Sábado, 07 de Dezembro de 2019
Política Agrícola

Crédito a juros controlados perde R$ 36 bi no Plano Safra
Brasília, 19 de Junho de 2019 -

A gestão de Jair Bolsonaro cumpriu o prometido e acelerou a mudança de perfil do crédito rural que o governo oferece aos produtores rurais do país. Anunciado ontem em Brasília, em cerimônia com a presença de um presidente feliz com o ainda inabalável apoio que tem do setor, o Plano Safra 2019/20 contempla linhas com, no total, R$ 222,7 bilhões, R$ 1,6 bilhão a mais que o da temporada 2018/19, mas reduz em R$ 36,3 bilhões o dinheiro disponível a juros controlados. São os recursos que terão que ser contratados a taxas livres, sobretudo os gerados a partir de emissões de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), que farão do próximo o maior Plano Safra da história.

Com a redução do montante disponível a juros controlados, iniciada na era Temer, sua participação no bolo total cairá para 66,5% na safra 2019/20, que terá início em 1º de julho, ante 83,5% em 2018/19. Esses recursos envolvem tanto aqueles cujos juros têm de ser subsidiados como os chamados obrigatórios (depósitos à vista). A redução de R$ 36,3 bilhões virá dos depósitos à vista, em linha com a queda de 34% para 30%, aprovada pelo Banco Central, do percentual que os bancos precisam direcionar de depósitos para o crédito rural. A medida já contribuiu para que os desembolsos de crédito baseados nessa fonte recuassem 41% nos 11 primeiros meses do ciclo 2018/19 9 (julho do ano passado e maio último), para R$ 29,5 bilhões.




A estratégia atende à necessidade do governo de limitar os gastos do Tesouro com a equalização das taxas de juros do plano, que no ciclo 2018/19 alcançaram cerca de R$ 10 bilhões. E força que essa contenção de subsídios entre na conta dos grandes produtores, que têm mais condições de acessar fontes alternativas e para os quais o crédito rural oficial tem menor peso no "funding" total. Economistas como Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro, e referências como o ex-ministro Roberto Rodrigues aprovaram esse caminho em entrevistas recentes ao Valor.

"Pela primeira vez, o Tesouro vai reservar quase R$ 5 bilhões para subsidiar o crédito dos pequenos", disse a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na cerimônia de anúncio do novo Plano Safra. É mais da metade do que o governo projeta equalizar (R$ 9,8 bilhões), enquanto nesta temporada 2018/19 a participação deverá ficar em 44%. No caso da agricultura empresarial (médios e grandes produtores), portanto, a participação recuará de 56% para 49,5%. "O Plano Safra é bom para cada um de nós, ele é bom para o Brasil", discursou o presidente no fim do evento.

Do montante total anunciado ontem - que chega a R$ 225,6 bilhões quando somados a verba de R$ 1 bilhão inicialmente reservados ao seguro rural e R$ 1,9 bilhão para apoio à comercialização -, R$ 169,3 bilhões irrigarão linhas de custeio, comercialização e industrialização. Os juros para grandes produtores (receita bruta anual de mais de R$ 2 milhões) serão de 8% ao ano, ante 7% em 2018/19, mas para os de médio porte (receita de R$ 360 mil a R$ 2 milhões) continuará em 6%. Para pequenos produtores também haverá alta, de 3% para 4,6% ao ano. As linhas de investimentos terão R$ 53,4 bilhões, com juros de 3% a 10,5%.

Por meio das linhas do Pronaf, os pequenos produtores terão R$ 31,2 bilhões. No Pronamp, voltado aos médios, serão R$ 50,7 bilhões, ao passo que os grandes produtores terão R$ 69,1 bilhões em recursos com juros livres e R$ 55 bilhões oriundos de captações de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). No total, os financiamentos a juros livres contarão com R$ 74,3 bilhões em 2019/20, quase o dobro do valor de 2018/19.

Como as LCA não contam com subsídios do governo, Tereza Cristina não arriscou estimar as taxas de juros dos empréstimos baseados nessa fonte. Atualmente, afirmou o secretário de Política Agrícola da Pasta, Eduardo Sampaio, essas operações estão com taxas entre 8,5% e 11% ao ano. Os bancos precisam direcionar 35% de suas emissões com LCA para o crédito rural. O Ministério da Agricultura pretendia ampliar o percentual para 50%, mas, segundo Sampaio, o nível atual deverá ser mantido.

Principal linha de crédito subsidiado para investimentos, o Moderfrota, que financia a compra de máquinas agrícolas, terá juros entre 8,5% a 10,5% ao ano, ante a banda de 7,5% a 9,5% de 2018/19. A linha, que conta com recursos do BNDES, terá inicialmente R$ 9,6 bilhões na nova temporada, R$ 700 milhões a mais que em 2018/19. "Conversamos bastante com o setor e preferimos aumentar as taxas, mas garantir mais recursos para o Moderfrota. Os produtores não chegaram a se queixar", afirmou Sampaio.

Segundo ele, se as linhas do Moderfrota tivessem tido uma alta de juros de 1 ponto percentual em 2018/19 na comparação com a temporada anterior, haveria mais dinheiro para atender à demanda crescente por tratores, colheitadeiras e outros equipamentos. Neste ciclo, as indústrias reclamaram que os recursos reservados para o Moderfrota foram insuficientes. As linhas de investimento em geral tiveram um aumento de 1 ponto em suas taxas de juros. Os juros do PCA, destinado à construção de armazéns, por exemplo, subiram de entre 5,25% e 6% para entre 6% e 7% em 2019/20.

Entidades do setor minimizaram a alta de até 1 ponto percentual nas taxas de juros do novo Plano Safra e preferiram comemorar o volume de R$ 1 bilhão prometido para o programa de subsídios ao seguro rural. "Como vou comemorar aumento de juros? Mas tivemos outras medidas que vão ajudar, como o dinheiro para o seguro. Esse dinheiro sempre foi contingenciado, mas confiamos na ministra de que agora será diferente", afirmou ao Valor Fabrício Rosa, diretor-executivo da Aprosoja Brasil, que representa produtores de grãos.

Além de também elogiar o reforço para o seguro, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aprovou as fontes alternativas de recursos que estarão à disposição, como a emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) em dólar. Para o vice-presidente da entidade, Roberto Simões, atrair investimento externo ajudará a fortalecer o "funding" do setor. "Era desejável que os juros fossem um pouco menores, porque a Selic anda baixa, mas reconhecemos que houve um esforço de não crescer muito e isso já é razoável", afirmou.

O presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Márcio Freitas, avaliou que o volume global de recursos anunciados atenderá às "necessidades" de produtores e cooperativas. E disse que o seguro dará tranquilidade ao setor.

(valor) (Cristiano Zaia e Fabio Murakawa)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Sábado, 07/12
Sexta-Feira, 06/12
Frango: novembro se configurou como o período de retomada de preços (15:53)
Suínos: preços em alta em São Paulo (14:19)
CNA leva posicionamento do Agro para a COP-25 (14:10)
Clientes Ross beneficiam-se de evento compartilhando informações no Peru (09:03)
Soja sobe em Chicago nesta 6ª com notícia de nova liberação de cotas da China para os EUA (08:46)
China vai abrir mão de tarifas sobre alguns embarques de soja e carne suína dos EUA (08:44)
MAPA convoca 100 médicos veterinários aprovados em concurso (08:03)
Ministério assina contrato com o BID: US$ 200 milhões para a Defesa Agropecuária (08:01)
Frango: exportação para China bate recorde (06:34)
Frango: cotações mornas nesta quinta-feira (06:27)
Suínos: cotações seguem estáveis, mas valorização sobre carne bovina em novembro foi recorde (06:24)
Peste Suína/Ásia: FAO eleva para 7,659 milhões número de animais eliminados por doença (06:17)
Preços globais da carne bovina devem permanecer sustentados em 2020, reafirma o Rabobank (06:16)
Contratos futuros para o boi gordo encerram a 5ª feira próximo da estabilidade na B3 (06:14)
Boi Gordo: poucos negócios e preços caindo (06:13)
Milho encerra quinta-feira em baixa na Bolsa de Chicago (06:12)
Soja sobe em Chicago pela terceira sessão consecutiva (06:10)
Quinta-Feira, 05/12
Soja intensifica ganhos em Chicago e sobe nesta 5ª feira (15:46)
Embarques de carne suína aumentam 13,2% em novembro (15:11)
Suínos: competitividade da carne suína frente à de boi é a maior da série (11:39)
Boi: receita obtida com exportação é recorde (11:20)
Ricardo Santin será o novo presidente da ABPA (11:15)
Para CNA, não vai faltar produto e preços da carne vão se normalizar (09:44)
Goiás pode ampliar exportação de frango para o Chile (09:43)
Vendas de ovos disparam em Manaus (09:41)
Preços de alimentos no mundo sobem com impulso de carnes e óleos vegetais, diz FAO (09:33)
Líder, BRF tem capacidade ociosa para expandir produção no Brasil (09:28)
Produtor americano reduz ritmo de comercialização da soja a espera de melhores preços (08:56)
Soja segue trabalhando em alta em Chicago nesta 5ª feira (08:52)
CNA prevê aumento do valor da produção e do PIB do campo em 2020 (08:40)
Aviagen contrata novo Supervisor Regional de Vendas no Brasil (08:17)
Korin fornece frango caipira livres de transgênicos para o Carrefour no Estado de São Paulo e Brasília (08:12)
Frango: setores apresentaram leve queda ou estabilidade nesta 4ª feira (08:09)
Suínos: cotações mornas nesta 4ª feira (08:03)
JBS planeja investir R$ 8 bilhões no Brasil nos próximos 5 anos (08:00)
Boi Gordo: vendas da carne continuam sendo o entrave (07:49)
Boi Gordo: preços da arroba recuaram 2,1% em SP (07:48)
Milho tem leves baixas em Chicago nesta 4ª feira, mas preços se sustentam no Brasil (07:38)
Quarta-Feira, 04/12
Unidades da Aviagen no Brasil recebem certificação de compartimentação (14:07)
Presidente da ABPA fala sobre o mercado de suínos e aves a médio e longo prazo (12:49)
Boi: volume de negócios foi pequeno nos últimos dias no mercado físico em SP (11:23)
A expectativa é boa para as exportações de milho nessa reta final do ano (10:20)
Vetanco realiza treinamento para controle estratégico de Cascudinhos (08:51)
Agropecuária é o setor com maior alta do PIB no terceiro trimestre do ano (08:22)
Frango: após dois dias de cotações estáveis, mercado começa a reagir (08:20)
Suínos: mercado mostra melhora para os principais setores (08:15)
Após máximas, preço do boi recua 5% em dezembro com pressão de consumidores (08:14)
Exportação de carne bovina do Brasil deve manter ritmo de alta em 2020, diz Abrafrigo (08:13)
Vencimentos futuros para o boi gordo encerram 3ª feira abaixo dos R$ 200,00/@ na Bolsa Brasileira (08:08)
Tereza Cristina abre reunião da Câmara Setorial da Carne Bovina (08:06)
Milho: preços recuam na B3, mas sobem no interior do Brasil (08:05)
Soja recua até 2% no interior do Brasil com baixa do dólar e estabilidade em Chicago (08:00)
Grãos: cenário para preços se torna positivo para 2020 (07:56)
Terça-Feira, 03/12
Produção avícola sem uso de antibiótico ganha força no Nordeste (16:52)
Agroindústria contribui para estabilidade na população ocupada no agro (16:35)
Encontro de final de ano Programa Ovos RS apresenta novidades (14:51)
Milho abre a terça-feira com leves ganhos em Chicago mesmo após relatórios do USDA (14:31)
Soja: após 8 baixas consecutivas, mercado em Chicago sobe nesta 3ª feira (14:30)
Secex: exportação de carnes bovina, suína e de frango desacelera em novembro (09:38)
Venda de carne ao exterior cresce 28%, ajudada por epidemia na China (09:37)
Nas exportações em novembro, carne suína tem faturamento 46% maior em comparação a outubro (08:06)
Suínos: cotações estáveis marcam o começo de dezembro (08:03)
Frango: segunda-feira tem altas para frango vivo em algumas praças (08:03)
Milho registra pequenos ganhos em Chicago (08:01)
O mercado do boi gordo 'sossegou' (07:59)
Exportações brasileiras de milho fecham novembro com alta de 17,6% com relação ao ano passado (07:57)
Soja fecha em baixa na Bolsa de Chicago (07:55)