de salmonella na produção de aves e ovos. É a primeira vacina viva voltada para esta aplicação. “Esse produto existe há mais de uma década na Europa, mas por uma questão normativa, não podia ser comercializado no Brasil até 2017”, explica a gerente de marketing e serviços técnicos da Elanco Brasil, Deyse Galle.

A salmonella é considerada um dos maiores desafios da cadeia de produção de aves e ovos. Devido ao risco à saúde dos consumidores por infecção alimentar, esse tipo de problema sanitário causa prejuízos ao setor. “Pelo Brasil ser o maior exportador mundial de carne de frango, chegando a mercados de alta exigência, precisamos adotar as melhores práticas para prevenir o patógeno”, assinalou Deyse.

Abertura de capital
A Elanco concluiu em março o processo de abertura de capital e passou a atuar como uma empresa separada da farmacêutica Eli Lilly & Company. Em setembro de 2018, a oferta pública inicial foi realizada na Bolsa de Nova Iorque, com a Lilly se mantendo com cerca de 80% das ações. No mês passado, esse controle acionário foi vendido. “É uma tendência do setor, a saúde animal se separar de saúde humana nas companhias”, declarou Kuada em coletiva de imprensa.

O executivo explicou que isso ocorre porque o segmento tem um mercado mais estável. “O setor farmacêutico depende muito dos chamados blockbusters, o que não ocorre na saúde animal.” Ele detalha que as operações brasileiras das duas empresas seguem no mesmo local, em São Paulo, até o final desse ano.

Em 2018, a Elanco Animal Health fechou o ano com um faturamento de US$ 3,1 bilhões, alta de 6% sobre o ano anterior. “Como empresa independente, a Elanco será mais ágil e flexível, focada exclusivamente na saúde animal.”
(DCI ) (Ricardo Casarin )
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