Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
Saúde Animal

Seminário paulista de Atualização sobre Influenza Aviária destaca importância da biosseguridade no processo avícola
Campinas, 12 de Abril de 2017 - A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Paulista de Avicultura (APA), o Instituto Ovos Brasil (IOB), a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) realizaram ontem na sede do Instituto Agronômico de Campinas (SP) o “Seminário paulista de atualização sobre Influenza Aviária”.

Foram realizadas palestras sobre as implicações de mercado dos recentes surtos de Influenza Aviária na Europa, Ásia e África, os surtos da doença nos Estados Unidos em 2014 e 2015 e o que tem sido feito para evitar que isso se repita no futuro, além da situação da Influenza Aviária nas aviculturas industrial e familiar nos países asiáticos.

O Secretário de Agricultura de São Paulo Arnaldo Jardim destacou na abertura do evento o esforço que o estado vem fazendo para proteger seu plantel. “Para o governo a sanidade avícola é prioridade. Vamos sanear o que possa comprometê-la e reitero que temos muito orgulho dos rígidos critérios adotados para manutenção do status de nossa avicultura”, disse.

Para o titular da Pasta, a integração vai ao encontro das diretrizes do governador Geraldo Alckmin, que se preocupa com o papel estratégico que a avicultura de postura e a de corte desempenham no Estado. “O setor é hoje supridor de proteína de qualidade, fundamental à alimentação saudável da população, mas é também decisivo na geração de empregos e mobilização de recursos, abrindo um cenário de oportunidades para o Brasil no mercado internacional”, avaliou.

Conforme ressaltou o presidente da APA, Érico Pozzer, o elevado status sanitário paulista e brasileiro foi responsável por evitar que as exportações de proteína animal fossem mais comprometidas, durante o recente episódio da Operação Carne Fraca. “Os responsáveis técnicos das empresas têm o compromisso de trabalhar incessantemente para manter a sanidade dos planteis de frangos, matrizes e poedeiras. O trabalho deve ser diuturno e esse seminário é uma boa oportunidade para buscar esse conhecimento”, afirmou.

Alberto Torres, Gerente de Exportação da Cobb-Vantress, presente ao evento, afirmou que a Influenza Aviária não aparece ‘da noite para o dia’. “É o resultado de uma série de erros, negligências e falta de critérios rígidos que comprometem toda a cadeia”, explicou. “Existem 196 países no mundo, dos quais, 77 já registraram focos de IA. Cada país deve criar seu sistema de defesa e cuidados específicos”, explicou.

Torres ainda destacou a compartimentação como fundamental para a manutenção do processo comercial entre os países. “Muitas questões que envolvem embargos às exportações não possuem relações diretas com as análises técnicas, sendo meramente políticas. Daí a importância da compartimentação para evolução mercadológica, inclusive com a separação clara entre os produtos. Pintinhos, carnes e ovos férteis, por exemplo, são produtos completamente diferentes e que não devem sofrer as mesmas sanções”, explicou e completou: “Este é um trabalho que depende de cada país. Cada um pode, e deve, fazer melhor para que a confiança entre os países não seja abalada”, disse.

Andrew Rhorer, ex-presidente do National Poultry Improvement Plan (NPIP), dos Estados Unidos, esteve presente em Campinas e detalhou todo o trabalho realizado pelo paíse diante do registro de focos da enfermidade. “A preocupação com o vírus hoje é constante e por isso os pré-acordos com os Departamentos governamentais envolvidos na cadeia avícola devem prever ações e auxiliar em casos de registro da presença do vírus”, disse. Rhorer foi acompanhado do Diretor da Cobb, Jairo Arenazio, que auxiliou os presentes com a tradução de sua palestra.

Ele ainda destacou os cuidados com o descarte das aves mortas como extremamente importante. “Nos EUA realizamos o trabalho de compostagem dentro de um sistema rígido de limpeza e desinfecção. É importante que somente sejam alojadas novas aves quando houver o menor risco possível de contaminação, com a checagem e rechecagem da biosegurança”, detalhou.

Ariel Mendes, Diretor Técnico da Associação Brasileira de Proteína Animal (APBA) avaliou como muito positiva a realização do evento.
“A informação é a base de tudo. Somente com informação podemos estabelecer a importância da biossegurança na avicultura. Este é um processo que depende de todos os envolvidos para a prevenção, e o produtor, empresas e demais atores da cadeia avícola estão cada vez mais conscientes da importância dos cuidados a serem tomados”, afirmou e completou: “Em caso de negligência e descumprimento das regras rígidas que estabelecemos, todos perdem e o produtor será impactado diretamente e por isso a importância da conscientização”.

Para finalizar o evento, o setor oficial apresentou as ações de prevenção à doença desenvolvidas no Brasil pelo Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Secretaria da Agricultura de São Paulo e Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Agropecuária (Fonesa).

Compartimentação

A utilização da compartimentação industrial - que permite que, mesmo no caso de surtos de determinadas enfermidades em um Estado ou região, a empresa compartimentada possa continuar a exportar - é uma das alternativas apontadas por especialistas internacionais para proteger a produção e exportação avícola.

No Brasil, a empresa Cobb-Vantress foi a primeira a receber o documento, emitido pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em suas unidades de Gaupiaçú, em São Paulo, e ainda em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná (leia mais aqui). “Para isso, buscamos em 2005 uma orientação de especialistas nos Estados Unidos, que também estão iniciando o processo para melhorar a prevenção e o combate à doença”, disse o diretor-executivo da Cobb-Vantress no Brasil, Jairo Arenazio.

Nos Estados Unidos, o processo teve início em 2008 com as casas genéticas, como explicou Andrew Roher, ex-presidente do National Poultry Improvement Plan (NPIP), o Plano Nacional de Sanidade Avícola norte-americano. “É um processo muito novo para a indústria norte-americana, que exigiu muitas resoluções para que o governo pudesse apoiar”, explicou o especialista, que falou sobre o tema durante o seminário.

Para o gerente de exportações veterinárias da Cobb-Vantress, Alberto Torres, que apresentou uma reflexão sobre as implicações de mercado dos recentes surtos de Influenza Aviaria na Europa, Ásia e África, é preciso buscar as equivalências de padrão entre os países para promover a continuidade do comércio exterior. “Os países precisam reconsiderar políticas de comércio bilateral e buscar a regionalização e compartimentação, alternativas viáveis para evitar a interrupção das operações comerciais”, disse.

Para o titular da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, Fernando Buchala, “a CDA, por meio do Programa Estadual de Sanidade Avícola, está reforçando o planejamento operacional para possibilitar o aumento das atividades de vigilância sanitária e a atenção em relação às medidas para atender às suspeitas de casos de Influenza Aviária”.

O debate teve ainda a participação do vice-presidente de saúde animal do Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Agropecuária (Fonesa), Fabiano Fiúza; do chefe de Divisão de Sanidade das Aves do Mapa, Bruno Pessamilio; e da diretora da Divisão de Doenças de Transmissão Respiratória da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Telma Carvalhanas.

O impacto da doença na avicultura industrial e familiar nos países asiáticos foi abordado por Marcelo Paniago, representante da empresa de saúde animal Ceva Ásia.

(Ovosite) (Redação)
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