Agronegócios

FAO prevê avanço menor da demanda por commodities

Os preços da maioria das commodities agrícolas deverão continuar em queda em termos reais no futuro próximo, de acordo com projeções da FAO, agência das Nações Unidas para agricultura e alimentação.

Em debate entre especialistas sobre as tendências para as matérias-primas organizado pela Unctad, a agência da ONU para comércio e desenvolvimento, em Genebra, a representante da FAO, Katia Covarrubias, apontou uma desaceleração no crescimento da demanda nos próximos anos.

A análise da FAO se apoia numa equação composta por crescimento menor da população mundial, aumento de renda de 3,5% ao ano, preço do barril de petróleo em US$ 67 por volta de 2027 e desvalorização das moedas dos principal exportadores de commodities agrícolas.

Para Katia Covarrubias, haverá uma gradual substituição em certas áreas de consumo- carnes inclusive -, e o incremento do consumo de açúcar e óleos ampliará preocupações de saúde pública para combater a má nutrição.

Conforme a FAO, o valor global da produção agrícola deverá aumentar cerca de 15% até 2027. Entre as lavouras, o aumento tende a ser de 14,5%, na pecuária de 14,7% e na pesca de 12,4%. A maior parte das expansões refletirá alta de volumes.

Outros analistas mostraram que os índices de preços de alimentos continuam bem abaixo do pico. O preço internacional do açúcar, por exemplo, está 54% mais baixo que seu pico de janeiro de 2011. Já a cotação da carne bovina é 23% inferior ao pico observado em agosto de 2014.

Laurent Pipitone, diretor da consultoria FarmBridge International, de Londres, abordou as perspectivas para o mercado internacional de café. Destacou que a produção mundial deverá crescer 1,5% em 2018/19. O Brasil, maior produtor, aumenta seu volume em 19%, enquanto o resto do mundo tem declínio de 6%. Nos últimos cinco anos, o Brasil contribuiu com 52% do aumento global da produção.

O consultor destacou que as tensões no comércio internacional atingem também o comércio de café. China e Canadá aumentaram as tarifas de importação do café originário dos EUA. E quem ganha não é quem produz a commodity: exportações de US$ 20 bilhões de café resultam em ganho de US$ 200 bilhões para a rede de distribuidores.

Janvier Nkurunziza, chefe da divisão de commodities da Unctad, observou que as persistentes tensões comerciais entre os EUA e a China podem "amortecer" os preços de metais em 2019. Para a secretária-geral adjunta da Unctad, Isabelle Durant, a volatilidade persistente nos mercados de commodities inquieta porque 91 de 135 países em desenvolvimento são muito dependentes de poucas matérias-primas.

(Valor) (Assis Moreira)



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