Matérias-Primas

Soja mais barata no Brasil do que nos EUA pressiona Chicago mais uma vez

Um levantamento da ARC Mercosul aponta uma diferença nos preços da soja FOB, vencimento março, de US$ 4,10 por tonelada entre o produto do Brasil no porto de Paranaguá e dos EUA Golfo, com a oleaginosa brasileira mais barata. E essa maior competitividade, além da qualidade maior da soja do Brasil - com um teor maior de proteína - mantém a concentração da demanda no mercado nacional, inclusive por parte da China. Em uma comparação feita em reais por saca, a consultoria mostra indicativos de R$ 71,25 em Sorriso/MT e de R$ 78,11 em Passo Fundo/RS, contra R$ 80,40 em Iowa e R$ 84,17 em Illinois, os dois principais estados produtores norte-americanos. A maior parte desta vantagem chega pela taxa cambial. A moeda americana renovou seu recorde nesta quinta-feira (20) frente ao real ao alcançar os R$ 4,39, encerrando o dia com uma alta de 0,59%. A desvalorização do real, inclusive, foi citada pelo economista chefe do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) durante o primeiro dia de Outlook Forum como uma possível "ameaça" às projeções de exportações maiores de soja pelos EUA na temporada comercial 2020/21. Das 3,4 milhões de toneladas embarcadas pelo Brasil no acumulado do ano, afinal, 70% tem como destino a China. E a oleaginosa nacional continua contando com a preferência da nação asiática. Além do dólar, os prêmios, neste momento, também favorecem a competitividade do Brasil. Ainda de acordo com o levantamento da ARC, os prêmios em Paranaguá variam de 42 a 58 cents de dólar por bushel acima das referências praticadas na Bolsa de Chicago, enquanto no Golfo oscilam entre 60 e 69 cents. BRASIL X BOLSA DE CHICAGO Na Bolsa de Chicago, a falta de demanda pressionou os preços por mais uma sessão, que terminaram o dia com perdas de pouco mais de 4 pontos nos principais contratos. O março fechou com US$ 8,92, o maio com US$ 9,01 e o julho com US$ 9,11 por bushel. "Estamos esperando notícias de que os chineses comprem aqui, mas o dólar está muito forte e isso é ruim para nossas vendas. Assim, todos acreditam que a demanda por soja em grão vá para o Brasil e não venha para nós aqui nos EUA", diz Jack Scoville, diretor da Price Futures Group, direto de Chicago, ao Notícias Agrícolas. E preocupado com a demanda chinesa ainda ausente no mercado norte-americano, as informações que chegaram do Outlook Forum do USDA sobre a nova safra de grãos dos EUA pouco impacto tiveram no andamento dos negócios na CBOT. Para a área de plantio de soja, a estimativa veio em 34,4 milhões de hectares, contra 30,80 milhões da safra 2019/20 e dentro das expectativas do mercado de 33,59 a 35,40 milhões. O aumento para a oleaginosa é expressivo - de 11,69% - reflete uma retomada dos produtores depois da severidade do clima na safra 2019/20, que deixou muitas áreas sem plantar no Corn Belt, como aconteceu também com o milho.

(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)



Visite  www.ovosite.com.br  - O Portal do Ovo na Internet