Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2019
Produção

Fórum de Davos vai ampliar a pressão contra carne bovina
Genebra, Suíça, 08 de Janeiro de 2019 - A presença do presidente Jair Bolsonaro no Fórum Mundial de Economia em Davos, nos Alpes suíços, nos dias 22 e 23, vai coincidir com o aprofundamento de uma estratégia do fórum que busca incentivar a redução do consumo global de carne bovina. O Brasil lidera as exportações do produto, de acordo com estatísticas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Em 2018, o Fórum de Davos lançou a iniciativa "Meat: the Future", em defesa de um maior equilíbrio entre o consumo de carnes e questões ligadas à saúde e ao ambiente. Para o evento que vai acontecer em duas semanas, publica agora uma pesquisa da Universidade de Oxford que defende a substituição de carne bovina por fontes alternativas de proteínas que vão desde insetos até carne sintética, passando por tofu, lentilha, nozes e jaca.

A pesquisa martela que o consumo excessivo de carne é perigoso para a saúde e calcula que sua substituição por outras fontes de proteínas representaria uma diminuição de 2,4% do número de mortes ligadas a uma dieta alimentar considerada inadequada - o percentual chegaria a 5% nos países ricos. O trabalho estima que essa substituição será cada vez mais importante, tendo em vista a demanda crescente por carne em mercados emergentes.

O impacto ambiental também seria importante, considerando que a produção de carne bovina era responsável, em 2010, por 25% das emissões de gases de efeito estufa ligadas ao setor de alimentos. Segundo a pesquisa, a produção de carne bovina tem uma intensidade de emissão de 23,9 quilos de CO2 por 200 quilocalorias (kcal), enquanto feijão, insetos, trigo e nozes, por exemplo, emitem apenas 1 quilo ou menos de CO2. Outros produtos como tofu, carne suína, alga e carne de frango produzem de 3 a 6 quilos de CO2.

O trabalho avalia que é insustentável uma produção global de carnes nos níveis projetados de crescimento e para alimentar 10 bilhões de pessoas por volta de 2050. Nesse cenário, estima que o avanço da Quarta Revolução Tecnológica, um tema central em Davos, traz promessas importantes. Aponta, por exemplo, que "foodtech" como a carne moída sintética estarão entre as principais opções nos próximos anos, e sugere para o cardápio também as micoproteínas, sobretudo as derivadas de cogumelos. Lentilhas, algas ou trigo, diz a pesquisa, se transformados podem resultar em bons hambúrgueres vegetais.

Mesmo os insetos, já sugeridos pela FAO, a Agência das Nações Unidas para agricultura e alimentação, podem ter seu destaque na dieta alimentar mais equilibrada defendida pelo Fórum de Davos. Podem tanto alimentar pessoas como, na forma de farelo, compor rações para animais. A expectativa é que o produto poderá gerar oportunidades de negócios para agricultores tanto da Europa quanto da América do Norte.

O estudo reconhece que, pelos preços atuais, proteínas alternativas mais recentes, incluindo insetos e algas, ainda não são competitivas com a carne produzida em larga escala. As opções mais recentes são caras, mas o preço cairá com o aumento da oferta. Os custos de carne sintética ("cultured meat"), por exemplo, tiveram forte redução nos últimos anos, de centenas de milhares de dólares por quilo para US$ 25 hoje. Dessa maneira, afirma o estudo, é possível colaborar com a saúde humana e com o ambiente sem abandonar totalmente o consumo de carnes. Basta aumentar os esforços por uma dieta mais diversificada e melhorar os processos de produção das carnes bovina, suína e de frango.

Outro estudo publicado pelo Fórum de Davos indica que a demanda mundial por carne bovina continuará em alta nas próximas décadas. Estima, por exemplo, que em 2030 a África estará consumindo 125% mais de carne bovina, 60% mais frango, 46% mais leite e 77% mais ovos que em 2010. E não em razão de um "super consumo", mas em linha com sua prevista explosão demográfica.

Em boa parte da Asia, de outro lado, o aumento da população começou a se estabilizar, mas a renda aumentou e tornou viável a ampliação da demanda por produtos da pecuária de melhor qualidade. Enquanto o consumo de carnes e pescados na Africa subsahariana deverá diminuir 3% até 2027, tende a aumentar 12% na Índia e 13% na China. A demanda no Brasil, que já é considerada elevada, deverá crescer em ritmo bem menor que na Índia e na China.

Para o Fórum Mundial de Economia, um compromisso de governos, indústrias de alimentos e sociedade civil por um menor consumo de carne bovina deve preservar a sobrevivência de milhões de pequenos pecuaristas em torno do mundo. Pelo menos 750 milhões deles sobrevivem com apenas 2 dólares por dia no Pacífico e na Africa.

A iniciativa "Meat: the Future" defende transformações em quatro setores: na indústria de alimentos, que deve elevar investimentos em proteínas alternativas; na pecuária, que precisa adotar modelos de produção mais sustentáveis; na indústria de insumos, para se adequar às mudanças; e na postura dos governos, para estabelecer regulações que apoiem transformações visando a reduzir riscos para a saude humana.

Em sua passagem por Davos, portanto, o presidente Bolsonaro terá oportunidade de repetir um argumento do ex-ministro da Agricultura Pratini de Morais, que no governo Fernando Henrique Cardoso dizia que as "vacas brasileiras são vegetarianas", por serem alimentadas a pasto. E não faltará oportunidade para isso. Em 22 de janeiro, primeiro dia do Fórum de Davos, uma das sessões com um bom número de debates previstos será justamente o "Diálogo sobre a Alimentação".

(Valor) (Assis Moreira)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Segunda-Feira, 21/01
Sexta-Feira, 18/01
FRANGO/CEPEA: desaquecimento de negócios pressiona valores da carne (09:51)
OVOS/CEPEA: poder de compra do avicultor inicia 2019 em queda (09:50)
Milho: produtor de MT revê planos para safrinha (09:45)
Porto de Itajaí fecha o ano com melhor resultado desde 2011 (09:23)
Estudo sugere 'dieta universal' para salvar o planeta (09:22)
Ministério remove 'blindagem' de superintendências estaduais (08:22)
Boi Gordo: oferta regulada à demanda (08:09)
Milho: quinta-feira chega ao fim com preços em alta de até 6 pontos na Bolsa de Chicago (08:05)
Soja fecha a 5ª feira com altas de mais de 13 pts em Chicago com correção técnica e olhos no Brasil (08:00)
Quinta-Feira, 17/01
SUÍNOS/CEPEA: média do vivo é a menor para janeiro desde 2007 (11:06)
BOI/CEPEA: bom planejamento pode garantir margens positivas no fim de 2019 (11:03)
Balança Comercial Paulista registra superávit de US$ 11,49 bilhões, aponta IEA (11:02)
2ª Conbrasul Ovos 2019 vai reunir lideranças da avicultura de postura nacional e internacional de 16 a 19 de junho (09:28)
Presidente da ABPA se reúne governador Eduardo Leite (09:05)
Ministério tenta reabrir UE a carnes e pescados (08:28)
Milho: Bolsa de Chicago mantem tendência ao longo do dia e encerra quarta-feira em alta (08:23)
Carrefour vai monitorar fornecedores de carne por câmeras na França (08:20)
Fiscais Agropecuários gaúchos passarão por capacitação em inspeção (08:05)
STF abre investigação contra políticos na Operação Carne Fraca (08:02)
Três laboratórios têm selo Inmetro cancelado após descobertas da Operação Trapaça (08:00)
Cotação do boi gordo estável em São Paulo e frouxa em Mato Grosso do Sul (07:30)
Em mais um dia vazio de informações, soja fecha estável em Chicago nesta 4ª feira (07:18)
Quarta-Feira, 16/01
Brasil fomenta o maior projeto agropecuário da África (09:01)
ICC Brazil participa do IPPE 2019 (09:01)
Presença diária de fiscais em frigoríficos deverá ser mantida (08:56)
Quantos likes um ovo merece? (08:30)
Boi Gordo: atenção com as vacas e novilhas (08:04)
Milho: Bolsa de Chicago encerra terça-feira com quedas nos preços (08:02)
Soja trabalha em campo positivo nesta 4ª feira em Chicago em ajuste técnico depois das baixas (08:00)
Valor da Produção fecha 2018 em R$ 569,8 bilhões (07:49)
Terça-Feira, 15/01
FRANGO/PERSPEC 2019: após ano difícil, cenário sinaliza recuperação para 2019 (11:27)
OVOS/PERSPEC 2019: excesso de produção pode limitar ganho; produtores devem ter cautela em 2019 (11:25)
SUÍNOS/PERSPEC 2019: exportação e custo menor podem garantir ano mais positivo (11:23)
BOI/PERSPEC 2019: após exportação recorde em 2018, setor aposta em demanda interna em 2019 (11:21)
Foto de ovo tem o maior número de “curtidas” do mundo (07:39)
Redes de fast-food não se comprometem com bem-estar de frangos, diz ONG (07:38)
eSocial: o que o empregador PF precisa saber sobre CAEPF (07:37)
Baixa demanda por carne bovina mantém mercado do boi com pouca movimentação (07:20)
Importações chinesas de soja recuaram 8% em 2018 (07:18)
Soja testa leves altas em Chicago nesta 3ª feira corrigindo as últimas baixas (07:17)