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Milho: exportações americanas fracas e tensão EUA-China derrubam cotações de Chicago
Campinas, SP, 10 de Maio de 2019 - Ontem, quinta-feira (09), chegou ao final com grandes quedas nos preços internacionais do milho futuro na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais cotações registraram desvalorizações entre 9,50 e 11,00 pontos.

O vencimento maio/19 foi cotado à US$ 3,44, o julho/19 valeu US$ 3,53 e o setembro/19 foi negociado por US$ 3,62.

Segundo análise de Ben Potter da Farm Futures, os preços do milho enfrentaram fortes cortes em meio a uma fraca rodada de dados de exportação e preocupações de que o atual conflito comercial entre Estados Unidos e China continuará se arrastando.

As exportações de milho registraram 11,3 milhões de bushels (287.035 toneladas) em vendas de safras antigas, mais outros 300 mil bushels (7.620 toneladas) de novas safras na semana passada, para um total de 11,6 milhões de bushels (294.656 toneladas). Isso caiu bem abaixo da contagem da semana anterior de 31,3 milhões de bushels (795.064 t) e as estimativas do comércio de 30,5 milhões de bushels (774.742 toneladas).

Os embarques de exportação de milho se saíram melhor depois de atingir 40,5 milhões de bushels (1,028 milhões de toneladas) na semana passada. O México lidera todos os destinos para os compromissos de exportação de milho dos EUA neste ano de comercialização, respondendo por 32% do total.

Ainda nessa quinta-feira, o presidente americano Donald Trump diz ter recebido uma "linda carta" do presidente chinês Xi Jinping sobre as questões comerciais que colocou as duas maiores economias do mundo em um severo conflito comercial. Na sequência, Trump afirmou ainda que os dois líderes poderiam vir a conversar pelo telefone nos próximos dias.

Apesar dessas declarações, o aumento das tarifas americanas sobre US$ 325 bilhões em produtos chineses para 25% está mantido a partir de hoje, sexta-feira, o que deixa o mercado receoso para a possibilidade de algum acordo.

Mercado interno

Já no mercado interno, os preços do milho disponível permaneceram sem movimentações em sua maioria. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, as únicas praças que apresentaram desvalorização foram Campinas/SP (1,46% e preço de R$ 33,00) e Oeste da Bahia (4,84% e preço de R$ 29,50).

Já o movimento de valorização apareceu apenas em Brasília/DF (3,57% e preço de R$ 29,00).

De acordo com a Agrifatto Consultoria, a pressão das cotações do milho no Brasil continuaram após a Conab revisar, nessa manhã, a produção final de milho da temporada 18/19 em mais 1,25 milhões de toneladas para 95,25 MT. Até o momento, o número é suficiente para garantir a 2ª maior safra da história brasileira, atrás apenas de 16/17 com 97,84 MT.

“O cenário, que já era baixista por conta dos estoques elevados, superproduções e baixa demanda para rações, fica, agora, ainda mais pressionado. Além disso, o início de colheita das lavouras de inverno já aconteceu nos campos brasileiros”, dizem os analistas.

Só no estado do Paraná, devem ser colhidas 13 milhões de toneladas do cereal para esta safrinha, de acordo com dados divulgados pelo Deral (Departamento de Economia Rural) da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná.

Para a Radar Investimentos, a semana que vem tende a apresentar maior volume de movimentações no mercado interno. “A demanda do mercado físico do milho segue lenta e pelo ritmo dos negócios os compradores devem voltar mais ativos na próxima semana. O aumento da tensão China x Brasil direciona as atenções por enquanto”.
(Notícias Agrícolas) (Guilherme Dorigatti)
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