Sábado, 20 de Abril de 2019
Bem-estar Animal

Redes de fast-food não se comprometem com bem-estar de frangos, diz ONG
São Paulo, 15 de Janeiro de 2019 - Grandes empresas de refeições não se comprometem com o bem-estar dos frangos que compram para servir em seus restaurantes. As maiores e mais populares redes de fast food internacionais tiram nota vermelha nesse quesito, segundo análise e ranking divulgados nesta segunda-feira pela ONG World Animal Protection (WAP), presente também no Brasil.
O estudo é o “Botando Ordem no Galinheiro 2018” (“The Pecking Order 2018”, em inglês), avaliação inédita do comportamento dessas empresas em relação aos criadores de aves. Em resumo, a análise da WAP verifica se as múltis da fast food têm metas para exigir de seus fornecedores uma criação que leve em conta o bem-estar das aves. O estudo dá seis notas, de “Muito Bom” a “Deficiente”. Segundo a WAP, as nove empresas avaliadas não passaram de “Ruim”, a quarta pior nota (menos de 43 pontos de 90 possíveis).
Burger King, Starbucks e Subway ficaram com nota “ruim”; McDonald’s, KFC, Pizza Hut e Nando’s com “muito ruim”; Domino’s PLC e Inc tiveram a nota mais baixa. As avaliações têm caráter global e utilizaram dados publicados pelas próprias empresas, segundo a WAP.
Cerca de dois terços dos 60 bilhões de frangos abatidos por ano no mundo são criados de maneira industrial intensiva — no Brasil, são 5,5 bilhões de abates por ano. As aves são selecionadas geneticamente para crescer o mais rápido possível. O ganho de peso pode provocar fragilidades e dores nas pernas, o que causa “manqueira”, além de distúrbios metabólicos.
Os frangos são criados em ambientes lotados — cada ave em semana final de vida ocupa a área equivalente a uma folha de caderno universitário ou A4. Além do mais, vivem sob luz artificial por muito tempo e alguns são criados em gaiolas que os imobilizam. A vida nos galpões impede comportamentos naturais dos bichos: empoleirar-se, espojar-se na areia ou ciscar, limites que são estressantes e causam doenças. Por fim, muitas aves não são “anestesiadas” para o abate.
O aumento de massa dos frangos é global. As aves de criação são muito parecidas pelo mundo - as matrizes, avós das aves de abate, são quase todas produzidas por duas múltis globais.
No Brasil também o ganho de peso foi pronunciado. Desde 1997, o peso médio da carcaça depenada e em parte eviscerada aumentou 32%, de 1,8 kg para quase 2,4 kg. O frango na média está pronto para o abate aos 45 dias de vida. A partir dos anos 1990, os criadores notaram os problemas derivados do crescimento rápido e da hiperlotação. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal, está havendo progresso na seleção genética, para um crescimento mais ponderado dos bichos, além de cuidados para tornar os ambientes de criação mais arejados e saudáveis.
Frangos com uma vida melhor custam mais? José Rodolfo Ciocca, zootecnista e gerente da área de animais de fazenda da WAP, diz que as recomendações de sua ONG podem aumentar o custo de produção — frangos que crescem mais devagar e ocupam mais área podem ficar mais caros. Mas a conta é complexa, argumenta.
Condições mais saudáveis também restringem doenças e perdas de aves. Segundo Ciocca a WAP e universidades na Holanda estão perto de concluir um estudo justamente para avaliar esse balanço entre eficiência e bem-estar.
A WAP concorda que existem progressos em algumas regiões do mundo, em particular nos países de origem dessas empresas e onde ONGs fazem campanhas pelo bem-estar animal. Por exemplo, Burger King, McDonald’s, Subway e Starbucks exigem abate humanitário em certos países, diz a WAP. Sete das nove empresas avaliadas (Burger King, KFC, McDonald’s, Nando’s, Pizza Hut, Starbucks e Subway) “usam auditores terceirizados em certas regiões para verificar o cumprimento dos padrões de bem-estar”.
Mas a avaliação geral é muito negativa. “Os resultados mostram negligência quase universal por parte das marcas no âmbito de suas políticas, metas e objetivos de negócio no sentido de melhorar o tratamento de frangos através de suas redes globais de fornecimento”, lê-se no relatório.
A WAP sugere diretrizes às empresas, agora com base no seu relatório anual. O eventual progresso vai aparecer no “Botando Ordem no Galinheiro 2019”.
OUTRO LADO
A Multi QSR, empresa que administra as redes KFC e Pizza Hut no Brasil, afirma que todos os fornecedores das duas redes são auditados para a garantia do bem-estar dos animais.
A Starbucks diz que até 2020 todos os alimentos serão feitos com ovos gerados por galinhas fora de gaiola (cage free), carne de porco de gestação livre de gaiola e aves processadas por meio de sistemas mais humanos. Em 2018 atingiu a meta de usar apenas galinhas criadas sem o uso de antibióticos.
A rede Subway afirma que todos os frangos servidos na rede brasileiros foram criadas livres de confinamento. E que até 2025, 100% dos ovos também virão de galinhas não-confinadas.
De acordo com o Burger King, a marca tem políticas rígidas relacionadas ao bem-estar animal que precisam ser cumpridas para que um fornecedor seja homologado.
Procurado, o McDonald's não se manifestou até a noite desta segunda-feira (14).
(Folha de São Paulo) (Vinicius Torres Freire)
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