Sábado, 25 de Janeiro de 2020
Mercado

Disparada da carne bovina testa limites da demanda

Preços começaram a ceder no atacado de SP e também na China
São Paulo, 29 de Novembro de 2019 - Alexandre Mendonça de Barros: Após disparada, cotações do boi gordo podem enfrentar “ressaca” no início de 2020 — Foto: Silvia Zamboni/Valor

Na boca do povo, a disparada do preço da carne não é sustentável e já enfrenta resistências no atacado e até na China, apontada como a principal responsável pela escalada do boi gordo em novembro - o animal alcançou valor recorde. Entre analistas e traders, é consenso que a cotação está fora da realidade e há quem diga que um rápido movimento de ajuste nos preços deverá ocorrer ainda em dezembro, apesar da demanda de Natal.

Ontem, os contratos futuros de boi gordo negociados na B3 registraram forte desvalorização, o que foi interpretado como um presságio do que estaria por vir. Os papéis para dezembro - os mais negociados - recuaram quase 5%, cotados a R$ 215,25 por arroba. Trata-se de um nível bem aquém do registrado no mercado físico. Na quarta-feira, o boi gordo era negociado perto de R$ 230 a arroba no Estado de São Paulo, de acordo com o indicador Esalq/B3.



“Acho que já chegou o momento da ressaca”, avaliou a sócia-diretora da consultoria Agrifatto, Lygia Pimentel. Na última segunda-feira, em evento promovido pela Minerva Foods, o economista Alexandre Mendonça de Barros também usou o termo “ressaca” para se referir ao ajuste de preços que tende a ocorrer para equilibrar o mercado. Na ocasião, ele estimou que isso deve acontecer depois da virada do ano.

Para Lygia, os frigoríficos já não conseguem repassar a alta do boi, matéria-prima responsável por 80% dos custos de produção, aos atacadistas. Na semana passada, houve quem tentasse vender a carcaça bovina a R$ 16 por quilo, mas as negociações engasgaram e o preço fechou em R$ 15,50. “E agora está saindo a R$ 15”, ressaltou ela.

Vale notar, porém, que esse ainda é um nível elevado para os padrões normais. De acordo com o consultor de agronegócios do Itaú BBA, César Castro Alves, o preço histórico da carcaça bovina é de R$ 11 o quilo. “Não tem como sustentar”, disse Alves, lembrando que 70% da carne bovina produzida no Brasil fica no mercado doméstico - a China responde por 35% das exportações.

Nesse cenário de ajuste das cotações da carne- ainda que para um nível acima da média história -, os preços do boi gordo terão de ceder mais, indicou o sócio-diretor da consultoria Athenagro, Maurício Nogueira. Pelos cálculos do especialista, o atual preço da carne remuneraria bem um frigorífico se a cotação do boi estivesse entre R$ 190 e R$ 195 por arroba. “Para pagar R$ 230 pelo boi, o preço da carne teria que subir muito mais”, acrescentou o agrônomo.

Como o atacado já está demonstrando resistência, o contrário deve ocorrer, acredita Michel Tortelli, da Finpec, que atua na engorda de gado em confinamento. Segundo ele, os próprios frigoríficos farão pressão nesse sentido, dado que as indústrias sem habilitação para exportar à China já trabalham com margens baixísismas. “Quem opera só no mercado interno está provavelmente com a corda no pescoço”, concordou Alves, do Itaú BBA.

Além disso, os próprios chineses começaram a fazer jogo duro para reduzir os preços. O preço do dianteiro bovino exportado para a China, que chegou a ser negociado por US$ 7,5 mil tonelada - patamar extremamente rentável -, recuou para US$ 6,5 mil, disse um executivo de um grande frigorífico. No mercado interno do país asiático, os preços também cederam ligeiramente na última semana. Nesse cenário, há relatos de que os preços do dianteiro bovino poderão cair a US$ 5,6 mil em 2020, o que ainda seria bom para os frigoríficos, mas insuficiente para sustentar a euforia do boi a R$ 230.

Para a indústria processadora de carnes, a acomodação dos preços da carne bovina é fundamental para recompor as margens. Em entrevista ao Valor, o diretor-executivo da Wessel - especializada em hambúrguer -, Cleberson de Souza, disse que, em alguns contratos com redes de restaurantes, chegou a trabalhar com margens praticamente zeradas. “O food service não pode aumentar o preço de uma hora para a outra”, afirmou ele, que só repassou a alta dos preços da carne nos contratos com varejistas e atacadistas.



Pelos sinais que sente no mercado, o diretor da Wessel, que trabalhou muitos anos na Marfrig Global Foods, acredita que a resistência do atacado aos preços da carne bovina deve chegar às cotações do boi gordo já em dezembro. “Acho que, quando a arroba assentar, vai ficar entre R$ 180 e R$ 190”, projetou ele.

A acomodação de preços, porém, não significa que a carne voltará aos níveis do primeiro semestre, ponderaram os analistas. “O patamar mudou”, disse Lygia, da Agrifatto, ressaltando que o preço médio do boi e da carne ficará mais caro em 2020 na comparação com este ano. O ciclo da pecuária, com maior retenção de vacas, também colabora para um animal mais caro, em média, acrescentou Lygia.
Para os pecuaristas eufóricos com o cenário - o preço do boi subiu 34% em novembro -, a cautela é uma boa conselheira, disse Alves, do Itaú BBA. Segundo ele, não se deve comprar bezerros esperando que o boi gordo continue sendo negociado a preços recorde nos próximos anos.
(Valor) (Luiz Henrique Mendes)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Sábado, 25/01
Sexta-Feira, 24/01
Biocamp lança uma novidade para o setor avícola na IPPE 2020 (16:28)
Agronegócio é responsável por 77% das exportações do PR (12:30)
CNA revela interesse indiano pela tecnologia brasileira de produção de frango (12:17)
O apetite da Tyson Foods pelo Brasil (12:15)
EUA pedem à Índia até US$ 6 bilhões em compras de produtos agrícolas, inclusive frango (12:12)
Secretário de Indústria e Comércio do Tocantins visita empresas no Bico do Papagaio (12:10)
Frango: baixa liquidez e estoques elevados pressionam valor da carne (10:01)
Congresso de Ovos 2020 divulga slogan: “Ovo: Alimento forte por natureza” (09:58)
Milho cai nesta 6ª feira em Chicago à espera do relatório do USDA (09:55)
Boi Gordo: semana foi marcada por redução dos abates em SP (09:31)
Time técnico da Wisium será destaque em evento internacional (09:20)
Aviagen “Breeding Sustainability” em destaque na Feira de Atlanta (09:10)
Futuros de gado tropeçam para baixa de dois meses antes do relatório do USDA (09:00)
Em setembro, Florianópolis sediará a 13ª edição do Simpósio da ACAV (08:50)
Na China, comércio de animais vivos favorece novos vírus (08:43)
Mantiqueira e Zona Sul lançam experiência gratuita no Rio de Janeiro (08:27)
União Europeia suspende importação de carne de frango da Ucrânia (08:18)
Frango: ave no atacado segue com preço em queda (08:00)
Suínos: animal vivo segue tendo queda de preço nas principais praças produtoras (07:50)
Preço da carne sem osso registrou desvalorização de 13,6% em relação ao início do ano (07:36)
Milho se fortalece em Chicago após anúncio de vendas americanas nesta 5ª feira (07:34)
Soja: maior competitividade do Brasil mantém pressão sobre mercado de Chicago (07:33)
Soja: enquanto negócios com os EUA só devem sair a partir de 15 de fevereiro, China compra no BR (07:30)
Quinta-Feira, 23/01
Brasil pede à Índia corte de taxas de importação sobre produtos de frango (13:18)
Cotações do milho no mercado físico estão sustentadas (12:45)
Boi Gordo: negócios no mercado físico em SP é mínimo (12:40)
Evonik lançará Porphyrio® durante o IPPE, em Atlanta (12:35)
Cobb-Vantress destaca perdas com miopatias em aves em evento no RS (12:34)
Avicultura de postura nordestina evolui com o apoio de grandes parceiros (12:32)
CEPEA: cotações da carne e do Boi Gordo recuam na parcial de janeiro (11:38)
Sócia da Tyson Foods, gaúcha Vibra prepara investimentos no país (10:21)
Suínos: relação de troca por insumos aumenta (09:49)
Milho registra pequenos ganhos no começo desta quinta-feira em Chicago (09:36)
Soja: mercado em Chicago dá continuidade ao movimento de baixas nesta 5ª feira (09:35)
BRF desmente rumores de que a China estaria renegociando contratos de exportação de carnes (09:11)
Na China, vender carne é um negócio para os gigantes? (09:11)
Não precisamos desmatar para comer, basta aumentar a produtividade, diz Tereza Cristina (09:08)
Frango: movimentações lentas e atacadistas querendo escoar estoques (08:25)
Suínos: mais um dia de quedas para o animal vivo (08:24)
Cotação da arroba do Boi Gordo registra queda de 1,7% em uma semana (08:23)
Na Índia, ministra busca ampliar e diversificar comércio e cooperação (08:23)
Avicultura mineira recupera preços mas tem pressão de custo (08:21)
Mercado do boi segue pressionado (08:20)
Sindicarne diz que saída de animais do PR compromete abastecimento local (08:15)
Recuo nos preços da carne bovina faz juros fecharem nas mínimas históricas (08:13)
Milho fecha a 4ª feira com cotações em campo misto na Bolsa de Chicago (08:05)
Soja fecha com portos estáveis no Brasil nesta 4ª feira (08:00)
Soja registra queda em Chicago nesta 4ª feira (07:30)
Quarta-Feira, 22/01
Primeiro trimestre na suinocultura com oportunidades surgindo de riscos (11:51)
Vagas do Condomínio Avícola serão ampliadas com novo galpão em 2020 (10:55)
Suínos: mercado futuro pressionado em meio à incerteza sobre a demanda chinesa (10:49)
Negócios no mercado físico do milho voltaram ao normal (10:40)
Boi Gordo: volume de negócios no mercado físico está baixo em SP (10:35)
Queda no poder de compra do pecuarista em relação ao farelo de soja (09:51)
Preços firmes do milho no mercado interno (09:48)
China derruba rentabilidade dos frigoríficos (09:09)
SENAC Aclimação recebe Instituto Ovos Brasil, abrindo o calendário de ações (08:45)
Frango: tendência é de recuo nos preços nos próximos dias (08:19)
Mapa reconhece inspeção de produtos de origem animal da Serra Catarinense e de Itapetininga (SP) (08:19)
Suínos: 3ª feira de quedas nas cotações (08:17)
Carne bovina: queda no varejo em SP e altas em MG e RJ (08:14)
Mercado registra embaraço nas exportações de carne bovina (08:05)
Boi: mercado futuro encerra a sessão desta 3ª feira sem grandes movimentações na B3 (08:00)
Mercado brasileiro de soja sustenta otimismo com competitividade forte e concentração da demanda; milho exige cautela (07:57)
Milho cai em Chicago nesta 3ª feira à espera de compras chinesas (07:50)
Escassez de oferta entre abril e junho pode levar milho a patamares recordes (07:48)
Mercado da soja para produtor brasileiro é favorável em 2020 (07:47)
Soja: Chicago fecha 3ª feira com baixas na CBOT (07:45)
Na Índia, ministra busca ampliar e diversificar comércio e cooperação com país asiático (07:45)
Terça-Feira, 21/01
PIB-AGRO/CEPEA: movimento de alta segue firme, com sustentação vinda da pecuária (15:41)
AB Vista vai apresentar o primeiro produto 'stimbiótico' no IPPE 2020 (14:47)
Soja: mercado recua em Chicago nesta 3ª feira (14:26)
Carnes: exportações aceleram em 2020 (12:44)
PIB do agro acumula alta de 1,15% até outubro de 2019 (12:35)
Obrigado ao Agronegócio por 2019 (11:19)
Fluxo de negócios no mercado físico do milho está ligeiramente maior (10:49)
Alemanha confirma caso de gripe aviária H5N8 em aves selvagens (10:37)
Ucrânia relata primeiro caso de gripe aviária H5 em três anos (10:22)
Alemanha e Polônia discutem nova ação para prevenir a peste suína (09:55)
Boi Gordo: ausência de negócios está reduzindo os estoques da indústria de SP (09:46)
Milho: Bolsa de Chicago volta do feriado com queda para as cotações (09:45)
Mapa negocia R$ 1,5 bilhão para apoiar contratação do seguro rural em 2021 (09:42)
Exportações brasileiras de milho em janeiro estão 35,6% menores do que mesmo mês de 2019 (09:00)
Frango: aumento para a ave viva em São Paulo chega a 12% (07:55)
Produção de suínos deve crescer 4% em 2020; exportações aumentarão 15% (07:50)
Boi: frigoríficos seguem fora das compras de animais e atentos as vendas no atacado (07:45)
Milho: mercado interno não registra movimentações nesta segunda-feira (07:40)
Soja: Mercado brasileiro inicia semana com preços estáveis (07:35)