Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019
Exportação

América Latina mostra força na exportação agropecuária
Genebra, Suíça, 10 de Julho de 2019 - A América Latina e o Caribe deverão consolidar sua posição de maior região exportadora de produtos agropecuários nos próximos dez anos, com o Brasil em posição central na produção e nos embarques de produtos como soja, milho, carnes, açúcar e café. A projeção é da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da agência da ONU para agricultura e alimentação (FAO), que publicaram na manhã de ontem o relatório "Perspectivas Agrícolas 2019-2028".

Como mostraram os relatórios anuais anteriores divulgados pelos dois órgãos, ao longo dos anos 2000 as Américas em geral reforçaram sua posição de grandes fornecedoras globais de alimentos. Para os próximos dez anos, as perspectivas são especialmente favoráveis para a América Latina e o Caribe, que ainda têm terras disponíveis para a expansão da produção e água abundante. A região já representa 14% da produção e 23% das exportações mundiais agropecuárias e de pescados. Até 2028, a fatia nas exportações deverá superar 25%, o que a consolidará como líder mundial no fornecimento de produtos do agronegócio.

O ritmo de crescimento da produção na América Latina - incluindo o México - e no Caribe deverá arrefecer ligeiramente entre 2019 e 2028, mas ainda assim, segundo OCDE e FAO, chegará a 22% no caso dos cereais e a 16% nos produtos da pecuária - 7 e 2 pontos percentuais acima das progressões médias globais previstas, respectivamente. A desaceleração da produção será definida pelo desempenho das exportações, o que mostra a importância de uma maior abertura do comércio global para a região. Liderados pelo Brasil, os embarques de açúcar deverão crescer 6,9%, os de trigo e arroz aumentarão 23% e 24%, respectivamente, e os de oleaginosas, encabeçados pela soja, 40,5%. Também até 2028 as vendas externas de carne bovina tendem a avançar 57%, as de carne suína vão aumentar 33% e as de carne de frango subirão 27%.

Segundo o relatório de OCDE e FAO, as exportações agropecuárias da América do Norte (Estados Unidos e Canadá), por sua vez, deverão registrar incremento mais moderado nos próximos dez anos. Os embarques da Austrália e da Nova Zelândia continuarão estáveis, como estão há duas décadas, enquanto a Europa, incluindo Rússia e Ucrânia, consolidará sua transformação de importadora a exportadora líquida de produtos agrícolas, em parte pela estagnação de sua população. O crescimento da produção, puxado sobretudo por Rússia e Ucrânia, importantes players nos mercados de trigo e milho, respectivamente, será determinante nesse processo.

Conforme OCDE e FAO, América Latina e Caribe estarão em condição privilegiada de atender à dinâmica demanda por alimentos da África Subsaariana, da Índia e da China, por exemplo. Mas a China, que estimulou o crescimento da demanda mundial por produtos agropecuários nos anos 2000, verá esse aumento diminuir nos próximos dez anos, embora o fluxo vá continuar robusto. A participação chinesa nas importações globais de soja passou de menos de 30%, no início da década passada, para mais de 60%; nas de leite, a fatia subiu de 10% a 20%. Segundo o estudo, essas proporções não vão mudar entre 2019 e 2028.

A maior parte das commodities agrícolas analisadas no relatório deverão registrar baixas em seus preços reais de cerca de 1,2% ao ano na próxima década, em razão do crescimento da produtividade. No caso de produtos como óleo, leite em pó e etanol, a tendência é de estabilidade ou de pequenas valorizações.

Sempre conforme OCDE e FAO, a produção agropecuária deverá crescer 15% no planeta nos próximos dez anos, sem grandes alterações na dinâmica de uso da terra. A expansão será dividida essencialmente entre países emergentes e em desenvolvimento, graças à disponibilidade de recursos naturais na América Latina e à aceleração da demanda na Índia e África, por exemplo. O avanço da produção será bem mais modesto na América do Norte e na Europa, onde as produtividades em geral já atingiram níveis elevados e as políticas ambientais limitam possibilidades de expansões expressivas.

Já o consumo global deverá aumentar 1,2% no caso dos cereais, 1,7% no de produtos de origem animal, 1,8% no de açúcar e óleos vegetais e 1,9% no de leguminosas.

No mercado de cereais, as exportações deverão crescer no rastro do aumento da oferta de milho, o que deverá compensar a queda nas vendas de trigo e de cereais secundários. A demanda por cereais deverá aumentar mais para alimentação animal do que para humana. E, até 2028, América Latina e Caribe deverão produzir 18% do total mundial de milho, 11% do trigo e 4% do arroz.

A produção mundial de soja deverá continuar a avançar 1,6% ao ano. De acordo com o estudo, o Brasil se consolidará como o maior produtor mundial, com 144 milhões de toneladas até 2028, superando os EUA. Mas, para OCDE e FAO, o desenvolvimento da produção e das exportações americanas e brasileiras de soja dependerá das negociações comerciais em andamento entre Pequim e Washington. A produção de outras oleaginosas aumentará 1,4% ao ano, ritmo menor que o da última década, sob efeito da desaceleração da demanda por óleo de canola como matéria-prima para biodiesel na Europa.

Com relação ao açúcar, o estudo lembra que há dois anos a Índia tomou do Brasil o título de maior país produtor do mundo, mas reforça que os brasileiros continuarão a dominar o comércio mundial da commodity e que sua fatia de mercado, em baixa há alguns anos, voltará a crescer no início dos anos 2020. A Tailândia continuará a ser um concorrente importante em mercados em expansão da África, do Oriente Médio e da Ásia.

Em diversos países desenvolvidos e em alguns em desenvolvimento - África do Sul, Brasil, México, Egito, Paraguai e Turquia -, o consumo de açúcar alcançará níveis preocupantes do ponto de vista de saúde (obesidade, diabete e outros problemas), o que poderá precipitar a adoção de medidas como a taxação de bebidas com elevados do produto, conforme a análise dos órgãos multilaterais.

Enquanto isso, a oferta mundial de carne deve continuar em expansão. Até 2028, a expectativa é que a produção mundial tenha crescido 13% em relação à década anterior. Os preços reais poderão declinar no médio prazo nessa frente, em linha com um avanço maior da oferta do que da demanda. A carne de frango deverá ser motor do incremento da produção total, mas o ritmo tende a ser menor que o observado até agora.

No mercado de algodão, a produção mundial deverá progredir 16% até 2028, a partir do aumento da área cultivada. A Índia tende a permanecer como o principal produtor mundial, e os EUA vão manter na liderança das exportador. Mas o Brasil vai se firmar no grupo dos grandes exportadores, graças ao plantio na safra de inverno, semeada em áreas que no verão são ocupadas por soja. Assim, a fatia brasileira nas exportações poderá subir dos atuais 10% para quase 15% em 2028. O preço real do algodão, por sua vez, deverá recuar 23% nos próximos três anos e se aproximar da cotação do poliéster.

No tabuleiro do café, o Brasil, maior produtor e exportador mundial, aumentou sua fatia global de 23% para 29% nas últimas duas décadas, enquanto a da Colômbia caiu oito pontos percentuais, de 17% para 9%. Na próxima década, a alta do consumo em emergentes como China, Rússia e Coreia do Sul e em países exportadores como Índia, Indonésia e Vietnã deverá valorizar o potencial de produção na América Latina e no Caribe. Mas a região deverá se adaptar a mudanças climáticas que afetarão a produção em alguns polos.

Ainda segundo o estudo de OCDE e FAO, a produção mundial de leite deverá aumentar 1,7% por ano, mais rapidamente do que o ritmo de avanço previsto para a maioria dos demais produtos agropecuários. E no caso dos biocarburantes a demanda poderá passar por uma desaceleração. É esperado aumento da demanda na Indonésia, onde o biodiesel é produzido a partir do óleo de palma, e na China e no Brasil, que utilizam mandioca e cana-de-açúcar - e milho, no caso brasileiro - para produzir etanol.

(Valor) (Assis Moreira)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Quinta-Feira, 22/08
Brasil deve produzir 13 milhões de t de carne de frango em 2019, diz ABPA (07:33)
Frigoríficos esperam ao menos 3 anos de alta nas exportações (07:32)
Santa Catarina quer investir na produção de cereais de inverno para alimentação animal (07:30)
Após retomar atividades, BRF diz que dobrará abates de frango em unidades atingidas por crise (07:30)
Quarta-Feira, 21/08
ABPA projeta forte aumento da exportação de carne de frango e suína em 2019 (19:07)
‘Bonança perfeita’ anima indústria de aves e suínos (19:01)
Peste suína na China faz setor de carnes do Brasil viver bonança após tempestade (18:58)
Boi: Mercado reagiu em São Paulo (18:56)
Milho: Cotações fecham a 4ª feira com ganhos em Chicago na espera (18:55)
Soja: Portos têm referências de até R$ 88/saca com fortalecimento dos prêmios no BR (18:53)
Soja: Brasil teria apenas mais 2 mi de t para exportação e negócios seguem fluindo (18:52)
32ª Reunião Anual CBNA: Congresso sobre Nutrição e Bem-Estar Animal - Aves, Suínos e Bovinos encerra inscrições de trabalhos científicos dia 12 de setembro (14:02)
Perspectiva da Conab prevê aumento de 3,6% na produção dos quatro principais grãos do país até 2020 (11:37)
Sindiavipar e Mapa promoverão encontro com agroindústrias (09:24)
Vetanco Brasil recertificada na ISO 9001:2015 (09:21)
NOTA DE FALECIMENTO: morre José Augusto Pessamilio (09:09)
Julho tem queda nos custos de produção de suínos e de frangos de corte (09:02)
Milho: relatos de campo (08:36)
Soja: receios com lavouras (08:30)
Bayer anuncia venda da unidade de saúde animal para a Elanco por US$ 7,6 bilhões (08:22)
SIAVS 2019: Segundo dia do evento terá palestrante internacional e Painel dos CEOs (08:17)
Soja sobe levemente em Chicago nesta 4ª feira com foco dividido entre geopolítica e safra dos EUA (08:13)
Consumo enfraquecido mantém mercado do boi gordo morno (08:12)
Milho: mercado futuro encerra a sessão desta 3ª feira com quedas na Bolsa de Chicago (08:10)
Brasil vê aumento na nova safra de soja; quebra nos EUA traz oportunidades, diz Conab (08:05)
Soja: com dólar acima dos R$ 4 e Chicago estável, preços no BR tem novas altas (08:00)
Terça-Feira, 20/08
Vetanco registra presença na 60ª Festa do Ovo (12:32)
Setor de genética avícola lança marca internacional (10:35)
O Brasil que é exemplo para o mundo, por Francisco Turra (10:32)
Após conquista da carne, ovo sintético é novo horizonte (09:36)
FACTA promove curso de ambiência e bem-estar na avicultura e suinocultura em Dourados (MS) (09:34)
SIAVS ganha lançamento de vacina bivalente inativada contra salmonelas do Biovet Vaxxinova (08:37)
Falta 1 semana para o Prêmio Imprensa 2019 do IOB (08:29)
Seara lança linha completa de carne de frango orgânica (08:22)
Boi: mercado do boi com cotações estáveis (08:12)
Milho: clima e exportações americanas atuam para desvalorizar cotações em Chicago (08:10)
China eleva compra de soja em grão da Rússia (08:09)
Soja: mercado futuro encerra o pregão desta 2ª feira com fortes desvalorizações na Bolsa de Chicago (08:08)
Produtores rurais participam de palestra sobre inspeção de ovos e abatedouro de aves (08:00)
Produtores já podem ter acesso a novo programa de composição de dívidas rurais (07:58)
UNIDO e CIBiogás promovem treinamento sobre biogás (07:54)
EUA: incêndio em abatedouro derruba preço da carne bovina (07:53)
Segunda-Feira, 19/08
APINCO elege nova diretoria e comemora 40 anos de fundação (12:07)
De Heus apresenta soluções nutricionais sustentáveis no SIAVS (10:24)
Milho: queda externa pressiona cotações nos portos brasileiros (10:23)
Soja: com vendedores retraídos, preços sobem (10:21)
Milho: Semana começa com cotações desvalorizadas em Chicago (09:52)
AVES e ASES se reúnem com presidente do IDAF para tratar de assuntos voltados para os dois setores (08:49)
Milho: olho nas lavouras (08:26)
Soja: pés no chão (08:24)
Grãos e carnes movem avanço da Frísia (08:18)
Soja sobe mais de 16% em reais por saca desde maio no porto de Paranaguá (08:07)
Milho: cotações sobem 3% nesta sexta-feira, mas acumulam queda de mais de 9% na semana (08:04)
China disputa soja do Brasil com processadores locais; preços sobem 10% no mês (08:01)
Boi: Mercado futuro encerra a sessão nesta 6ª feira sem grandes movimentações na Bolsa Brasileira (07:45)
Sexta-Feira, 16/08
Frango: preço do milho cai e favorece poder de compra do avicultor (16:37)
Soja: a guerra, de novo (07:20)
ICC Brazil participa do SIAVS 2019 (06:58)
Suínos: maior volume estocado pressiona cotação da carne (06:36)
Boi: preço da arroba atravessa a 1ª quinzena praticamente estável (06:35)
Dividendo a minoritários pressiona caixa da Marfrig (06:31)
JBS amplia unidades já autorizadas a vender à China (06:28)
Setor produtivo e governo debatem medidas de prevenção à peste suína e clássica (06:22)
Boi: Mercado sustentado em São Paulo (06:21)
Milho: Após três dias com fortes baixas, Bolsa de Chicago registra leves ganhos nesta quinta (06:20)
Soja: com vendas de mais de 3 mi de t nas últimas duas semanas, preços seguem fortes (06:18)
Com aquisições e IPO nos EUA no radar, ações da JBS disparam (06:16)