Política Agrícola

Reaquecimento da economia incentiva produtor a aumentar os investimentos

O aumento das contratações de recursos para investimentos por parte dos produtores está sendo puxado sobretudo pelo reaquecimento da economia do país como um todo. É o que diz Antônio da Luz, economista-chefe da Federação de Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul (Farsul) e vice-presidente da Comissão de Política Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Para ele, foi o ambiente de maior confiança e a queda da taxa básica de juros que alavancaram o avanço de quase 20% dos desembolsos de crédito rural para investimentos nos seis primeiros meses desta safra 2019/20 (julho a dezembro) “O produtor é um empresário. À medida que a economia começa a retomar o ritmo e o produtor tem segurança, os investimentos são retomados”, afirma. Nos seis primeiros meses da temporada, os desembolsos de crédito rural para investimentos chegaram a R$ 28,4 bilhões, distribuídos em mais de 613 mil contratos. A pecuária puxou o ritmo, com aumento de 30% nas contratações em relação ao resultado da primeira metade da temporada passada. Foram liberados R$ 12,4 bilhões para os segmento, ante R$ 9,5 bilhões de julho a dezembro do ano anterior. Com juros que variam de 5,25% e 10,5% ao ano, a maior parte dos investimentos foi financiada a taxas controladas com recursos da poupança rural. Mudanças previstas na “MP do Agro” podem favorecer ainda mais o cenário, segundo Antônio da Luz, principalmente a possibilidade de mais bancos operarem recursos do Tesouro Nacional. “A medida trata todos os agentes financeiros da mesma forma, sem privilégios. A tendência é que o crédito controlado se fortaleça com mais concorrência”, afirma. Na agricultura familiar, que tem juros menores - de 3% a 4,6% nas linhas do Pronaf -, o montante acessado para investimentos foi de R$ 8,1 bilhões nos seis primeiros meses de 2019/20. No Pronamp, com taxa de 7% ao ano, o valor chegou a R$ 1,4 bilhão, crescimento de quase 50%. João Luiz Guadagnin, consultor sênior em crédito e desenvolvimento rural, diz que grande parte desses empréstimos serviram para pequenos e médios suinocultores e avicultores construírem e ampliarem granjas, mas que os contratos de longo prazo trazem incertezas ao segmento, principalmente no Sul do país. Ele vê com preocupação a animação de quem aposta na forte demanda por proteínas da China por causa da peste suína africana. “Se a demanda de carnes em geral de fato arrefecer a partir de 2022, é possível que lá adiante tenhamos produtores com aviários vazios e sem condições de pagar os investimentos”. Guadagnin reforça a necessidade de que as indústrias assumam contratos mais longos para dar segurança aos criadores. O valor acessado para investimentos em granjas avícolas aumentou em mais de R$ 100 milhões.

(Valor Econômico) ( Rafael Walendorff)



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