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Lucro da JBS dobra no 1º trimestre e supera R$ 1 bilhão

Impulsionada pela valorização do dólar, a JBS reportou ontem um lucro líquido de R$ 1,092 bilhão no primeiro trimestre, mais que o dobro na comparação com o ganho de R$ 506,5 milhões registrado no mesmo intervalo do ano passado.

Como a maior parte das vendas da JBS é gerada nas operações internacionais ou nas exportações - o mercado brasileiro representa menos de 15% do faturamento), a receita líquida é favorecida pela apreciação da moeda americana.

O dólar médio do primeiro trimestre foi de R$ 3,77, valorização de 14% ante a média de R$ 3,24 do mesmo intervalo do ano passado. Nesse contexto, a receita líquida da JBS aumentou 11,5%, passando de R$ 39,8 bilhões a R$ 44,3 bilhões.

Na mesma base de comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 14,4%, para R$ 3,2 bilhões. A margem Ebitda da JBS aumentou 0,2 ponto percentual, atingindo 7,2%.

Em entrevista ao Valor, o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, destacou o processo de alongamento do perfil da dívida feito pela companhia nos últimos meses. Segundo ele, o prazo médio de vencimento das dívidas passou de 4,3 anos para 6 anos. Com isso, a JBS não tem necessidade de ir ao mercado de dívida até 2025, ressaltou. "Isso nos coloca em uma sólida posição financeira para o crescimento", afirmou Tomazoni.

Mas a renegociação das dívidas continua. No Brasil, a JBS negocia com bancos a extensão de prazos, redução de juros e a liberação de garantias de algo entre R$ 7,5 bilhões e R$ 8 bilhões em dívidas que vencem em 2021.

Na área operacional, o executivo reafirmou a confiança na capacidade da JBS de aproveitar a oportunidade aberta pelo surto de peste suína africana na China, que já vem influenciado as exportações brasileiras (ver matéria abaixo). Sem mencionar concorrentes, Tomazoni argumentou que a JBS detém o "único parque fabril verdadeiramente global", com presença nas Américas, Europa e Oceania.

Além das boas perspectivas para a China, o CEO da JBS avaliou que o ciclo de produção é positivo para a três proteínas (bovinos, frango e suínos) produzidos pela empresa.

Nos EUA, a oferta de gado e a demanda por carne bovina permanecem positivas, apesar das adversidades climáticas do início do ano, disse Tomazoni. No primeiro trimestre, o inverno rigoroso atrapalhou a entrega de bois, pressionando a rentabilidade das operações americanas de carne bovina (JBS USA Beef), o negócio mais importante da empresa brasileira. No primeiro trimestre, a margem Ebitda dessa unidade de negócio recuou 0,9 ponto percentual na comparação anual, para 5%.

Para os negócios de frangos e suínos (Seara, no Brasil, e Pilgrim's Pride, nos EUA), o cenário também é positivo, avaliou Tomazoni. Segundo ele, a queda dos preços dos grãos usados na ração animal (milho e soja, basicamente) beneficiará as duas.

(Valor) (Luiz Henrique Mendes)



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