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Soja: produtor brasileiro tem momento de melhores patamares em Chicago e prêmios altos
Campinas, SP, 14 de Junho de 2019 - Ontem, quinta-feira (13), os preços da soja subiram no mercado brasileiro em uma combinação de altas sendo registradas na Bolsa de Chicago e dos prêmios e nos portos do país. Acima dos 100 pontos e firmes - apesar da estabilidade dos últimos dias -, os valores pagos pelo produto nacional acima das referências da CBOT são estimulados pela força da demanda chinesa neste momento.

Como explicou o analista de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities, as compras da China seguem muito focadas no mercado do Brasil, principalmente neste momento em que seu consumo vem retomando um ritmo mais forte.

"A demanda da China está muito concentrada aqui. O esmagamento começa a voltar ao normal, com cerca de 7,5 milhões de toneladas ao mês, um aumento gradual do consumo de rações. E eles estão ainda com baixos estoques de soja e farelo, então vão vir comprar aqui", diz Vanin ao Notícias Agrícolas.

Somente em junho, o Brasil tem potencial, de acordo com os line-ups, para exportar mais de 10 milhões de toneladas de soja em grãos. Em todo o ano, o total acumulado já chega as 40,3 milhões de toneladas, contra 38,2 milhões do mesmo período de 2018, de acordo com os últmios números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

"O quadro segue muito comprador e com grande espaço para seguir embarcando forte", diz Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting. Tal volume no acumulado de 2019, ainda segundo o especialista, indica que o Brasil "vai ter aperto no abastecimento a frente e desta forma apelo para seguir com grandes
embarques nas próximas semanas.

Números da consultoria Datagro mostram que o Brasil já comercializou 70% de sua safra 2018/19. E, apesar de um mercado ainda bastante comprador, o produtor se mostra um pouco mais reticente neste momento, evitando novos negócios.

"Os portos estão lotados para embarque junho, não há espaço para embarque novo, e os interessados querem a soja de final de julho e agosto, e os vendedores querem valores mais altos para mais adiante, onde se fala em R$ 84,00, R$ 85,00 talvez para setembro, mas os produtores querem R$ 90,00. Então, os negócios são pontuais", explica Brandalizze.

E o restante do volume que ainda há a ser comercializado está sendo utilizado pelo produtor brasileiro como um ativo financeiro, esperando por um quadro de preços melhores. "E provavelmente terão", acredita o consultor da Brandalizze Consulting.

Nesta quinta-feira (13), os preços subiram de forma generalizada no mercado interno. No interior, os ganhos chegaram a bater em 2,29%, como foi o caso de Rondonópolis, onde fechou com R$ 71,60 por saca. Em Itiquira, o avanço foi de 3,09% para R$ 70,10. Ambas as praças ficam são localizadas em Mato Grosso.

Os ganhos passaram de 1% nos portos. A soja disponível fechou com R$ 82,00 por saca em Paranaguá, subindo 1,23%, e com R$ 81,20 em Rio Grande, com alta de 1,25%. Para julho, R$ 83,00 e R$ 82,00 por saca, respectivamente, com avanços de 1,22% e 1,23%.

BOLSA DE CHICAGO

No mercado internacional, os futuros da oleaginosa terminaram o dia com ganhos de mais de 1%, ou altas de 9,75 a 10 pontos entre as posições mais negociadas. O julho ficou em US$ 8,88 e o agosto, US$ 8,94 por bushel. "Os preços caminham para seu novo intervalo em Chicago que é de US$ 9,00 a US$ 9,50 diante da realidade da nova safra americana", acredita Vlamir Brandalizze.

O novo mapa do NOAA, o serviço oficial de clima do governo americano, traz a continuidade das chuvas no Corn Belt para os próximos sete dias e, confirmadas, podem comprometer ainda mais o desenvolvimento do plantio.

Os traders buscam saber se os produtores americanos poderão encontrar uma brecha para continuar com o plantio da soja e serão capazes de conclui-lo nesta temporada. Enquanto isso, seguem especulando sobre qual será a real área plantada pelos americanos este ano.

Ainda nesta quinta-feira, o mercado também recebe os números das vendas semanais que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou em seu reporte, os quais ficaram aquém do esperado, confirmando o foco do maior comprador mundial no mercado brasileiro.

Na semana encerrada em 6 de junho, os EUA venderam 255,9 mil toneladas de soja, 50% menos do que na semana anterior e 44% em relação à média das últimas quatro semanas. As expectativas dos traders eram de 300 mil a 800 mil toneladas. A maior parte foi destinada ao Egito.

Em todo o ano comercial, as vendas americanas já somam 46.937,9 milhões de toneladas, contra mais de 56 milhões do anterior, neste mesmo período. Em seu último boletim, o USDA revisou sua estimativa para as exportações do ano comercial presente - que se encerra em 31 de agosto - para 46,27 milhões de toneladas.

Da safra 2019/20, foram vendidas 275,2 mil toneladas, com o Paquistão como principal destino.
(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)
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