Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
Análise

Por que ainda não sou vegetariano
São Paulo, 12 de Fevereiro de 2019 - Cresci católico, mas só tive fé até uns 10 anos de idade. Não precisava de Deus para me sentir culpado e indigno de muita coisa.
Talvez por isso resista a me tornar vegetariano (vegano, nem pensar), além dos genes e memórias que nos fazem adorar o sabor e o odor das carnes assadas e fritas. Mas deveria pensar mais no assunto, porque o clima do planeta está indo para o saco também por causa delas.
Aceitaria de bom grado o milhão de dólares que andaram oferecendo ao papa Francisco para observar uma dieta vegana durante a Quaresma – são só 40 dias, dá para aguentar. Mas de graça são outros 500.
A culpa nunca foi boa conselheira, porque passa. Expia-se. Alguns pais-nossos e ave-marias, ou meia dúzia de hambúrgueres rejeitados, e pronto, foi-se a consciência pesada por fazer algo errado.
Só que nada há de errado em comer carne. Os deterministas dirão que fomos programados centenas de milhares de anos atrás para salivar por essa fonte incomparável de proteínas indispensáveis ao metabolismo.

Boa parte dos pobres do mundo só pensa nisso, ou seja, em quando vai chegar a sua vez de encarar um bife, uma coxa de frango ou uma costeleta de porco todos os dias. Ou pelo menos um filezinho de peixe. Não seria cristão negar-lhes essa graça.
Tirante a culpa que recheia a proposta indecente ao papa, a campanha está certa no quesito ciência. Não faltam estudos demonstrando que a pecuária, em especial a bovina, dá contribuição significativa para a mudança climática.
Para quem acredita que o fenômeno do aquecimento não passa de engodo, os termômetros em terra e sensores de satélites respondem: 2018 foi o quarto ano mais quente já registrado, como se noticiou na semana que termina, e os cinco anos mais quentes foram os últimos cinco. Precisa desenhar?
No Brasil, bois comem capim em vastas áreas que já foram floresta. Confinados para engorda, alimentam-se de ração à base de soja e milho, plantados em campos desmatados.
O problema é que muitas dessas pastagens, mal manejadas, terminam no abandono. Poderiam ser recuperadas para plantio, mas não: grileiros ocupam terras públicas, desmatam mais e, assim, mantêm a oferta contínua de novas áreas para expansão da agropecuária.
Com isso, mais as emissões de fertilizantes e do metano produzido no rúmen dos bovinos, a agropecuária termina respondendo pela maior parte dos gases de efeito estufa lançados pela economia brasileira na atmosfera.
Tudo somado, a ingestão diária de carnes vermelhas resulta no que é provavelmente a maior contribuição de cada um, no dia a dia, para mudar o clima. Carnes de frango e de peixe são menos danosas, porque esses bichos são mais eficientes na conversão de proteína vegetal em animal.
Por fim, há a questão do bem-estar animal. Não é frescura. Quem faz ideia do que ocorre na criação industrial de bois, porcos e galinhas sabe que os animais sofrem. Morremos de pena de cãezinhos e gatinhos na internet só porque eles não entram em nossas casas como bifes embalados a vácuo.
Por isso tudo sou simpático a campanhas como a da segunda-feira sem carne, coisa que se pratica em casa de quando em vez, e admiro vegetarianos e veganos. Não me junto a eles por falta de força de vontade, e não por falta de consciência ou conhecimento.
O melhor seria chegar lá por responsabilidade e decisão, não culpa. Enquanto isso, dá-se um jeito de virar vegetariano ao menos em algumas refeições. Os pobres e o planeta só têm a ganhar, por pouco que seja.

(Marcelo Leite é jornalista especializado em ciência e ambiente, autor de “Ciência - Use com Cuidado”).
(Folha de São Paulo) (Marcelo Leite)
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