Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020
Matérias-Primas

Baixa disponibilidade de milho impulsiona cotações
Campinas, SP, 14 de Março de 2018 - A sessão desta terça-feira (13) foi de forte alta aos preços do milho na BM&F Bovespa. Os principais contratos da commodity subiram entre 3,11% e 4,93%. O novembro/18 bateu limite de alta, com ganho de mais de 5%, e finalizou o dia a R$ 37,55 a saca. Já o março/18 rompeu o patamar de R$ 43,00 a saca, negociado a R$ 43,10 a saca.

O consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, explica que baixa disponibilidade do produto em São Paulo tem alavancado as cotações. "E a demanda no estado é grande e as empresas não trabalham com grandes estoques. Com isso, o cenário tem dado fôlego para as especulações", explica.

A formação desse cenário tem preocupado a ponta da cadeia, as indústrias de proteína animal. Inclusive, o consultor ressalta que já há especulações no mercado sobre compras de milho do Paraguai e da Argentina.

Enquanto isso, a colheita da safra de verão, que também foi plantada com atraso, está próxima de 30% a 35%. "Temos até esse momento, cerca de 8 milhões de toneladas colhidas, de uma safra estimada em 24 milhões a 25 milhões de toneladas", afirma Brandalizze.

A expectativa é que o clima contribua e os agricultores consigam evoluir com a colheita da soja e, consequentemente, com a do milho. Esse é o caso de Minas Gerais, segundo maior produtor do grão na safra de verão.

Ainda assim, o consultor alerta que o movimento altista no milho não tem um fôlego tão grande. "Com o andamento da colheita da safra de verão, poderemos ter uma limitação nas valorizações. Então, os agricultores devem aproveitar os momentos de alta", orienta Brandalizze.

Em relação à safrinha, o consultor ainda reforça que, apesar de parte da safra ser cultivada fora da janela o clima tem contribuído até o momento e as previsões ainda indicam chuvas nos próximos meses, especialmente no Centro-Oeste. As atenções ainda seguem voltadas para o Paraná diante da possibilidade de geadas.

"Em Mato Grosso, o plantio já está completo em 95% da área esperada. Em Mato Grosso do Sul e Goiás, o índice está próximo de 90%. E, se tivermos uma boa safrinha, os preços podem se acomodar em patamares mais baixos do que os atuais praticados. Ainda assim, acima do registrado no ano passado", pondera Brandalizze.

No mercado doméstico, a saca do milho subiu 6,90% e terminou o dia a R$ 31,00 em Campo Grande (MS). Já em Pato Branco (PR), a alta foi de 6,62%, com a saca a R$ 32,20. Na região de Assis (SP), o preço registrou ganho de 5,26%, com a saca a R$ 34,00. Em Campinas (SP), a alta foi 1,17%, com a saca a R$ 43,10 a saca. No Porto de Paranaguá, o dia foi de estabilidade, com a saca futura a R$ 33,50.

Dólar

A moeda norte-americana encerrou o dia a R$ 3,2621 na venda, com alta de 0,13%. Conforme dados reportados pela Reuters o câmbio reverteu a movimentação negativa registrada ao longo do dia com o fluxo de saída.

"E a demissão do secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, ofuscando a percepção de que os juros norte-americanos não vão subir mais do que o esperado após dados de inflação comportada", informou a agência.

Bolsa de Chicago

Pelo segundo dia consecutivo, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram em campo positivo. Nesta terça-feira (13), as principais posições da commodity finalizaram o pregão com ganhos entre 1,00 e 1,75 pontos. O contrato março/18 era cotado a US$ 3,85 por bushel e o maio/18 a US$ 3,91 por bushel.

Conforme informações reportadas pela Reuters internacional, as cotações foram impulsionadas pela forte demanda pelo produto americano. "As cotações subiram e tocaram os patamares mais altos em sete meses, sustentadas pela forte demanda de exportação em meio às condições de seca no terceiro maior exportador, a Argentina", destacou a agência.

Em meio às perdas consolidadas na produção argentina, os compradores mundiais estavam se abastecendo no curto prazo nos Estados Unidos. Somente na última semana, os importadores sul-coreanos adquiriram mais de 1 milhão de toneladas de milho.

Ainda nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou duas vendas de milho, somando 362,552 mil toneladas do grão. Hoje, o departamento informou a venda de 210 mil toneladas de milho para a Coreia do Sul. Porém, a venda é de origem opcional, que pode ser dos EUA ou de outro país exportador. O volume negociado deverá ser entregue ao longo da campanha 2017/18.
(Notícias Agrícolas) (Fernanda Custódio)
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