Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
Agronegócios

Peste suína na China faz ações de frigoríficos dispararem
São Paulo, SP, 24 de Abril de 2019 - Impulsionados pelo surto do vírus da peste suína africana na China, os frigoríficos brasileiros ganharam R$ 17,6 bilhões em valor de mercado apenas em abril, mês em que o impacto da doença começou a ser incorporado pelos analistas de importantes corretoras. No acumulado de 2019, o ganho é maior - de R$ 31,8 bilhões -, mas muito concentrado na JBS.

Juntas, os quatro frigoríficos brasileiros listados na bolsa (JBS, BRF, Marfrig e Minerva) valiam, ontem, R$ 85,8 bilhões na B3, crescimento de 26,8% ante os R$ 68,2 bilhões do fim de março. Por serem as empresas mais valiosas, JBS e BRF explicam a maior parte do movimento. Em abril, a dona da Sadia e Perdigão ganhou quase R$ 6 bilhões em valor de mercado. A dona da Friboi, por sua vez, ganhou mais de R$ 10 bilhões na B3.

No ano, a JBS também é a principal estrela. O valor de mercado da empresa aumentou em mais de R$ 20 bilhões, atingindo quase R$ 54 bilhões. No período, a BRF ganhou R$ 6,5 bilhões. Além da peste suína, os investidores já estavam animados com a JBS, diante da melhor percepção sobre a governança da empresa e as boas perspectivas para a produção de carne nos Estados Unidos.

Na bolsa, o gatilho de compras foi disparado, em grande medida, na semana passada, quando o banco Morgan Stanley recomendou enfaticamente as ações de frigoríficos.

Desde então, os papéis da JBS intensificaram o movimento de alta, renovando seguidamente o recorde dos papéis. Ontem, mais uma vez, a empresa da família Batista fechou o pregão a R$ 19,72, maior patamar da histórica da empresa.

Os papéis da BRF, que sofriam com o ceticismo dos investidores em relação à recuperação da rentabilidade da companhia, ganhou tração neste mês. As ações da dona das marcas Sadia e Perdigão regressaram ontem ao patamar anterior à Operação Trapaça, investigação da Polícia Federal (PF) que chegou a prender ex-executivos da BRF em março do ano passado.

No embalo da peste suína africana, as brasileiras Marfrig e Minerva, grandes exportadoras de carne bovina, também subiram. No pregão de ontem, a Marfrig registrou a maior alta do Ibovespa (7%), atingindo o maior patamar desde agosto (R$ 7,52). Por sua vez, os papéis da Minerva, que não compõe o principal índice da bolsa, subiram 8,9% ontem, cotadas a R$ 7,99.

Na avaliação do analista Leandro Fontanesi, do Bradesco BBI, as ações da BRF ainda têm potencial para subir mais. O preço-alvo da corretora para os papéis é de R$ 35, o que embute um potencial de valorização de 17% sobre a cotação de ontem. No caso da JBS, o analista vê menor potencial, com preço-alvo de R$ 19.

Segundo o analista, o mercado ainda não precificou a redução de custos que será provocada pelo surto de peste suína na China. Em razão da liquidação de milhões de animais, os chineses demandarão menos grãos (soja e milho). Com isso, o preço da ração animal tende a ficar mais barato em países como o Brasil, beneficiando BRF e Seara, o negócio de frango e suíno da JBS.

(Valor) (Redação)
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