Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
Mercado Externo

Exportadores agrícolas do Brasil comemoram acordo com União Europeia
São Paulo, SP, 01 de Julho de 2019 - Representantes de exportadores agrícolas brasileiros comemoraram hoje o anúncio do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Nos casos de suco de laranja, frutas, café solúvel, peixes, crustáceos e óleos vegetais, a acordo prevê a eliminação de tarifas. Nas áreas de carnes, açúcar, etanol, arroz, ovos e mel, os membros do Mercosul terão acesso preferencial ao mercado europeu — por meio de cotas. “O setor agropecuário estava aguardando muito pelo acordo, que tem viés positivo. A mensagem mais importante no momento é que o Brasil está mais inserido no comércio mundial”, afirmou a superintendente de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Lígia Dutra. Ao Valor, o diretor-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Ibiapaba Netto, afirmou que o segmento se surpreendeu positivamente com o fato de o acordo fechado entre Mercosul e União Europeia prever a total eliminação das tarifas que hoje incidem sobre as variações do produto que partem do Brasil com destino ao bloco europeu.

Atualmente, disse Netto, essas tarifas variam entre 12% e 15% do valor exportado. A depender da especificação do suco de laranja essas taxas serão zeradas em um período que varia de sete a dez anos. “Não estava no radar a eliminação das tarifas”, afirmou Netto.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela CitrusBR, nos 11 primeiros meses da safra 2018/19 (julho do ano passado a maio último) os embarques brasileiros de suco de laranja totalizaram 870,3 mil toneladas equivalentes ao produto concentrado e congelado (FCOJ) e renderam US$ 1,6 bilhão, com quedas de 17% e 16%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ciclo anterior.

Nesse período, as vendas para a UE somaram 560 mil toneladas, com queda de 6% na comparação aos primeiros 11 meses da temporada 2017/18, e renderam US$ 1 bilhão, baixa de 5%.

Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa as agroindústrias exportadoras de carne de frango e suína, também comemorou. Segundo a associação, o acordo prevê uma cota de exportação de carne de frango de 180 mil toneladas no ciclo de 12 meses.

“O volume acordado é expressivo, suficiente para que o Brasil mantenha sua posição com parceiro em prol da segurança alimentar europeia” afirmou Ricardo Santin, diretor-executivo da ABPA. Ele acompanhou as negociações e participou da missão liderada pela ministra da Agricultura esta semana, em Bruxelas.

O acordo também definiu a viabilização de embarques para carne suína e ovos processados brasileiros para o bloco europeu. Segundo a ABPA, há pelo menos meia década o Brasil realizava investidas para embarcar estes produtos para a União Europeia.

Para os exportadores brasileiros de café solúvel, os embarques ao bloco europeu poderão crescer 30% nos próximos cinco anos. A negociação prevê que as taxas de importação, que hoje são de 9% para o produto brasileiro, sejam zeradas progressivamente em quatro anos.

A União Europeia é segundo maior cliente do café solúvel brasileiro, atrás apenas dos Estados Unidos. No ano passado, o Brasil embarcou 470 mil sacas do produto para os países do bloco econômico, com receita US$ 72 milhões. O volume total exportado pelo Brasil de café solúvel em 2018 foi de 3,6 milhões de sacas de 60 quilos em 2018, com receita de US$ 595,7 milhões.

“Com isso, passamos a competir em igualdade de condições com países da União Europeia e também com o Vietnã”, disse Aguinaldo José de Lima, diretor de relações institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). O Vietnã é o segundo maior exportador de café do mundo - atrás do Brasil — e o maior produtor de robusta.

"Ganhos"

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que o acordo resulta de um texto no qual “houve ganhos dos dois lados”. “Não há acordo em que só uma parte ganha. Onde não ganhamos em volume, ganhamos em redução de tarifas”, disse.

Tereza disse que preferia não entrar em detalhes sobre as cotas presentes no acordo até a publicação do texto oficial — que deve ser divulgado no fim de semana, segundo o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

A ministra participou de entrevista a jornalistas brasileiros ao lado do chanceler e do Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, em Bruxelas.

(Valor) (Redação)
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