Sábado, 25 de Janeiro de 2020
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Frango, ovo, milho e inflação; em dezembro, em 2019 e na vigência do real
Campinas, 10 de Janeiro de 2020 - Em dezembro, apenas o frango vivo comercializado no interior de São Paulo enfrentou redução de preço em relação ao mês anterior. Não porque tivesse sido escanteado em pleno período de Festas ou pela valorização que atingiu praticamente todas as proteínas de origem animal, mas porque a maioria dos abatedouros paulistas (quase todos pertencentes a integrações) atingiu grau de suficiência na criação própria de frangos que minimiza a oferta de aves criadas de forma independente.

Isso não ocorreu com o ovo que, na verdade, tornou-se o último bastião dos consumidores após as altas consecutivas e elevadas das demais carnes. Daí ter alcançado no mês, ao nível do atacado, valor um quinto superior ao de novembro/19 e – o que surpreendeu até mesmo o próprio setor produtivo – a melhor cotação mensal do ano que passou.

Embora aparentemente moderada frente, por exemplo, ao ganho obtido pelo ovo, a alta registrada pelo milho no mês passado – de quase 8,5% - fez com que o grão chegasse a dezembro com a maior cotação não apenas do ano, mas dos últimos três anos e meio. Aliás, o valor registrado na maior parte do mês, de R$50,50/saca, ficou muito próximo do recorde registrado no quadrimestre março/junho de 2016, ocasião em que o preço médio da saca do grão girou em torno de R$51,80.

Por força desse desempenho, o preço do milho registrado em dezembro apresentou valorização anual de, aproximadamente, 26%, índice bem inferior ao obtido pelo frango, de 8,84%. É verdade, neste caso, que a valorização obtida pelo ovo foi, no mínimo, surpreendente – de 52,58%. Mas parte desse ganho é apenas aparente, pois em dezembro de 2018 o ovo enfrentava redução anual (de, praticamente, 15%) no preço recebido. Aliás, o preço médio recebido pelo produtor em 2019 foi 11% menor que o de 2017.

No tocante às variações acumuladas desde a implantação do real no País, em julho de 1994, dispensável dizer que não só frango vivo e ovo, mas também o milho, perdem da inflação acumulada (aqui avaliada pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas).

No momento, quem perde menos é o milho, cujo preço médio em dezembro ficou cerca de 94 pontos percentuais aquém da inflação acumulada. Ou seja: pelo IGP-DI deveria ter sido comercializado por R$57,54/saca, mas ficou em R$50,36/saca.

Situação ainda menos favorável é registrada pelo frango vivo, pois seu preço em dezembro ficou cerca de 218 pontos percentuais aquém da inflação. Pelo IGP-DI, sua cotação teria girado em torno de R$4,51/kg, mas ficou a 71% desse valor, visto ter sido comercializado por R$3,20/kg.

Infelizmente, porém, nada se compara ao desempenho obtido pelo ovo, cujo preço médio em dezembro – considerado excepcional! – ficou 315 pontos percentuais abaixo do índice registrado pelo IGP-DI. E isso quer dizer que, em vez de ser comercializado por cerca de R$145,00/caixa, ficou a menos de 60% desse valor, visto a cotação média do mês ter sido inferior a R$84,00/caixa.


(AviSite) (Redação)
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