Sábado, 21 de Setembro de 2019
Matérias-Primas

Soja: preços no Brasil driblam quedas de Chicago e sobem até 4% no interior nesta 2ª
Campinas, SP, 13 de Agosto de 2019 - Os preços da soja fecharam o pregão desta segunda-feira (12) com perdas de mais de 12 pontos - pouco mais de 1% - na Bolsa de Chicago depois dos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O milho fechou o dia com limite de baixa na CBOT, perdendo 25 pontos, e contaminou o mercado da oleaginosa, que recebeu um relatório neutro neste início de semana.

Analistas nacionais e internacionais já acreditavam na hipótese de que o milho poderia ser, de fato, a surpresa deste novo boletim mensal de oferta e demanda de agosto, porém, no caminho inverso. Se esperava, afinal, uma considerável revisão para baixo nos números de produção, produtividade e área norte-americanos e o USDA trouxe, por outro lado, um aumento do rendimento e da safra 2019/20 de milho dos EUA.

No entanto, o dia não foi negativo para os preços da soja no Brasil como no mercado futuro norte-americano. A alta de mais de 1% do dólar ajudou as referências nacionais a driblarem a pressão das cotações em Chicago e, em muitos locais, chegaram até a registrar valorizações bastante fortes.

Em Sorriso, Mato Grosso, tanto a soja disponível quanto a balcão subiram mais de 4% nesta segunda-feira, para terminarem os negócios com R$ 69,00 e R$ 65,00 por saca, respectivamente. Em São Gabriel do Oeste, Mato Grosso do Sul, a alta foi de 2,86% para R$ 72,00 e de 2,16% no Oeste da Bahia, para R$ 71,00/saca.

O principal suporte para as cotações no mercado nacional veio do dólar. Ao longo do dia, a moeda americana chegou a superar os R$ 4,00 pressionado pela aversão ao risco no exterior, alimentada, principalmente, pela situações da Argentina e da guerra comercial entre China e Estados Unidos.

No fechamento do dia, a divisa ficou com R$ 3,9837 e alta de 1,06%, registrando seu mais elevado patamar de fechamento desde maio último.

"Esperamos que a incerteza continue elevada em agosto conforme o próximo capítulo da guerra (comercial) entre EUA e China se desenrola", disseram estrategistas do Bank of America em nota a clientes. "A América Latina parece ser a região mais exposta dentre os emergentes", acrescentaram, segundo noticia a agência Reuters.

Além disso, a demanda interna aquecida também ajuda a criar um colchão para os indicativos da oleaginosa no mercado nacional. Segundo o consultor em agronegócios Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios, as esmagadoras disputam a soja remanescente para garantir seu abastecimento até o final do ano, o que ajuda os preços a manterem uma tendência de alta.

E como explicou o diretor do Grupo Labhoro, Ginaldo Sousa, apesar de toda essa euforia em todas as frentes, o dia foi 'calmo' para o mercado brasileiro da soja. Os vendedores mantiveram sua cautela, os negócios foram escassos diante das incertezas trazidas pelo mercado internacional.

"Amanhã é outro dia e a soja pode até reagir positivamente (em Chicago), porque seus preços foram contaminados pelo limite de baixa do milho", disse, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta segunda.

Nos portos, a pressão de Chicago parece ter sido mais intensa e as cotações tiveram um leve recuo. As baixas foram de 0,60% a 0,61% entre os portos de Paranaguá e Rio Grande, com as referências entre R$ 81,50 e R$ 83,50 por saca.
(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)
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