Quinta-feira, 28 de Maio de 2020
Empresas

Mauricéa, um sucesso vivido em família
Recife , 04 de Dezembro de 2018 - O ano era 1966. O adolescente Marcondes Tavares de Farias, então com 15 anos, começou a criar galinhas no quintal de casa, na cidade de Nazaré da Mata, Mata Norte pernambucana. No ano seguinte, ganhou uma pequena granja do pai, dando continuidade ao que se consolidaria, anos mais tarde, no surgimento da Mauricéa Alimentos. "Acho que isso já está no sangue. Meu pai era um cidadão muito empreendedor diante das possibilidades dele", afirma Tavares. E a atividade iniciada na adolescência rendeu ao hoje empresário o reconhecimento do público no Grande Prêmio Orgulho de Pernambuco 2018. Ele foi o vencedor na categoria agropecuária.

A veia empreendedora está presente na vida da família. Antes mesmo de Tavares fundar a Mauricéa, seu pai já havia sido proprietário de uma mercearia e depois abriu uma fábrica de biscoitos. Entre os seis irmãos, ele foi o único que (segundo suas próprias palavras) se deslumbrou com a área. "Comecei como avicultor, mas produzindo ovos. Depois, passei a produzir frangos e passei muito tempo apenas como produtor das aves vivas, em Nazaré. Foi quando expandimos para Carpina", conta. A Mauricéa iniciou oficialmente suas atividades como fábrica de ração e criadouro de aves.

"Somente dez anos depois é que inauguramos o abatedouro, produzindo cortes específicos", relembra Marcondes. A esposa, Joselma de Fátima, iniciou o negócio juntamente com ele. Hoje, os três filhos também trabalham na empresa, dando continuidade às atividades. "A questão da sucessão está bem garantida", comenta Marcondes. Em seguida, a empresa inaugurou uma fábrica de rações no município baiano de Luís Eduardo Magalhães que, segundo o empresário, foi importante para Pernambuco, já que o estado não é produtor dos insumos.

Capacitação foi fundamental para que o empresário pudesse comandar a empresa. "Sempre gostei muito de ir atrás das coisas, de me informar sobre como tudo funciona. O setor de avicultura requer bom conhecimento em nutrição animal. Estudei muito sobre isso", conta o empresário, que mesmo sem ensino superior conseguiu construir uma grande empresa. "A gente tem que ser generalista dentro do negócio para entender um pouco de cada coisa, para não fazer nada sem ter a noção do que está fazendo", acrescenta.

Por tudo o que viveu ao longo dos 67 anos, Marcondes recebeu com alegria o reconhecimento no Grande Prêmio Orgulho de Pernambuco. "Foi um prazer enorme. É um orgulho receber esse prêmio. Sou de Pernambuco e adoro o estado. Nossa empresa tem 30 anos e ser reconhecida dessa forma é uma honra e satisfação enormes", diz, fazendo questão de compartilhar com os colaboradores, clientes e parceiros. "Na realidade, sem essas pessoas não tínhamos chegado nessas três décadas com a participação que temos hoje no mercado".

De prêmios à exportação para cinco países

Com uma produção de 4 milhões de frangos por mês, a Mauricéa Alimentos possui atualmente 3,3 mil colaboradores e tem unidades em Pernambuco, na Bahia, na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Apesar da crise que assolou a economia brasileira nos últimos anos, o empresário Marcondes Tavares de Farias garante que a empresa não deixou de crescer, apenas diminuiu o ritmo em relação aos anos de tranquilidade no cenário nacional.

“A gente nunca para. Não podemos parar porque é que nem andar de bicicleta, se parar cai”, brinca, afirmando que em 2019 a empresa deve começar a produzir embutidos, como mortadela e salsicha, na unidade localizada em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. No caso do abatedouro de Nazaré da Mata, a empresa vai aumentar a capacidade em 50% (são produzidos 120 mil frangos por dia, atualmente). “Vamos trabalhar ao longo de 2019 para que esse crescimento aconteça já em 2020. Não que no primeiro ano já vamos crescer nessa proporção, mas vamos ficar com uma capacidade ociosa que vai sendo preenchida com o tempo”, explica.

A estrutura da Mauricéa é composta por dois abatedouros, duas fábricas de rações, uma fábrica de ovos e três centros de distribuição espalhados nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia. Os abatedouros estão localizados em Nazaré da Mata (PE) e em Luís Eduardo Magalhães (BA) – neste último, a capacidade de produção é de 300 mil frangos por dia; na mesma cidade baiana encontra-se uma das fábricas de rações, enquanto a outra fica em Carpina. É na cidade paraibana de Pedras de Fogo que a Mauricéa produz os ovos por meio da marca DaGema – são 500 mil unidades por dia. Os centros de distribuição estão localizados em Natal (RN) e em Feira de Santana e Vitória da Conquista, ambas na Bahia.

“Uma das coisas mais importantes dentro de um complexo avícola é quando você inicia as atividades do abatedouro industrial, porque sai muito da atividade rural para a agroindústria”, explica Marcondes, ressaltando que esse foi um dos marcos mais importantes na trajetória da empresa. “Precisamos lidar com outro tipo de mercado, oferecer outro produto, atender a outros clientes”, acrescenta. Ele ressalta, ainda, que uma empresa do setor precisa atuar em quatro segmentos diferentes. “A cadeia da avicultura é complexa. É trabalhosa porque você precisa ter uma atuação completa para ser mais eficiente: produção de pintos, de ração, a criação dos frangos e o abatedouro”. E, para permanecer no mercado por tantos anos, foi necessário que a Mauricéa agregasse toda a cadeia.

Além de produzir para toda a região Nordeste, a Mauricéa exporta cerca de 8% de sua produção. Na rota, países como Hong Kong, Mianmar, Haiti, Vietnã e Japão. A empresa possui todas as certificações exigidas pelo Ministério da Agricultura.
(Diário de Pernambuco) (Assessoria de Imprensa)
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