Ciência e Tecnologia

Berlim comercializa “ovo que não mata”

O prestigiadíssimo jornal britânico The Guardian encerrou 2018 publicando reportagem na qual informa que “o primeiro ‘ovo que não mata’ do mundo está sendo comercializado na cidade de Berlim, capital da Alemanha”. Esse ovo não mata – explica The Guardian – porque a galinha que o produziu teve o seu sexo determinado “in-ovo”, isto é, antes que a pintainha eclodisse. Eliminou-se, assim, o posterior sacrifício do macho. A reportagem não diz quantos “ovos que não matam” foram produzidos ou quantos machos deixaram de ser sacrificados em sua produção. Apenas procura demonstrar que um desafio do governo alemão começa a se tornar realidade. Foi em 2015 que o Ministério da Agricultura da Alemanha – em busca de uma resposta aos sacrifícios maciços de machos nos segmentos de postura e de reprodução e às crescentes críticas dos defensores do bem-estar animal – subsidiou (com 1 milhão de euros) projeto para tornar economicamente viável o trabalho de um pesquisador da Universidade de Leipzig. Na época, o pesquisador em pauta, Professor Almuth Einspanier, chamava a atenção da comunidade científica por haver desenvolvido um marcador químico – similar aos testes de gravidez – capaz de detectar um hormônio presente em grandes quantidades nos ovos férteis de aves fêmeas. Misturado ao fluído extraído no nono dia de incubação de ovos fertilizados, o marcador propiciava, segundo a cor, uma resposta com 98,5% de acerto: azul para uma ave macho; branco, para uma futura pintainha (resultado que valida, parcialmente, a tese de certa ministra brasileira: a de que sexo tem cor). Encontrada a fórmula para detectar precocemente o sexo da ave nascitura, a questão seguinte foi torná-la não apenas prática, mas também menos invasiva. A resposta foi propiciada pela tecnologia: um raio laser abre um buraco de 0,3 mm na casca e, a seguir, uma pressão de ar externa faz com que uma gota do fluído do ovo saia pelo buraco. O processo – afirmam seus idealizadores - leva apenas um segundo e permite que o fluído seja coletado sem que haja toque humano nos ovos manipulados. O desenvolvimento comercial do “ovo que não mata” é da empresa alemã “Seleggt” (www.seleggt.com) em parceria com a fabricante holandesa de incubadoras Hatch Tech (www.hatchtech.com). Não há por ora, informações acerca da capacidade de processamento da nova técnica, mas está claro que ela é limitada, pois apenas um supermercado de Berlim comercializa os ovos provenientes das poedeiras pré-sexadas. Clique aqui https://www.theguardian.com/environment/2018/dec/22/worlds-first-no-kill-eggs-go-on-sale-in-berlin para acessar a íntegra, em inglês, da reportagem feita pelo The Guardian. Notar que o jornal diz que o processo patenteado pela “Seleggt” pode determinar o sexo de um pintinho apenas nove dias depois de um ovo “ter sido fertilizado”. Porém, o correto, neste caso, é “no nono dia de incubação”. Adicionalmente, como curiosidade, acesse o texto “Alemanha pretende, em dois anos, acabar com “machos” de postura”. https://www.avisite.com.br/index.php?page=noticias&id=16063 Ele foi publicado pelo AviSite há cerca de três anos e meio, em 15 de julho de 2015.

(AviSite) (Redação)



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