Sábado, 14 de Dezembro de 2019
Exportação

Frigoríficos de carne bovina vislumbram ‘superdemanda’

Cenário positivo para as vendas decorre do aumento das importações da China
Colônia (Alemanha), 09 de Outubro de 2019 - É nítida a euforia das empresas brasileiras de carne bovina representadas na Anuga, maior feira de alimentos do mundo que acontece a cada dois anos na Alemanha. Embaladas pelo aumento das importações da China, JBS, Marfrig e Minerva, entre outras, veem os volumes de vendas crescerem, os preços subirem e as ações dispararem na bolsa. As recentes autorizações de Pequim para que mais frigoríficos brasileiros exportem ao mercado chinês puseram mais lenha na fogueira, e o horizonte é cada vez mais promissor.

Com uma cadeia produtiva de ciclo mais longo que a das carnes de frango e suína, o segmento de carne bovina já especula, inclusive, sobre a possibilidade de formação de uma onda de “superdemanda” alimentada pelas compras do país asiático, que enfrenta uma grave epidemia de peste suína africana e tem sido obrigado a ampliar as compras de proteínas no exterior. E essa onda poderá acirrar a concorrência por carne bovina e gerar forte alta dos preços. “No primeiro semestre talvez o mundo não consiga atender à demanda da China", afirmou ao Valor o diretor de exportação da Minerva Foods, Leonardo Alencar, na Anuga.

Com o plantel de porcos da China em queda por causa da peste suína - que já foi identificada também em outros países da Ásia e do Leste Europeu - os preços da carne suína quase dobraram no mercado chinês desde março, de acordo com relatório do banco Credit Suisse. De janeiro a agosto, as exportações brasileiras de carnes em geral para a China somaram US$ 2,1 bilhões, ou 21,2% de um total que alcançou US$ 9,9 bilhões. Só de carne bovina, os chineses compraram US$ 1 bilhão.

A conjuntura também anima frigoríficos de porte médio como o paulista Frigol, que acaba de sair de uma recuperação judicial e vê a chance de mudar seu perfil e se tornar essencialmente exportador. Dois meses atrás, a empresa tinha apenas uma planta, em Lençóis Paulistas (SP), apta a embarcar carne bovina in natura para a China e tinha cerca de 30% de sua receita proveniente de vendas ao exterior. Com a habilitação de mais uma unidade em setembro, em Água Azul do Norte (PA), a fatia deve crescer para 50%, segundo o CEO Luciano Pascon.

Diferentemente do que acontece na área de carne suína, na bovina as boas perspectivas não dependem necessariamente de que novas plantas sejam autorizadas a exportar à China. Seria mais importante, por exemplo, que o país asiático deixasse de aceitar apenas carne abatida de um “boi jovem” - ou seja, de até 30 meses de idade -, exigência imposta após o caso atípico de “vaca louca” identificado no Paraná em 2012. Os vizinhos Uruguai e Argentina são concorrentes que não precisam seguir essa regra.

O Valor apurou que a suspensão dessa restrição é uma proposta que está sobre a mesa da ministra Tereza Cristina, mas que há outras prioridades. É possível que a China abra primeiro seu mercado para a carne industrializada do Brasil (enlatados, hambúrgueres etc), o que poderá ser anunciado já na próxima viagem do presidente Jair Bolsonaro ao país, agendada para este mês de outubro.

Outra preocupação da ministra é com a sanidade dos produtos vendidos pelos frigoríficos brasileiros à China, e ela já pediu às empresa que redobrem cuidados com os requisitos exigidos por Pequim. “Essa euforia não se traduzirá em resultados se o setor não fizer sua parte e se adequar às normas”, diz uma fonte do governo. “O Brasil tem como melhorar sua produtividade em carne bovina por causa desse cenário na China, mas tem que tomar todos os cuidados”, concorda um executivo do ramo.

No caso da carne de frango, cuja cadeia produtiva é mais curta que a de bovinos, a expectativa gerada pela China, embora o risco de superprodução exista (ver Risco de sobreoferta já entra no radar da avicultura no Brasil), também beira a euforia. Jair Meyer, superintendente de suprimentos e alimentos da cooperativa paranaense LAR, afirma que todas as proteínas animais se beneficiam da crise da peste suína na China, mas que a carne de frango, por ser mais barata, tende a ser ainda mais favorecida.

“Há uma demanda latente e mais regular da China por cortes de perna de frango e oportunidades para o peito de frango. O segmento deverá ter bons anos pela frente”, afirmou. A LAR tem duas plantas aptas a exportar à China e foi uma das primeiras a embarcar peito de frango para ao país asiático, em setembro - já um sinal da mudança do padrão chinês de importação de proteínas.

Nesse caso, novas habilitações chinesas serão bem-vindas, e a China já sinalizou que tem essa intenção, conforme apurou o Valor. No momento, as negociações em curso entre os dois governos indicam que Pequim poderá autorizar pelo menos as nove unidades que estavam na lista de 34 enviada pelo Brasil e ficaram de fora da relação de 25 plantas recentemente autorizadas (17 de carne bovina, seis de carne de frango, uma de carne suína e uma de carne de jumento).

Procurada, a ministra Tereza Cristina se limitou a dizer que o Ministério da Agricultura levará mais plantas de aves, bovinos e suínos para habilitação da China. “Estamos no ritmo combinado com os chineses. Se eles demandarem mais, vamos levar mais, sem nenhum açodamento”.

O jornalista viajou a convite da Minerva
(Valor) (Cristiano Zaia)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Sábado, 14/12
Sexta-Feira, 13/12
ICC Brazil apresenta resultados de pesquisa sobre a suplementação de parede celular de levedura no ATA 2019 (16:26)
Com o mercado enxuto, produtor está menos disposto em negociar o milho (12:51)
Boi Gordo: pressão de baixa da indústria foi grande durante esta semana (12:40)
Frango: proximidade das festas reduz demanda por carne de frango (10:50)
Milho abre a sexta-feira mantendo as valorizações em Chicago (10:40)
Acordo EUA-China reduz tarifas e tensão comercial (10:26)
Preços vão subir, e mais milho será importado (10:25)
Líder do MDB articula projeto para reduzir preço da carne (10:24)
STF decide que é crime deixar de recolher o ICMS declarado (10:22)
Alimentação Animal registra 3% de crescimento ao fim do terceiro trimestre (08:15)
Frango: mercado fraco nesta 5ª feira (08:07)
Exportações de suínos até novembro são recordes para o período (08:01)
Suínos: animal vivo segue valorizado (08:00)
Boi: reposição é a mais favorável ao recriador desde Fev/13 (07:52)
Preço da arroba do boi deve continuar elevado em 2020, vê CFO da Marfrig (07:51)
Pressão no mercado do boi gordo (07:50)
Soja em Chicago fecha com leve alta (07:42)
Milho se valoriza em Chicago (07:40)
Plusval abre inscrições para processo seletivo (07:33)
Quinta-Feira, 12/12
Coopavel: 32 perguntas e respostas sobre o 32º Show Rural (17:07)
Produção de ovos bateu novo recorde no 3º trimestre de 2019, aponta IBGE (11:16)
IBGE: abate de frangos cresceu 3,0% em relação ao trimestre anterior (11:15)
Avicultura: Verão 2020 com alimentação nutritiva e saudável (11:11)
‘Nova’ CPR promete injetar bilhões no campo (10:05)
Quarta-Feira, 11/12
Termina nesta semana, dia 13/12, prazo para entrega de trabalhos científicos para o Congresso de Ovos da Apa (14:30)
Boi Gordo: mercado físico mostra resistência em trabalhar em valores menores (13:08)
Milho segue caindo em Chicago, mas perspectiva é de retomada nos próximos dias (12:42)
Soja corrige preços nesta 4ª feira na Bolsa de Chicago (12:30)
ABPA lança site da campanha #BrLivredePSA (11:00)
China impulsiona embarques recorde de frigoríficos (09:37)
STF encerra disputa sobre cesta básica (09:35)
Kemin anuncia investimentos em Transformação Digital (08:49)
Protegendo a qualidade da carne de frango (08:44)
Avicultura 4.0 – Um novo horizonte no processo avícola (08:39)
Exportações do agronegócio são recordes, mas faturamento externo cai (08:34)
Desafios do Brasil na defesa sanitária animal (08:32)
Frango: cotações estagnadas nesta terça-feira (08:20)
Suínos: mercado aquecido nesta terça-feira (08:10)
Reino Unido registra caso de gripe aviária pela 1ª vez desde 2017 (08:10)
Boi gordo caiu 6,7% em São Paulo em dezembro (08:09)
Para evitar o tombo, o mercado boi do busca equilíbrio (08:06)
Exportações de carne bovina devem fechar 2019 com resultado recorde (08:05)
Milho encera 3ªfeira em campo misto na Bolsa de Chicago (08:04)
Soja fecha com leve alta nesta 3ª feira em Chicago (08:00)
Safra de grãos de 2020 será recorde e deverá chegar a 240,9 milhões de toneladas (07:50)
Terça-Feira, 10/12
Ovos RS: Ano VII apresenta balanço das atividades e prestação de contas 2019 (11:25)
Boi Gordo impulsiona IPPA/CEPEA em novembro (10:41)
Boi: Mercado físico esteve praticamente vazio de negócios em SP (09:55)
Safra 2020 deve bater recorde de 240,9 milhões de toneladas (09:54)
Milho: Chicago inicia a terça-feira com estabilidade após leve avanço na colheita (09:32)
Frango: mercado misto, mas com expectativa de atividade até o fim da quinzena (08:22)
Suínos: segunda-feira registra mercado aquecido, principalmente SP (08:19)
Soja: mercado fecha com boas altas em Chicago nesta 2ª e favorece preços nos portos do BR (07:57)
Soja em Chicago segue em alta com notícias de compras chinesas nos EUA e recuo do dólar (07:56)
Exportação de milho do Brasil já supera 40 mi t no acumulado do ano (07:55)
Cotações do milho fecham a sessão desta 2ª feira com leves baixas em Chicago (07:50)
Contratações de crédito rural da Safra 2019/2020 somam R$ 93,5 bilhões (07:45)