Domingo, 31 de Maio de 2020
Produção

No jeitinho mineiro de criar frango, a briga contra a crise é “mano a mano”
Pará de Minas e Belo Horizonte, MG, 23 de Julho de 2018 - Embargo europeu, taxação chinesa, tabelamento de fretes. As notícias no primeiro semestre de 2018 não foram positivas para a avicultura brasileira. Ao longo da Expedição Avicultura, que já rodou 15 mil quilômetros nos seis maiores estados produtores e exportadores desta proteína, o setor está aflito. E em Minas Gerais não é diferente.

Quinto colocado no ranking nacional de produção de frango, Minas Gerais tem uma característica diferente, a avicultura é mais independente, enquanto nos outros estados, principalmente da região Sul, o cooperativismo e as integrações têm mais força. No sistema independente, o avicultor é responsável por todo o processo de produção do frango, da compra de insumos até o envio para o abate.

É o caso Wayne Franco, de Pará de Minas, região centro-oeste de Minas Gerais, que há 27 anos lida com avicultura. Com capacidade para alojar 40 mil aves por ciclo, ele conta que os primeiros meses deste ano não foram nada animadores. “Os custos não estão baixos e o frango estava sem preço”, conta. “A situação melhorou um pouco depois da greve, quando as cotações subiram”, complementa.

Para Franco, o problema do setor é político, não econômico. “Falta vontade política para equilibrar o setor produtivo. Existe competência, capacidade técnica, produto com qualidade, mas falta ação do governo. Falta comprometimento com a avicultura”, protesta. No entanto, ele é otimista quanto a 2018. “Com o desabastecimento provocado pela greve e que pode ser provado pela tabela do frete, há espaço para que as cotações aumentem um pouco e que possamos recuperar o primeiro semestre. Empresas grandes, como a BRF, também estão ajustando a produção. O benefício vai ser maior”.

Em Pará de Minas, a Cooperativa de Granjeiros do Oeste de Minas Gerais (Cogran), que abate 46 mil frangos por dia, também sofreu os impactos das sucessivas crises que atingiram o setor. Embora não exporte, o frigorífico sentiu os preços dos produtos caírem com o excesso de oferta no mercado nacional. “É um ano que corremos atrás para empatar, mas provavelmente será de uma pequena perda”, diz o gerente de Unidade e Negócios da Cogran, Donizette Ferreira do Couto.

Diferente de uma cooperativa tradicional, em que os cooperados trabalham apenas como terminadores e são remunerados com base na taxa de conversão animal, na Cogran cada um dos associados é livre para comprar os pintainhos e os insumos onde quiserem. O mesmo também acontece com o produto, o excedente da cota pode ser vendido para qualquer outro frigorífico.

Segundo Donizette Couto, por Minas Gerais ter essa característica de uma produção mais independente, o prejuízo é mais pulverizado, não fica concentrado apenas em uma empresa ou região, como no caso da BRF e Aurora Alimentos. “São muitos produtores e cada um com uma realidade diferente. A sobrevivência na atividade neste ano vai depender da capacidade de endividamento de cada produtor, do modelo de gestão”, explica.

O presidente da Cogran, Antônio de Melo Silva, conta que o frigorífico ficou parado três dias durante a greve dos caminhoneiros, mas que não houve redução de abates e nem demissões. “Nós diminuímos nosso alojamento nas granjas em 10%”, conta. “Vamos ver como vai ficar a situação com questão do frete”, diz. Além do frigorífico, a Cogran também tem uma fábrica de premix, mistura de vitaminas e alguns aminoácidos, utilizado na fabricação da ração. “O problema é dinheiro. A crise econômica não terminou. Aqui em Minas Gerais, os funcionários públicos estão com os salários atrasados, a economia não está girando. Mas se a economia melhorar, o setor retoma”, complementa Donizette Couto.

Diretora executiva da Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig), Marília Martha Ferreira acredita que seja um dos piores anos para o setor. “Diferente do Paraná e de Santa Catarina, estados geograficamente menores, onde a atividade é muito concentrada, em Minas Gerais a avicultura está muito espalhada. Lá, se dói para um, dói para o outro. Aqui, cada produtor vive uma realidade, depende muito da região”, explica. “Alguns sofreram com a greve de caminhões, outros nem tanto”, exemplifica.

Médica-veterinária, Marília Ferreira, que há 50 anos trabalha com a avicultura mineira, conta que avicultura só não cresceu mais no estado por causa de outras culturas, como leite e gado de corte. “É uma questão de tradição. Nós temos aqui grandes produtores que têm fazendas centenárias. A avicultura era uma coisa para pequenos produtores. Sempre houve uma ideia no estado de que terra boa era para cana, café, boi. Há 50 anos, ninguém dava valor para o tema. Olha o quanto evoluiu. É impressionante”.
(Gazeta do Povo) (Gabriel Azevedo)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Domingo, 31/05
Sexta-Feira, 29/05
Semana teve poucas alterações nos preços físico do milho (09:59)
China deixará mercado de frango dos EUA durante recuperação (09:48)
Conselho do FCO aprova R$ 146,1 milhões em investimentos em MS (09:47)
Alojamento de pintos de corte caiu menos do que o esperado pela Apinco (09:46)
Soja: mercado ainda caminha de lado na Bolsa de Chicago nesta 6ª feira (08:02)
FRANGO/CEPEA: poder de compra frente ao farelo de soja é o mais baixo em dois anos (07:53)
Preço do boi gordo teve um ganho de 1,23% nesta semana no RS (07:44)
Suíno: cotação caiu 3,4% nas granjas paulistas em uma semana (07:41)
Preços para a suinocultura independente têm leve alta ou estabilidade nesta semana (07:40)
Suínos: mês se encaminha para o final com cotações mistas (07:37)
Milho cai no mercado físico com início da colheita, mas sobe na B3 (07:28)
Soja em Chicago pode mudar patamar de preços com influência do mercado climático nos EUA a partir de junho (07:21)
Produtores de soja tiveram 1º quadrimestre com resultado financeiro positivo (07:19)
Quinta-Feira, 28/05
Por um país mais cooperativo, por Francisco Turra (10:17)
Milho começa a 5ª feira subindo na B3 e em Chicago (09:35)
Frigoríficos temem perder mercado após interdições por Covid-19 (09:30)
BRF busca manter oferta ajustada às curvas da demanda (09:19)
Frango Americano projeta crescimento de 30% com apoio do Governo do Tocantins (09:18)
Pandemia já afeta produção de carne bovina (09:15)
Pela primeira vez, produção global de carne de frango deve ser maior que a de proteína suína (09:11)
Aviagen Brasil mostra espírito solidário com doações no interior de São Paulo (09:04)
Soja caminha de lado em Chicago nesta 5ª feira (08:32)
Suínos: vendas aumentam e elevam preços em maio (08:15)
Boi Gordo: mercado externo aquecido e menor oferta interna sustentam preços (08:13)
Indústrias estão oferecendo mais pela arroba do boi gordo (08:10)
Milho cai no mercado físico e na B3 seguindo baixa do dólar (08:03)
Soja brasileira está US$0,10/bushel mais cara que a americana (08:00)
Quarta-Feira, 27/05
Sindirações lança guia de boas práticas na indústria de alimentação animal para o enfrentamento da Covid-19 (15:23)
Milho: 4ª feira começa com resultados em campo misto na B3 (09:29)
PIB agropecuário crescerá até 2,5%,diz Ipea (09:13)
Mais proteína na cesta básica (09:12)
Soja em Chicago dá continuidade às últimas altas e segue em campo positivo nesta 4ª feira (08:50)
Agroindústrias de SC doam R$ 35 milhões para o combate à pandemia (08:24)
Ministra destaca trabalho do Mapa para garantir abastecimento durante a pandemia (08:21)
Suínos: cotações começam a ceder, principalmente para animal vivo (08:12)
Milho cai no mercado físico e na B3 nesta 3ª feira (08:10)
Boi: vencimentos futuros finalizam a 3ª feira com leves baixas na B3 (08:08)
Boi Gordo registra pouca oferta de boiadas e sem progresso nas escalas de abate (08:06)
Mercado climático pode fazer soja em Chicago buscar os US$ 9,00/bushel (08:00)
USDA: plantios de soja e milho avançam bem nos EUA e ficam dentro das expectativas (07:55)
Senado aprova prorrogação de vencimento de dívidas rurais (07:51)
Operações de embarque de grãos em berço de Paranaguá param após caso de Covid-19 (07:49)
Terça-Feira, 26/05
ACAV reitera compromisso firmado com o governo de SC em busca de soluções adequadas ao Estado (10:17)
Maioria dos funcionários da BRF volta ao trabalho em SC (08:49)
Empresários preveem que oferta de produtos agrícolas será mantida (08:48)
Preços do milho andam de lado no mercado brasileiro (08:37)
Soja sobe em Chicago nesta 3ª feira, retomando negócios pós feriado nos EUA em campo positivo (08:36)
CNA e FEBRABAN discutem medidas estruturantes para o Agro (08:31)
Suíno: cotações mistas e altas mais discretas nesta segunda-feira (08:26)
Exportação de suínos deve ser recorde em maio; no caso das aves, preços vêm caindo (08:24)
Mais de 93% dos trabalhadores da BRF em Concórdia/SC voltam ao trabalho (08:18)
Em SP, antecipação do feriado deixou mercado do boi calmo (08:09)
Contratos futuros do boi finalizam a sessão desta 2ª feira sem grandes movimentações na B3 (08:07)
Média diária exportada de carne bovina in natura teve um aumento de 34,54% frente ao ano passado (08:06)
Milho se movimenta pouco no mercado físico brasileiro (08:05)
Soja: semana começa com foco do produtor nos prêmios diante da pressão do dólar e de Chicago (08:00)
Exportação de soja do Brasil alcança 12,2 mi t no mês e já supera maio de 2019 (07:50)